Mais de 60 cristãos foram mortos na região de Oromia, na Etiópia. De acordo com um comunicado divulgado na segunda-feira (26) pela Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo, o primeiro ataque ocorreu no dia 20 deste mês, quando 14 cristãos foram mortos na cidade de Meri Woreda. No sábado (24), outras 46 pessoas foram assassinadas em Sherka Woreda. Entre as vítimas estão crianças e idosos.
Durante os ataques, os criminosos incendiaram 20 casas e deixaram mais de 20 pessoas gravemente feridas. Os moradores precisaram fugir da região.
Um morador cujo pai, de 75 anos, foi morto descreveu a cena como uma “emboscada”. “Estávamos completamente despreparados e não tínhamos conhecimento prévio. Eles nos cercaram por todos os lados”, disse o homem à BBC Amharic.
Um representante da igreja classificou o episódio como um “massacre”. Segundo ele, a polícia chegou ao local, mas não conseguiu deter os criminosos.
Autoridades locais investigam o caso, mas suspeitam que os ataques tenham sido realizados pelo grupo rebelde Aliança para a Sobrevivência, que inclui o Exército de Libertação Oromo (OLA). A suspeita é de que a ação tenha como objetivo provocar conflitos religiosos. O grupo ainda não se manifestou sobre o caso, mas nega envolvimento em ataques anteriores.
A Igreja Ortodoxa já havia alertado sobre o agravamento da insegurança na região, mas, até o momento, não houve solução para o problema. Em nota publicada no Facebook, a instituição afirmou que os ataques contra cristãos têm aumentado recentemente. “Tais ações minam os valores do país de respeito mútuo e convivência pacífica”, declarou.
Segundo relatório divulgado em julho deste ano pelo Conselho Etíope de Direitos Humanos, uma organização não governamental, 458 pessoas foram mortas em ataques na região nos últimos quatro anos.
No documento, a entidade afirma que grupos armados atacaram repetidamente comunidades locais, principalmente membros da Igreja Ortodoxa Etíope Tewahedo. A organização descreveu os ataques como motivados por questões religiosas.
Na Etiópia, aproximadamente 66% da população é cristã, enquanto cerca de 33% é muçulmana.
Redação CPAD News/ Com informações BBC Brasil e Guiame
