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China quer submeter todas as religiões ao Partido Comunista em cinco anos

Direção do presidente comunista Xi Jinping tem sido considerada uma das mais intolerantes da China sobre a liberdade religiosa

Direção do presidente comunista Xi Jinping tem sido considerada uma das mais intolerantes da China sobre a liberdade religiosa
China quer submeter todas as religiões ao Partido Comunista em cinco anos

Uma nova e maciça onda de perseguição aos cristãos vem ocorrendo na China, desde que o presidente da China, Xi Jinping, apresentou um plano de 5 anos para "sinicizar" (submeter à China) todas as religiões do país, infundindo-as com "características chinesas", o que inclui a lealdade ao Partido Comunista, que governa o país.
 
Nos últimos meses, o governo deu alguns passos em direção a essa medida, fechando centenas de "igrejas domésticas" cristãs privadas e apreendendo Bíblias.

As igrejas domésticas protestantes não registradas que surgiram independentemente do Conselho Cristão oficial, foram amplamente toleradas até certo ponto, mas desde o lançamento do novo plano, se tornaram um alvo certo do Partido Comunista.
 
"Os líderes chineses sempre suspeitaram do desafio político ou da ameaça que o cristianismo representa para o regime comunista", disse Xi Lian, estudioso do cristianismo na China, na Duke University. "Sob o governo de Xi Jinping, esse medo da infiltração do Ocidente se intensificou e ganhou uma proeminência que não vemos há muito tempo".
 
Alguns cristãos perderam seus empregos, foram despejados de suas casas, presos e até mesmo mortos por causa de sua fé cristã.
 
Em março, um proeminente líder de uma igreja doméstica chinesa foi condenado a sete anos de prisão, depois de ter construído escolas cristãs em Mianmar.
 
A 'ChinaAid' — organização cristã que denuncia os abusos contra os Direitos Humanos na China — relatou que no mês passado, meia dúzia de cristãos foram condenados a até 13 anos de prisão, após terem sua religião chamada de "seita".
 
A ChinaAid diz que por causa dessa repressão, dezenas de pastores e suas famílias fugiram para os Estados Unidos nos últimos anos.
 
"O governo diz que temos liberdade religiosa, mas na verdade não há liberdade alguma", disse a esposa de um pastor, que pediu anonimato para preservar a segurança do marido. "Muitos de nossos irmãos e irmãs cristãos estão decepcionados e temerosos".

Causas

Especialistas dizem que a nova onda de perseguição ocorre quando o país passa por um renascimento religioso.
 
Os relatórios dizem que há cerca de 67 milhões de cristãos, incluindo católicos, no país - o que significa que a China está a caminho de se tornar o lar da maior população cristã do mundo em questão de décadas.
 
"Após o 'colapso' da ideologia comunista, nenhum sistema de valores foi estabelecido para preencher o vazio espiritual", disse o escritor Zhang Lijia. "A China testemunhou um renascimento religioso nas últimas décadas, precisamente por causa desse vácuo e controle relaxado".
 
Sob a nova repressão, crianças e membros do partido comunista são banidos das igrejas em algumas áreas, e pelo menos uma cidade encorajou os cristãos a substituir os cartazes de Jesus por retratos do presidente Xi.
 
O pastor e fundador da China Aid, Bob Fu, disse: "Acho que tem a ver com a ideologia do presidente Xi Jinping. Ele está realmente querendo levar a China ao antigo caminho do presidente Mao Tsé Tung, exercendo mais controle político, controle mental, ideológico, Sinicização na ideologia do partido comunista, e qualquer outra coisa seria considerada uma ameaça".