A Europa pode ganhar o menor país do mundo, o “Vaticano Muçulmano”. A proposta tem chamado atenção internacional por se tratar de unir a religião e a política.
O plano foi apresentado pelo primeiro-ministro da Albânia, Edi Rama, e aguarda ser aprovado pelo Congresso. A proposta é que o país albanês ceda parte de sua capital, Tirana, para a criação de um Estado muçulmano soberano, inspirado no Vaticano.
Com isso, o menor país tem a intenção de preservar e promover a tolerância religiosa, e deve funcionar como um enclave soberano, com administração própria, passaportes e fronteira. Segundo a proposta, ele ocupará cerca de 100mil m², enquanto que o Vaticano ocupa cerca de 440mil m².
Os planos para a criação do país foram divulgados em 2024, mas, em março deste ano, o projeto está na fase de elaboração legislativa, sem que tenha havido votação parlamentar.
O território fica em um complexo no leste de Tirana e pertence à Ordem Bektashi, uma corrente de tradição sufista dentro do islamismo, conhecida por uma interpretação mais flexível e heterodoxa da religião.
De acordo com o primeiro-ministro, o estado seria “sem muros, sem polícia, sem exército, sem impostos ou outros atributos, mas uma sede, um estado espiritual”, informou ao New York Times. A ideia da criação é apresentar que o islamismo não deve ser associado ao extremismo. “Não deixem que o estigma dos muçulmanos defina quem são os muçulmanos”, declarou Rama.
Ainda segundo a reportagem, o país vai permitir que os muçulmanos consumam álcool, as mulheres terão liberdade para se vestirem como quiserem e não serão impostas regras de estilo de vida. A ideia é que o líder religioso Edmond Brahimaj, conhecido como Baba Mondi comande o novo país. “Deus não proíbe nada; é por isso que nos deu mentes”, disse à reportagem. Os fiéis praticantes do sufis buscam uma relação direta com Deus, por meio de orações, jejuns e práticas espirituais como o “zikr” (lembrar-se de Deus).
Ainda de acodo com a reportagem, uma característica do sufismo é a preparação dos seus adeptos para a “grande jihad”, que é a luta contra si mesmo, contra o egoísmo e as ilusões.
A proposta não escapou de críticas das próprias lideranças locais que, afirmam que não foram consultadas antecipadamente. E ainda tem alguns questionamentos sobre a real necessidade de um modelo tão singular. Mesmo com as críticas, o projeto segue em discussão, e aguarda aprovação legal para sair do papel. E caso seja aprovado, a mudança será geográfica e também religiosa.
A Albânia é composta por 50% de muçulmanos, mas apenas 10% deles se identificam como muçulmanos Bektashi.
Redação CPAD News / Com informações G1 e Comunhão


