Christa Gail Pike, de 50 anos, sobreviveu após receber duas doses da injenção letal, pentobarbital, na Penitenciária de Segurança Máxima Riverbend (*em inglês, Riverbend Maximum Security Institution) no estado do Tennessee, nos Estados Unidos, na noite desta quarta-feira (30). Ela segue hospitalizada após deixar o local em uma ambulância.
Após a tentativa fracassada de execução, o jornalista da emissora local WBIR, afiliada da NBC News, John North, disse que a mulher estava “ofegante”. Por estar presente, ele testemunhou tudo o que aconteceu. Ao deixar a penitenciária onde o procedimento foi feito, John contou que, em determinados momentos, os presentes não puderam ver o que estava acontecendo porque as persianas foram abaixadas, mas seguiram “ouvindo barulhos”.
“A primeira coisa que quero dizer é que, obviamente, temos muitas perguntas sobre o que vimos e o que não vimos, porque houve momentos em que as persianas estavam fechadas e outros em que estavam abertas, e parece que as coisas não correram como o esperado. Não sabemos o estado dela. Quando as persianas foram fechadas pela segunda vez, às 20h05, ela ainda estava respirando. Ela roncava em alguns momentos, mas ainda respirava. Tivemos que ouvir tudo isso até sairmos do prédio. Ouvimos barulhos, mas não sabemos o que aconteceu. A respiração dela não estava bem. Estava meio forçada, ofegante”, detalhou.
Segundo a porta-voz do Departamento de Correções do Tennessee, Dorinda Carter, não havia informações imediatas sobre o que havia ocorrido. O jornalista cobrou explicações das autoridades. “Acho justo dizer que temos muitas perguntas, e o Departamento de Correções precisa dar muitas respostas ao público sobre o que aconteceu aqui. Não era isso que esperávamos. Pensávamos que a respiração ficaria mais longa, que haveria intervalos maiores, que o ronco seria alto. Houve momentos em que estava alto, e você pensa: ‘Ok, talvez seja agora que ela vai parar aos poucos’. E isso não aconteceu”.
A diretora-executiva do Death Penalty Information Center, Robin M. Maher, afirmou que o que ocorreu com Pike é “algo único e sem paralelo”.
Pike tinha 18 anos quando, junto com o namorado dela na época, Tadaryl Shipp, espancaram, torturaram e assassinaram Colleen Slemmer, uma jovem de 19 anos que conheceram em um acampamento de treinamento profissional para adolescentes problemáticos. O assassinato causou grande agitação na mídia em Knoxville, Tennessee, em 1995, quando Colleen foi encontrada com um símbolo de ritual satânico esculpido no peito dela.
No ano seguinte, ela foi condenada à morte, enquanto Shipp — que tinha 17 anos na época — recebeu uma sentença de prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional. Depois de anos, a execução de Pike foi marcada para esta quarta-feira (30), mas foi interrompida por decisão de juízes do Tribunal de Apelações do Sexto Circuito. O procurador-geral do Tennessee apelou imediatamente à Suprema Corte dos EUA, que decidiu no mesmo dia que a execução de Pike poderia seguir em frente.
Caso tivesse morrido, ela seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos, e a 30ª nos Estados Unidos somente neste ano, depois que a Flórida realizou uma execução na terça-feira (29). Apenas 18 mulheres foram executadas naquele país, desde a década de 1970, em comparação com 1.663 homens.
O Departamento de Correção do Tennessee defendeu a condução da execução, que havia sido contestada pelos advogados de Pike e por especialistas em direitos humanos devido à idade dela na época do crime, ao histórico de abuso sexual na infância e à doença mental não tratada.
Redação CPAD News / Com informações CNN Brasil e G1
