Três líderes da Igreja Luz de Sião, uma igreja doméstica independente em Xi’an, na China, continuam detidos enquanto enfrentam acusações de “fraude”. O processo envolve o pastor Gao Quanfu, de 69 anos, sua esposa, Pang Yu, e o pastor Tang Bingyi. Segundo a organização ChinaAid, que acompanha casos de perseguição religiosa no país, a acusação está relacionada a recursos recebidos pela igreja por meio de ofertas voluntárias, atividades religiosas rotineiras e venda de materiais religiosos.
Uma nova etapa do processo ocorreu no último dia 10 de agosto, quando um tribunal realizou uma audiência preliminar. De acordo com familiares, durante a sessão o promotor teria feito repetidas ameaças verbais ao advogado responsável pela defesa de Gao. A defesa contestou a conduta e afirmou que o comportamento da autoridade violova as normas que regulamentam o processo judicial. Até o momento, não houve divulgação de uma sentença definitiva sobre o caso e os três permanecem sob custódia.
Segundo os apoiadores dos cristãos, os recursos recebidos pela congregação e que foram tratados pelas autoridades como “provenientes de fraude” somam aproximadamente 2 milhões de yuans (cerca de R$ 1,5 milhão, em conversão aproximada). Eles alegam que os valores incluem contribuições feitas voluntariamente pelos membros, quantias utilizadas para a aquisição de livros e outros materiais religiosos, sendo movimentações que não configuram crime.
O pastor Gao foi detido inicialmente em maio de 2025, durante uma ação das autoridades contra líderes da congregação, de acordo com os registros da Comissão de Liberdade Religiosa Internacional dos Estados Unidos (USCIRF). No mês seguinte, Pang e outros integrantes da igreja também foram detidos. Gao, Pang e Tang permaneceram entre os principais alvos do processo e, posteriormente, passaram a responder formalmente pelas acusações.
A Igreja Luz de Sião atua há quase 40 anos em Xi’an e faz parte do conjunto de igrejas domésticas independentes que funcionam fora das estruturas religiosas reconhecidas pelo governo chinês. Como outras igrejas protestantes no país, a congregação não integra o Movimento Patriótico das Três Autonomias, estruturado pelo Partido Comunista Chinês para supervisionar as igrejas registradas.
Nos últimos anos, as autoridades chinesas têm intensificado a pressão sobre líderes de igrejas domésticas. Para organizações que acompanham a liberdade religiosa no país, o processo contra Gao, Pang e Tang reacende a preocupação de que práticas comuns entre comunidades cristãs independentes, como o recebimento de ofertas e a distribuição de literatura religiosa, possam passar a ser tratadas como crimes.
Redação CPAD News/ China Aid e USCIRF
