A realização de cultos cristãos em uma residência levou um pastor no Butão a enfrentar restrições no fornecimento de serviços básicos. Após ter o abastecimento de água e a energia elétrica interrompidos pelas autoridades municipais, o líder religioso Rajen decidiu recorrer à Justiça para contestar as medidas.
O caso teve início quando o pastor solicitou às autoridades uma autorização para utilizar o porão de sua casa como um local de culto, para reunir cerca de 30 cristãos, já que não há igrejas no Butão. O pedido foi negado em julho de 2023, sob a justificativa de que o cristianismo não é uma religião oficialmente reconhecida no país.
Porém, mesmo sem a autorização, Rajen começou a realizar alguns encontros aos domingos em setembro de 2024, depois de concluir a construção da residência. No mês seguinte, o fornecimento de água foi suspenso e, posteriormente, a eletricidade também foi cortada. Segundo o relato do pastor, a retomada dos serviços foi condicionada ao encerramento das reuniões religiosas.
Além do líder e seus familiares, outras famílias que vivem no mesmo edifício também foram prejudicadas pela suspensão dos serviços.
Na ação judicial, Rajen defendeu o direito de praticar sua fé, previsto no artigo 7º, seção 4, da Constituição do Butão, que trata da liberdade religiosa. Já as autoridades, o acusaram de estar envolvido em conversões realizadas mediante incentivos ou manipulação. O pastor negou as acusações e afirmou apenas que exercia sua fé e disponibilizava seu esparço particular para outros cristãos.
Em maio de 2025, o Tribunal Distrital de Tsirang determinou que o fornecimento de água e energia fossem mantidos no edifício. A decisão, porém, não representou uma autorização para a realização dos cultos no porão. A questão sobre o uso do espaço para reuniões religiosas permaneceu sem uma solução judicial definitiva.
De acordo com o jornal local The Bhutanese, em julho de 2025, a polícia interrompeu uma reunião com dezenas de cristãos, e a licença comercial utilizada para organizar eventos no imóvel foi cancelada pelas autoridades.
Diante das dificuldades, Rajen deixou de realizar os encontros no porão e passou a receber os fiéis na sala de estar, de sua própria residência, com a participação de cerca de 30 a 40 pessoas. Segundo o pastor ao The Bhutanese, a mudança ocorreu após um entendimento informal com as autoridades.
Apesar de ter conseguido manter o fornecimento de água e energia no imóvel, o líder cristão ainda não havia obtido uma decisão definitiva sobre o direito de realizar cultos no espaço originalmente destinado às reuniões.
O episódio evidencia os desafios enfrentados por cristãos no Butão para organizar encontros religiosos e exercer publicamente sua fé. Segundo a Portas Abertas, o país que ocupa a 34ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026.
Redação CPAD News/ Com informações Portas Abertas e The Bhutanese

