Relatos de mulheres cristãs sequestradas em áreas rurais do estado de Kaduna, na Nigéria, reacenderam o alerta sobre a violência sexual sofrida por vítimas mantidas em cativeiros na região. A denúncia foi feita por Nina Shea, especialista em liberdade religiosa e diretora do Centro para a Liberdade Religiosa do Hudson Institute, nos Estados Unidos.

Em entrevista ao jornal nigeriano, Truth Nigeria, Shea classificou os casos relatados por sobreviventes como estupros sistemáticos. Segundo as entrevistas reunidas pelo veículo, mulheres teriam sido capturadas nas proximidades de suas propriedades rurais e levadas para acampamentos localizados na região da floresta de Rijana, onde algumas afirmam ter sofrido abusos repetidos, durante horas.

Entre as vítimas da violência sexual está Ruth Maigari, uma agricultora cristã de 30 anos. Segundo o Truth Nigeria, ela foi sequestrada em julho, quando estava próximo à uma área rural. A mulher contou que foi levada para um acampamento, onde sofreu o abuso, e posteriormente foi libertada.

Outras sobreviventes também relataram experiências semelhantes. O veículo informou que alterou os nomes de algumas mulheres entrevistadas para protegê-las de possíveis represálias, estigmatização e novos traumas. Os relatos indicam que parte das vítimas permaneceu em cativeiro por períodos que variaram de dias a semanas.

De acordo com as informações, há anos, a região de Southern Kaduna enfrenta uma combinação de sequestros, ataques contra comunidades rurais e deslocamentos. Um relatório da organização Christian Solidarity Worldwide (CSW), publicado em junho de 2026, também apontou a ocorrência de violência sexual relacionada ao conflito na região e destacou que muitas vítimas permanecem em silêncio por causa do estigma, do medo e da dificuldade de acesso à Justiça.

Ali Ado Alipiri, líder comunitário e presidente de um campo para deslocados internos em Kajuru, afirma que algumas mulheres deixam de falar sobre os abusos por receio de rejeição social ou de consequências dentro da própria família.

A floresta de Rijana aparece em investigações anteriores do Truth Nigeria como uma área utilizada por grupos armados para manter pessoas sequestradas. Em reportagens publicadas desde 2025, o veículo reuniu relatos de sobreviventes que descrevem condições de cativeiro, violência e cobrança de resgates na região.

Shea criticou a resposta das autoridades nigerianas diante dos relatos e defendeu maior pressão internacional para que o governo do país proteja as comunidades afetadas. O Truth Nigeria informou que procurou a polícia de Kaduna para comentar as denúncias, mas não recebeu resposta.

A violência contra cristãos em partes da Nigéria tem sido acompanhada por organizações que atuam na área de liberdade religiosa e perseguição. A Portas Abertas, por exemplo, já documentou diversos casos anteriores de mulheres cristãs sequestradas e submetidas a violência sexual durante períodos de cativeiro no país.

 

Redação CPAD News/ Com informações Guiame

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