No poder desde 2003, inicialmente como primeiro-ministro e, desde 2014, como presidente, Recep Tayyip Erdoğan poderá disputar novamente as eleições presidenciais da Turquia, caso a votação seja antecipada para abril de 2028. A previsão foi feita por um de seus assessores à imprensa nesta quinta-feira (17). Segundo Mehmet Uçum, a eleição poderá ocorrer em 16 de abril de 2028, caso o Parlamento aprove a antecipação.
O presidente turco não poderia concorrer novamente se completasse o atual mandato de cinco anos e as eleições fossem realizadas em maio de 2028, como previsto no calendário regular. No entanto, a Constituição autoriza que o Parlamento convoque eleições antecipadas caso a iniciativa conte com o apoio de 360 dos 600 deputados turcos. Essa possibilidade permitiria que Erdoğan concorresse novamente.
Analistas apontam que o chefe de Estado turco também poderia contar com o apoio de deputados de outros partidos para alcançar o número necessário de votos. Atualmente, o partido de Erdoğan, o AKP, e seu aliado, o MHP, somam 326 cadeiras no Parlamento.
A Constituição turca estabelece que uma pessoa pode ser eleita presidente por, no máximo, dois mandatos de cinco anos cada. Entretanto, o artigo 116 prevê uma exceção: se o Parlamento decidir antecipar as eleições durante o segundo mandato presidencial, o chefe de Estado poderá concorrer novamente.
Segundo um relatório da Comissão Europeia divulgado em novembro de 2025, o panorama democrático da Turquia tem sofrido um contínuo retrocesso nos últimos anos, com deterioração do Estado de Direito e dos direitos humanos. Ainda segundo o documento, a independência dos poderes está prejudicada no país, com o sistema judicial turco sob influência política do Executivo.
Nesta terça-feira (15), pelo menos 150 pessoas foram presas após a intervenção policial em uma concentração em frente ao tribunal de Çağlayan, localizado no distrito de Kağıthane, em Istambul. No local, manifestantes planejavam protestar contra detenções recentes direcionadas a grupos LGBTQIA+. Na última semana, autoridades realizaram batidas em sedes de associações, bloquearam sites e prenderam suspeitos em várias províncias.
O protesto ocorreu após uma série de batidas contra associações em várias províncias turcas, no âmbito de uma operação chamada “Minha Família Está Segura” — iniciativa que, segundo o governo, visa proteger crianças e valores familiares. Ainda na segunda-feira (14), um tribunal turco ordenou a prisão preventiva de 16 pessoas na província de Izmir.
No domingo (13), o ministro da Justiça, Akın Gürlek, declarou que as investigações — coordenadas por promotores em Istambul, Ancara, Izmir, Aydin e Mersin — envolviam 162 suspeitos, nove associações e 13 empresas em 15 províncias.
Redação CPAD News / Com informações G1 e CNN Brasil

