O muçulmano Irfan Yousaf, operador de guindaste, foi condenado a 10 anos de prisão por ter participado nos ataques anticristãos ocorridos em 2023, na cidade de Jaranwala, província de Punjab. Ele foi considerado culpado por sua ação na demolição de uma igreja e uma residência durante os distúrbios. A condenação é um caso raro de responsabilização efetiva por violência coletiva contra minorias religiosas, conforme destacado por líderes locais.

Na época, os ataques tiveram início após acusações de profanação do Alcorão, e resultaram na depredação de 26 igrejas e mais de 80 casas que pertenciam aos cristãos. Apesar da sentença dada pelo tribunal antiterrorismo de Faisalabad na segunda-feira (13), outros 12 acusados foram absolvidos por falta de provas suficientes.

A decisão foi comemorada pelos cristãos paquistaneses durante um encontro promovido pelo Conselho Nacional de Igrejas do Paquistão (NCCP), principal órgão protestante do país, e pelo Fórum de Implementação dos Direitos das Minorias (IMRF), organização que atua na defesa das minorias religiosas.

De acordo com o presidente da IMRF, Samuel Pyara, a sentença só foi possível graças ao uso de provas forenses digitais. “A decisão foi tomada após a análise forense de um vídeo gravado por Wahida Mukhtar, uma cristã local, que mostrava Yousaf demolindo uma igreja e uma casa vizinha com a máquina. Peritos certificados pelo governo autenticaram as imagens e testemunharam perante o tribunal”, disse à EWTN News.

Testemunhas cristãs enfrentaram diversas formas de pressão durante o processo judicial, conforme explica Pyara: “Um dos reclamantes, funcionário de uma fábrica de tijolos, foi pressionado pelo empregador a quitar empréstimos pendentes. A lavoura de um agricultor pronta para a colheita foi envenenada. Outros tiveram acesso às terras negadas por proprietários muçulmanos, jovens perderam seus empregos e um provedor de internet a cabo viu seu negócio falir”.

Mesmo com a decisão judicial, líderes cristãos ainda se preocupam pois a decisão não deve ocultar a dificuldade do Estado paquistanês em garantir responsabilização de forma consistente em casos semelhantes.

Em nota divulgada na última terça-feira (14), a Comissão Nacional para Justiça e a Paz (NCJP) ressaltou que, desde 2009, os acusados de liderar ataques de grande escala contra comunidades cristãs no Paquistão têm sido absolvidos ao término dos processos judiciais.

Após os ataques ocorridos em Jaranwala, em 2023, mais de 300 pessoas foram detidas pelas autoridades paquistanesas. Entretanto, segundo líderes cristãos, muitos dos suspeitos acabaram sendo libertados posteriormente, sem receber condenações relevantes.

A defensora dos direitos humanos Sharon Shamir, que atua na cidade de Lahore, afirmou que ainda é prematuro concluir que houve plena justiça em relação aos ataques registrados em Jaranwala.

 

Redação CPAD News / Com informações Tribuna Gospel e Guiame

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