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Pr. Silas Daniel

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Para entender o “Grande Reset” e o que ele propõe

Sex, 07/05/2021 por

Muitos formadores de opinião na grande mídia estranham que possa haver alguma preocupação com o projeto “The Great Reset” (“O Grande Reinício”). Bem, por que deveríamos nos preocupar, não é mesmo? Afinal de contas, trata-se apenas de algumas das pessoas mais ricas e poderosas do planeta afirmando estarem super interessadas e compromissadas em redefinir algo tão “sem importância” como, simplesmente, a forma como todos nós vivemos. A agenda esposada por eles propõe a mudança de todo o sistema econômico mundial, das relações homem e propriedade, do consumo, dos empregos, das liberdades civis etc. Nada ambicioso, não é? E essa agenda tão “humilde” – que pretendem seja implantada até 2100, quando nem estaremos mas aqui... Ops! Não, até 2030! – é oficialmente subscrita pela Organização das Nações Unidas, pelo Fórum Econômico Mundial e por uma plêiade de estadistas, políticos e bilionários. O que há de preocupante nisso, não é mesmo?
 
E não, isso não é teoria da conspiração. Não é uma interpretação a partir de indícios aqui, declarações obscuras acolá, afirmações enviesadas etc. Nã-nã-ni-nã-não: os promotores dessa agenda dizem tudo isso com todas as letras em livros, artigos e entrevistas. Entretanto, alguém pode dizer ainda: “Ah, não tem que se preocupar, porque será muito difícil eles conseguirem implantar isso tudo”. Sim, com certeza eles terão dificuldade e eu mesmo acredito que não conseguirão implementar 100% de sua agenda ou pelo menos fazer isso tão brevemente; mas, fato é que não podemos ignorar que o projeto existe, está aí apresentado, será discutido e terá um “lobby” forte em vários países para sua aceitação. A maioria esmagadora da imprensa mundial – a grande mídia no Brasil, inclusive – morre de paixão pela ideia. As Big Techs e os homens mais ricos do mundo, idem. Grandes nomes da classe política mundial também (A classe política brasileira, em sua esmagadora maioria, igualmente; e o pessoal do STF já disse que está fechado com a Agenda 2030).
 
Portanto, é preciso atentar para esse assunto. Como disse, não acredito piamente que todas as coisas que eles intentam para o mundo irão se concretizar inexoravelmente em um futuro muito próximo. Meu propósito neste artigo não é fazer previsões, mas apenas expor o que essas pessoas afirmam que pretendem fazer. Cabe a você, leitor, levar em conta ou não essas afirmações deles. E eu acho que você deveria levar muito a sério.
 
Antes de tudo, é preciso definir o que é “globalismo”, já que este é o nome da posição defendida por esses senhores para a humanidade. Geralmente, quando falamos de “globalismo”, a maioria das pessoas pensa que estamos falando de “globalização”, quando, na verdade, são coisas bem diferentes. Essa confusão acontece principalmente porque a maioria dos órgãos de imprensa e a maioria dos formadores de opinião na mídia lamentavelmente promovem tal confusão – alguns por ignorância e outros, de forma calculada, premeditada, por serem, em sua maioria, ferrenhos defensores dos postulados do globalismo. Urge, então, diferenciarmos os termos.
 
O primeiro termo – globalização – está ligado à economia, enquanto o segundo – globalismo – é um conceito político. Globalização – ou globalização econômica – é a defesa do livre comércio entre as nações, do livre mercado em âmbito internacional, da divisão de trabalho em nível mundial, com cada nação se especializando naquilo em que é melhor e vendendo isso aos outros países enquanto compra dos outros países aquilo que eles fazem de melhor. A ideia foi defendida pelo economista Friedrich August von Hayek (1899-1992), Prêmio Nobel de Economia em 1974. Por entendermos que o livre comércio é um fator indispensável para o enriquecimento e crescimento das nações, entendemos que a globalização é necessária, devendo ocorrer, obviamente, em um ambiente em que todas essas transações econômicas sejam feitas da forma mais livre possível entre as nações. Uma nação tem o direito de travar relações comerciais com outra da maneira que for mais interessante para ambas.
 
Já globalismo, que alguns também chamam de “globalização política” (embora o termo “globalismo” seja, para mim, mais exato, além de ser mais indicado para não causar confusão), é o projeto de implantação de um sistema político sobre todo o mundo. Globalismo, para ser mais direto, é a defesa de um governo mundial ou de uma “governança mundial”, como preferem dizer seus proponentes. Trata-se de um projeto que é financiado há mais de um século por dinastias bilionárias e cuja implantação é buscada por políticos e burocratas de vários países que lhes prestam serviço; o objetivo final é controlar, dirigir e determinar as relações entre as pessoas no mundo e a maior parte das decisões dos governos de cada país. Tal intento reflete o que afirmam as profecias bíblicas sobre o final dos tempos. O texto de Apocalipse 13 fala claramente de um governo mundial.
 
Explicado isso, vamos agora ao “Grande Reset”. E comecemos pelo fato de os senhores globalistas estarem extremamente excitados com a “janela de oportunidades” que a pandemia lhes concedeu, conforme eles mesmo asseveram.
 
Em entrevista dada em 19 de novembro de 2020 à jornalista Isabelle Kumar para o programa “The Global Conversation” da Euronews, ao ser perguntado sobre “qual a primeira palavra que lhe vem à cabeça” quando olha “para o atual estado do mundo” na pandemia, Klaus Schwab, fundador e presidente-executivo do Fórum Econômico Mundial, respondeu: “É a palavra ‘Grande Reset’. Penso que é apropriada, porque ainda estamos a combater o vírus, mas podemos ser bastante otimistas, pelo que vimos dos anúncios das vacinas. Agora temos que pensar como reestruturar e como consumir na era pós-corona. E aqui, claro, a palavra ‘reset’ vai na cabeça, porque uma coisa é clara: não podemos voltar ao velho normal. Temos que aproveitar esta oportunidade, como nossos pais e avós fizeram depois da Segunda Guerra Mundial”. Lembrando que a Primeira Guerra Mundial gerou a Liga das Nações, que, após a Segunda Guerra Mundial, aproveitando o contexto pós-conflito, se transformou na Organização das Nações Unidas (ONU), que, por sua vez, produziu todos os demais órgãos internacionais globalistas a ela ligados (Com isso estou sugerindo que todos esses órgãos são desnecessários? Não necessariamente – se bem que o mundo viveu sem eles por milhares de anos e o surgimento deles não diminuiu os conflitos no mundo e ainda criou novos problemas).
 
Na mesma entrevista, ao ser perguntado sobre “qual é a sua prioridade nessa reinicialização [reset]”, Schwab respondeu: “Há três dimensões, três prioridades. Primeiro, é tornar o mundo mais resiliente, porque devemos, sem dúvida, enfrentar outras surpresas – ‘cisnes negros’, como são chamados; talvez até diferentes tipos de vírus. Em segundo lugar, devemos tornar o mundo mais inclusivo, mais justo, porque vimos que atingimos graus insustentáveis de pessoas que se sentem excluídas. Finalmente, temos que tornar o mundo muito mais verde. Temos que pôr toda a nossa energia na descarbonização, a fim de evitar uma grande catástrofe no futuro, da qual temos hoje os primeiros sinais”.
 
Traduzindo: a primeira prioridade é criar um sistema de maior controle social em nome da prevenção a futuros males eventuais que se espera virem sobre o mundo – dentre eles, segundo Schwab, o surgimento de novos e “diferentes tipos de vírus” iguais ou piores em efeito do que o da COVID. A segunda prioridade, por sua vez, é, em nome da ajuda aos excluídos (os mais pobres), criar um novo sistema econômico de ordem mundial, além de penalizar pessoas e discursos que sejam entendidos como prejudiciais às chamadas “minorias” (que são também vistos como excluídos, mas em outro sentido). E a terceira e última prioridade é criar uma fonte de dinheiro para sustentar esse novo sistema global, porque nada disso se sustenta sem dinheiro – e é aí que entra, sob a justificativa da criação de um mundo “mais verde”, a criação de um “imposto do carbono” para financiar tudo isso. Por isso a ênfase durante anos na tese falida do “aquecimento global antropogênico irreversível”, que depois foi substituída pelo discurso das “mudanças climáticas antropogênicas”. A meta de “descarbonização” viria através da criação de um novo imposto com todo um sistema especial para ele, um imposto internacional sobre as nações, o “imposto do carbono”.
 
Dentro da primeira proposta, de criar um sistema maior de controle, está a criação de um Sistema de Crédito Social, no modelo da China, onde a vida e o comportamento de indivíduos, empresas e corporações serão monitorados e avaliados dentro dos padrões “nobres e belos” estabelecidos por essa “Nova Ordem Mundial” (É assim que eles chamam a coisa mesmo há uns 30 anos pelo menos: Nova Ordem Mundial). Usarão Inteligência Artificial para isso. A identidade do indivíduo seria reduzida a um aplicativo ou chip que registra praticamente toda sua atividade pessoal. Para obter alguns direitos individuais, como o de viajar para um determinado local ou se candidatar a um emprego, a pessoa terá de contrabalançar esses privilégios aparentes com sua sujeição a uma rede de regulações que define em detalhes o que vem a ser um “bom comportamento”, o qual deve ser considerado benéfico “para a humanidade” e “para o meio ambiente”. E quem denunciar alguém que está fora das regras será recompensado no Sistema de Crédito Social, criando entre a própria população um estado policial permanente. E dirão que se você for contra é porque você “tem alguma coisa a esconder” ou é um “teórico da conspiração”, que não está vendo o bem que estão fazendo a você e ao mundo com essas medidas. Em suma, é engenharia social em grande escala.
 
Esta pandemia serviria apenas de ensaio, de teste para uma futura implantação. Há poucos meses, já estavam falando, por exemplo, de criar um “passaporte de vacinação”, sem o qual a pessoa perderia alguns direitos. Se isso vingar, a população já estará bem adestrada para passos maiores.
 
A própria ideia de implantação de chip tem um apelo muito sedutor: facilitaria, de fato, a nossa vida, pois, em vez de andarmos com vários documentos, o chip substituiria todos eles, inclusive os cartões de crédito e débito. Além disso, como diz Schwab em seu livro “Shaping the Future of The Fourth Industrial Revolution” (“Moldando o Futuro da Quarta Revolução Industrial”), um best-seller que teve 16 mil exemplares comprados somente pelos militares da Coreia do Sul, o chip implantado poderá ter muitas outras funções, como vigiar o nosso humor e nossas emoções. Não, não sou eu que estou achando isso: é ele mesmo quem afirma isso. Antes, porém, de reproduzir sua afirmação, precisamos definir o que é a “Quarta Revolução Industrial” ou a “Indústria 4.0”, pregada por eles.
 
De 2 a 19 de julho do ano passado, foi realizado o Chicago Council on Global Affairs (“Conselho de Assuntos Globais de Chicago”), onde Schwab explicou do que se trará essa “Quarta Revolução Industrial”. Disse ele na ocasião que ela consiste em tudo no mundo “se tornar digital” e em “levar a uma fusão de nossas identidades física, digital e biológica”. Em seu best-seller mencionado no último parágrafo, ele dá mais detalhes, dizendo que “as tecnologias da Quarta Revolução Industrial não pararão de se tornar parte do mundo físico ao nosso redor – elas se tornarão parte de nós. [...] De fato, alguns de nós já sentem que nossos smartphones se tornaram uma extensão de nós mesmos. Os dispositivos externos de hoje – de computadores vestíveis a fones de ouvido de realidade virtual – quase certamente se tornarão implantáveis em nossos corpos e cérebros”. Schwab endossa abertamente “os microchips implantáveis ativos que quebram a barreira da pele de nossos corpos”.
 
Quer mais? Na mesma obra, ele afirma que essa tecnologia permitirá que as autoridades “se intrometam no espaço até então privado de nossas mentes, lendo nossos pensamentos e influenciando nosso comportamento”. Como assim? Schwab explica: “À medida que as capacidades nessa área melhoram, aumenta a tentação de agências de aplicação da lei e tribunais usarem técnicas para determinar a probabilidade de atividade criminosa, avaliar a culpa ou até mesmo recuperar memórias diretamente do cérebro das pessoas. [...] Mesmo cruzar uma fronteira nacional pode um dia envolver uma varredura cerebral detalhada para avaliar o risco de segurança de um indivíduo”.
 
Entendeu? Sabe aquela visão futurista da “agência de pré-crime” do escritor de ficção científica Phillip K. Dick (1928-1982) em seu livro “The Minority Report”, que virou filme anos atrás? Pois é.
 
(OBS.: Por favor, não me chame de maluco. Chame de maluco esse pessoal que prega e defende isso, eu não. Eu só estou dizendo o que eles dizem)
 
Esse sonho utópico de Schwab é chamado de “transumanismo”, que é a crença de que o ser humano poderá alcançar um estado superior após uma fusão bem-sucedida – que eles acham bem possível – do biológico com tecnologias de alta ponta. Isso criaria ao final o que eles chamam de “pós-humano”. O “transumanismo” seria, na verdade, o caminho entre o humano e o pós-humano. Isso inclui a criação de órgãos humanos artificiais para atender à grande demanda de pessoas precisando de órgãos para transplantes – ou seja, mais uma vez tudo é feito em nome do bem. O próprio vídeo oficial de divulgação da Agenda 2030 afirma que no futuro esses órgãos artificiais serão produzidos em grande escala e implantados em humanos para lhes dar vida muito mais longa e saudável.
 
Chips ativos implantados em nossos corpos contendo todas as informações sobre nós, com acesso à internet e podendo fazer qualquer operação financeira, e que chegam até mesmo a vigiar nossas emoções e humor, além de órgãos artificiais implantados em nós para aumentar nosso tempo de vida... Seria isso uma espécie de “era dos ciborgues humanos”?
 
Outro detalhe é que a Agenda 2030 inclui o combate a tudo o que eles consideram “discurso de ódio”, de maneira que as Big Techs, que são aliadas fieis dessa agenda, receberão autorização oficial para regular as informações que devem circular nas mídias sociais, eliminando sumariamente o que seja considerado, pelos critérios da Nova Ordem, “fake news” e “discursos de ódio”. Ou seja, o avanço da tecnologia não objetiva simplesmente aprimorar as condições das pessoas, mas submeter o indivíduo à tirania de um estado tecnocrático. “Nossos especialistas sabem o que é melhor” será a justificativa. Se os antigos regimes totalitários precisavam de campos de concentração e execuções em massa para manterem seu poder, hoje isso é desnecessário. Com a ajuda dessas novas tecnologias, os que se opõem serão facilmente identificados, enquadrados, neutralizados e desqualificados, seja onde estiverem. É a “cultura do cancelamento” normalizada e institucionalizada. Quem não se ajustar às novas regras será “silenciado”, já que perderá acesso às mídias sociais para fazer ecoar a sua voz e a mídia tradicional já não dará mesmo voz a essa pessoa, sem falar que outras punições poderão ser criadas e aplicadas.
 
No vídeo oficial de apresentação da Agenda 2030, destaca-se inicialmente a frase “Você não terá nada e será feliz”. Segundo o Fórum Econômico Mundial, “o capitalismo como o conhecemos está morto”, de maneira que precisa ser substituído agora pelo “capitalismo das partes interessadas” ou “dos grupos de interesse”. Como assim? Ao invés de só buscar lucros, as empresas “buscariam” – sobretudo – “o bem-estar de todas as pessoas e de todo o planeta”. Tão lindo... Na prática, é socialismo misturado com apenas uma dose de capitalismo.
 
Em seu artigo “Bem-Vindo a 2030”, que saiu em uma publicação do Fórum Econômico Mundial, a ecoativista dinamarquês Ida Auken, 43 anos, que foi ministra do meio ambiente de seu país (2011-2014) e é atualmente membro do parlamento dinamarquês, descreveu a proposta “Você não terá nada e será feliz” da Agenda 2030 afirmando, como se fosse a coisa mais maravilhosa do mundo, que teremos brevemente um mundo sem privacidade ou propriedade; um mundo “onde eu não possuo nada, não tenho privacidade e a vida nunca foi melhor”. Segundo ela, em 2030, comprar e possuir se tornará algo obsoleto, porque tudo o que antes era um produto agora será um serviço. As pessoas terão acesso gratuito a transporte, estadia e alimentação, “e todas as coisas de que precisamos em nossas vidas diárias”. E uma vez que essas coisas se tornarão todas gratuitas, “não fará mais sentido para nós possuirmos muito”. Auken diz que chegará bremente o dia em que não haveria propriedade privada nas casas e ninguém pagaria aluguel, “porque outra pessoa está usando nosso espaço livre sempre que não precisamos dele”; não nos preocuparemos mais com “doenças de estilo de vida, mudança climática, crise de refugiados, degradação ambiental, cidades completamente congestionadas, poluição da água, poluição do ar, agitação social e desemprego”; e as pessoas ficarão felizes porque ficará claro para elas [ficará?] “que não poderíamos continuar com o mesmo modelo de crescimento”.
 
Nesse novo modelo econômico mundial a ser implementado, alguns tipos de emprego irão também ter que desaparecer. E se seu emprego não se enquadra nos empregos que continuarão existindo nessa Nova Ordem Mundial, você não precisará trabalhar: você receberá uma Renda Básica Permanente. Haverá também saúde pública universal. E de onde virá o dinheiro para tudo isso? Dos impostos mundiais que os países pagarão a título de “descarbonização” do mundo. Haverá também um imposto mundial sobre corporações e as pessoas mais ricas. É o sonho do socialismo sendo implementado no mundo quase 200 anos depois.
 
Ademais, uma Inteligência Artificial (IA) determinará o que e o quanto você poderá consumir. Por quê? Porque a IA precisará controlar o consumo para “preservar os recursos naturais”. Para isso, cada elemento do mundo será inventariado e rastreado por IA. Haverá a digitalização de todos os recursos. Ou seja, todos os recursos do mundo serão rastreáveis.
 
Assim, no novo sistema econômico que está por vir (ou que pelo menos esse pessoal deseja), todas as áreas da vida serão afetadas: governo, relações internacionais, finanças, alimento, medicina, empregos. Haverá ainda regras de planejamento urbano, inclusive para o setor imobiliário, e leis sobre relações humanas.
 
Na obra “COVID-19: O Grande Reset”, Schwab afirma que, “no mundo pós-COVID-19, informações precisas [Note: “precisas”. Mas, quais informações precisas? Ele elenca na sequência;] sobre a biodiversidade, sobre a toxicidade de todos os ingredientes que consumimos e os ambientes ou contextos espaciais em que evoluímos gerará um progresso significativo em termos de nossa consciência de bem bem-estar coletivo e individual”. E arremata ao final: “As indústrias terão de levar isso em conta”. Note: “terão”.
 
Um artigo de Andrew Stuttaford, intitulado “The Great Reset: Se ao Menos Fosse Só uma Conspiração”, publicado na revista “National Review”, da qual ele é um dos editores, e depois em português no jornal “Gazeta do Povo” em sua edição de 2 de dezembro de 2020, destaca algumas partes interessantes do livro de Schwab no que tange a esse assunto (Adquiri um exemplar do livro recentemente, mas, como acho que o artigo de Stuttaford destaca bem o ponto sobre o qual estou tratando agora aqui, preferi reproduzir a análise dele – ei-la):
 
“Para citar alguns exemplos, haverá limites para o consumo material, ênfase na ‘alimentação responsável’, ‘férias mais perto de casa’ e ‘desconsideração de tudo o que realmente não precisamos’. É uma imagem de uma sociedade sufocante e sem alegria onde o empreendimento é controlado, a conversa é toda de ‘solidariedade’ e – isso soará familiar – o indivíduo não é levado muito em conta. Quanto ao corporativismo [apresentado por eles], que muitas vezes é estruturado para parecer cooperação, mas é muito frequentemente sustentado pela coerção, ele será assim: ‘Em vários graus, os executivos de negócios em todas as indústrias e todos os países terão de se adaptar a uma maior intervenção governamental’. E dissidentes simplesmente não existem [os grifos a seguir são meus]: ‘Ninguém negaria agora que o objetivo fundamental das empresas não pode mais ser simplesmente a busca desenfreada de lucro financeiro; agora cabe apenas a eles servir a todos os seus grupos de interesse, não apenas àqueles que possuem ações’”.
 
O item número 2 do vídeo que resume a Agenda 2030 afirma que os EUA deixarão de ser uma superpotência e o mundo será governado por um grupo de países; o item número 4 diz que “Você comerá menos carne”, que será agora “um artigo de luxo ocasional”, e tudo em nome do bem do meio-ambiente; o item 5 defende a imigração totalmente irrestrita, dizendo que as mudanças climáticas gerarão refugiados que terão de ser recebidos e integrados sem restrições; o item 6 prega o “imposto do carbono” em nome do combate dos “malignos” combustíveis fósseis; o item 7 fala de buscar contato com vida no espaço, “aliens” literalmente sendo mencionados; e o item 8 fala que os valores ocidentais serão revistos.
 
Após anos de reuniões anuais em Davos, a elite mundial chegou à conclusão de que não adianta implementar reformas para eles chegarem onde eles querem, porque isso demanda muito tempo, de maneira que a melhor alternativa é impor uma revolução, isto é, uma dramática transformação a curto prazo. Daí a proposta da Agenda 2030: trata-se de um intervalo de tempo tão curto para impor as mudanças que a maioria das pessoas sequer perceberá o que está acontecendo enquanto está acontecendo. A ideia é que essas mudanças sejam tão rápidas e profundas que aqueles que perceberem o que está acontecendo não terão tempo para mobilizar as demais pessoas contra essas mudanças.
 
Como a ONU foi falha no sentido de influenciar essas reformas e a elite mundial tem pressa, o comitê organizacional do Fórum Econômico Mundial pretende aprovar ações para seus membros implementarem imediatamente em seus países para que a “revolução” ocorra logo. Ou seja, todo o poder à tecnocracia global. É uma aposta alta, sem dúvida, mas a elite mundial está excitada com a possibilidade de conseguirem, ainda mais que a pandemia veio, abrindo uma “janela de oportunidades” para sua agenda, além da mudança na presidência dos EUA, que durante o governo Trump foi um grande entrave a essa agenda. 
 
Concluo este artigo citando Stuttaford mais uma vez: “Não há qualquer tipo de conspiração [...] [pois] o Grande Reset está sendo orquestrado à vista de todos, e não por um grupo sombrio de conspiradores. E aceitar isso não é negar que isso pode ter consequências. [...] O Fórum Econômico Mundial é importante e sua Grande Reinicialização também. Se o recital do que o fórum já alcançou ou possibilitou não é prova suficiente disso, a lista de políticos, empresários e outros proeminentes que participam de suas conferências, inscrevem-se em suas parcerias e subscrevem suas iniciativas deve, com certeza, dar conta do recado”.

9 comentários

Nathalia

Esse reset mundial tá parecendo mais com o futuro governo do anticristo

Silas Daniel

Junior, a Paz do Senhor! Sim, eles querem controlar as Big Techs, mas não no sentido de impedir a censura delas aos usuários, mas de exigir das Big Techs uma maior censura e alinhamento. Os republicanos são contra a regulação das Big Techs e contra estas censurarem os usuários. Já os democratas são a favor de regular as Big Techs e impor, sob regulamentação, que elas censurem o que chamam de "desinformação" e "fake news", e façam uma maior "moderação do conteúdo" postado pelos seus usuários.

Sonia

Para mim isso tudo faz parte do início do fim. Jesus breve virá. Tudo indica.

Junior

Caro, Pr. Silas A paz do Senhor mais uma vez. Li sobre as Big techs, que o partido democrata, juntamente com o Biden, se posicionam contra o monopólio dessas empresas,.o que me deixa confuso pois eles mesmos não fazem parte dessa mesma agenda de globalismo?

Guilherme

Valderi, não se pode afirmar o que será a marca da besta. Mas todas essas tecnologias que você citou e mais outras como o pagamento por aproximação são precursores do que ela será. Quem presta atenção à evolução das tecnologias e dos discursos percebe que tudo está convergindo e sendo preparado para o governo do anticristo. Quando isso ocorrerá, ninguém sabe e quem arrisca fazer previsões está mentindo. Também não sabemos como tudo convergirá para se cumprirem as profecias.

Silas Daniel

Valderi, não sei se percebeu, mas minha fonte são os próprios proponentes do "Grande Reinício". Indico a você, para começar a se inteirar do assunto, ler os livros "A Quarta Revolução Industrial" (2019, EDIPRO), de Klaus Schwab, presidente do Fórum Econômico Mundial; "COVID-19: The Great Reset" (2020, Agentur Schweiz), de Klaus Schwab e Thierry Malleret; a edição de 2-9 de nov/2020 da revista "Time" dedicada totalmente ao tema; e o site do FEM. Leia tudo isso e depois tire sua própria conclusão.

Valderi Felizado da Silva

Chega até ser vergonhoso, um prato cheio para ateus e formadores de opinião, uma publicação cheia de achismo, teoria da conspiração e sensacionalismo. Não Josias, não se preocupe se Deus irá ou não permitir uma coisa dessas. Simplesmente porque essa teoria não existe. Não passa daqueles materiais produzidos pela aQnon, uma rede conspiratória da Extrema Direita Do mesmo ramo que dizia que o sinal da besta era os códigos de barra, depois passou para o cartão de crédito, depois para internet, etc

Junior

Teremos uma sociedade de zumbis tecnológicos? Que loucura! Jesus está voltando!

JOSIAS LEONARDO

Até quando Deus permitirá isso? E onde entra ai o plano do Anticristo.

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Perfil

Silas Daniel é pastor, jornalista, chefe de Jornalismo da CPAD e escritor. Autor dos livros “Reflexão sobre a alma e o tempo”, “Habacuque – a vitória da fé em meio ao caos”, “História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil”, “Como vencer a frustração espiritual” e “A Sedução das Novas Teologias”, todos títulos da CPAD, tendo este último conquistado o Prêmio Areté da Associação de Editores Cristãos (Asec) como Melhor Obra de Apologética Cristã no Brasil em 2008.

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