Durante o desfile de Carnaval no Rio de Janeiro, os cristãos foram alvo de deboche pela escola de samba Acadêmicos de Niterói. Com o tema “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a escola desfilou no domingo (15) e homenageou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Além de apresentar momentos da trajetória política de Lula, a escola destinou uma ala para os “neoconservadores em conservas”, onde famílias representadas por pai, mãe e filhos e alguns com uma Bíblia na mão, estavam dentro de latas, durante a apresentação.
Na mesma ala onde apareciam os evangélicos, foram incluídos um fazendeiro, uma mulher rica e defensores da ditadura militar. A escola colocou esses grupos, lado a lado na mesma alegoria, os “neoconservadores”.
O senador Magno Malta (PL) e o deputado federal Rodolfo Nogueira (PL) acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) e protocolaram queixas contra a escola. Para os parlamentares, a escola ultrapassou a manifestação artística e houve ridicularização pública do grupo religioso, transmitida na mídia, e discriminação religiosa.
Além dos parlamentares, outros deputados e senadores também se posicionaram nas redes sociais e acionaram a justiça, inclusive por permitir que o atual presidente fosse tema de um desfile em um ano eleitoral. Inclusive, uma investigação está sendo pedida sobre uma possível propaganda eleitoral antecipada, abuso de poder e uso indevido de verba estatal. O presidente Lula acompanhou todo o desfile, com ministros e aliados, em um camarote cedido pela Prefeitura do Rio.
A Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ) também repudiou o desfile da Acadêmicos de Niterói, nesta terça-feira (17) e classificou como intolerância religiosa a apresentação dos evangélicos em latas de conserva.
Em nota, a OAB declarou: “O episódio configurou prática de preconceito religioso dirigido aos cristãos. A liberdade religiosa, consagrada como direito fundamental, constitui pilar essencial do Estado Democrático de Direito e encontra proteção não apenas na Constituição Federal, mas também em tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil é signatário, como o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (art. 18)”.
E continuou: “Qualquer conduta que implique intolerância ou discriminação religiosa representa afronta direta à ordem constitucional e aos compromissos internacionais assumidos pelo país”.
Durante a apuração nesta quarta-feira (18), a escola que desfilou no Grupo Especial, foi rebaixada e recebeu apenas duas notas 10.
Nas redes sociais, cantores, pastores, influenciadores, dentre vários cristãos postaram imagens de suas famílias, com auxílio de inteligência artificial, dentro de latas em conserva e incluindo uma legenda: “Somos uma família conservadora e temos orgulho disso”.
Redação CPAD News / Com informações Guiame e G1
