Criminosos armados atacaram a comunidade de Kenscoff, nas colinas próximas a Porto Príncipe, capital do Haiti, na noite de domingo (23). O ataque deixou ao menos 47 pessoas mortas e mais de 50 sequestradas. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), entre as vítimas, 22 pessoas teriam sido executadas dentro de uma igreja evangélica.

A Igreja da Arca da Nova Aliança (Church of the Ark of the New Covenant), fundada em 1974, também servia como abrigo para pessoas que haviam deixado suas casas devido à violência das gangues na região.

Segundo a Agência Fides, o templo foi incendiado, assim como dezenas de residências em Kenscoff. Animais, incluindo cavalos, também foram mortos durante a ação. Testemunhas relataram ainda que os homens armados fizeram reféns antes de deixar a região, enquanto famílias fugiram da comunidade em busca de segurança.

Na terça-feira (25), um líder de gangue ameaçou matar os reféns caso algum integrante de seu grupo fosse morto pelas autoridades. De acordo com o The Guardian, o criminoso publicou um vídeo nas redes sociais direcionado ao diretor da Polícia Nacional do Haiti, Vladimir Paraison, advertindo que não utilizasse drones para repelir gangues na região.

“Paraison, se algum dos nossos soldados for ferido, eu mato todos eles”, disse o homem, que se identificou como Izo 2, também conhecido como Didi, referindo-se aos reféns.

A ONU se pronunciou condenando o massacre e declarou que os ataques incessantes de gangues reforçam a necessidade urgente de intensificar os esforços de segurança, tanto haitianos quanto internacionais.

Por meio do porta-voz, Stéphane Dujarric, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, reiterou seu apelo para que as autoridades garantam a responsabilização dos autores de tais ataques, inclusive por meio das unidades judiciais especializadas, criadas recentemente com apoio internacional para investigar crimes em massa.

A comunidade Kenscoff vem sendo alvo de ataques de grupos criminosos desde o início de 2025. A ação de domingo foi considerada a maior registrada na região até o momento. O episódio ocorre em meio a uma grave crise de segurança no Haiti, onde cerca de 1,5 milhão de pessoas estão deslocadas internamente em razão da violência, conforme dados da ONU.

 

Redação CPAD News, com informações de The Guardian, Associated Press, Reuters, ONU, Agência Fides e Los Angeles Time

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