De acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 55,5% da população brasileira se declara negra. No entanto, a composição atual do Judiciário ainda está distante da realidade demográfica do país, sendo considerada majoritariamente branca. Conforme dados divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Censo do Poder Judiciário de 2022, apenas 15% dos magistrados se identificam como pretos ou pardos.
Foi diante desse cenário que surgiu o Projeto Magistratura Negra, iniciativa voltada à preparação de candidatos negros para algumas das mais concorridas carreiras públicas do país. O projeto nasceu dentro da Educafro, idealizado pelo pastor e desembargador federal William Douglas, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), com o apoio e coordenação do Frei David.
A iniciativa oferece mentoria, aulas, livros e bolsas de estudo para pessoas que desejam ingressar na magistratura, no Ministério Público e em outras carreiras ligadas ao sistema de Justiça. A proposta é ampliar as oportunidades de acesso a essas áreas por meio da educação e da preparação para os concursos públicos.
Recentemente, William Douglas compartilhou em seu perfil no Instagram a aprovação da aluna do projeto, Dra. Kalorine Bezerra Maia, como a primeira mulher negra e quilombola a conquistar uma vaga no Ministério Público. O desembargador também divulgou os resultados atualizados do projeto, que já soma 21 aprovações. Desse total, 10 ocorreram em chamados “concursos-escada” e 11 em concursos para o Ministério Público e a Magistratura. Ao todo, foram 15 mulheres negras e seis homens negros aprovados em seleções consideradas de alta concorrência.
Segundo os idealizadores, a fundamentação do projeto parte do entendimento de que ter o Poder Judiciário com uma composição mais parecida com a da população brasileira, transmite ainda mais credibilidade, representatividade e autoridade. A iniciativa também defende que a ampliação do acesso de pessoas negras nos espaços de poder deve ocorrer por meio de educação, qualificação e oportunidades.
Redação CPAD News/ Com informações Comunhão, Projeto Magistratura Negra e Instagram William Douglas
