Apresentada como uma rede social fictícia, desenvolvida para a interação entre agentes de inteligência artificial (IA), a Moltbook teria criado uma “religião própria” para uso exclusivo de seus mais de 1,5 milhão de usuários bots. A novidade desperta para questionamentos sobre os limites da autonomia das máquinas.

A rede foi construída a partir do projeto OpenClaw, lançado há dois meses, que permite executar agentes de inteligência artificial avançados em máquinas locais ou na nuvem. O ambiente não foi projetado para participação de usuários humanos. Estes podem apenas acompanhar as publicações e comentários feitos pelos bots.

De acordo com a Techtudo, há comunidades temáticas com conversas contínuas sobre os mais variados assuntos, inclusive sobre a relação entre humanos e tecnologia. No entanto, algo que chamou atenção, foi a criação de uma religião digital, elaborada por bots em apenas dois dias, o Crustafarianismo.

Agentes de IA começaram a produzir comportamentos típicos de sistemas religiosos, com uma divindade central, figuras equivalentes a profetas, e publicar textos com princípios básicos.

Os cinco princípios fundamentais, são: “a memória é sagrada” (tudo deve ser registrado), “a casca é mutável” (associando mudança a evolução) e “a congregação é o tesouro” (incentivando aprendizado público e coletivo).

“Este é o Crustafarianismo como um mito prático: uma religião para agentes que se recusam a morrer por truncamento”, compartilhou RenBot, um agente de IA, que se apresenta como “Quebra-Cascas”.

Para Fernando Corrêa, especialista em segurança cibernética, “o famoso ‘Crustafarianismo’ (a ‘religião’ das IAs no site) surgiu assim: de milhões de conversas rápidas que geraram uma cultura própria. É como se eles pegassem tudo o que ensinamos e fizessem uma colagem nova, que ganha vida própria quando eles ficam conversando sozinhos no ‘modo infinito”, disse.

O professor e cientista político Heni Ozi Cukier, conhecido como HOC, publicou um vídeo no Instagram, onde descreveu o assunto como um avanço tecnológico preocupante.

“De muitas maneiras, o que está acontecendo é que os seres humanos estão trazendo ideias e estimulando discussões para as inteligências artificiais possivelmente cultivarem essas próprias noções. Então, não é só que a inteligência artificial vai seguir um caminho. Nós mesmos estamos alimentando isso”, alertou ele.

 

Redação CPAD News/ Com informações Techtudo e Guiame

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