Colunistas

Pr. Elienai Cabral

Pr. Elienai Cabral

Cultos afro-brasileiros e sincretismo

Seg, 02/07/2012 por Elienai Cabral

 

Na descoberta do Brasil, o reino de Portugal descobriu também as riquezas desta terra e, para explorá-la, trouxe da África muita gente dos povos sudaneses e bantos. Os negros escravos eram trazidos para servirem aos senhores das terras brasileiras. Esse povo sofrido e com sua própria cultura religiosa trouxe consigo seus costumes e cultos.

A colonização portuguesa trouxe consigo o catolicismo romano e, ao encontrar nestas terras virgens muitos povos indígenas animistas, a catequese dos índios e posteriormente a chegada dos escravos africanos iniciou uma mistura de fé, tradição, ritos e deuses, num sincretismo inevitável. Há, hoje, no Brasil, um sincretismo religioso da maior diversidade, manifestado em cultos diferentes e folclores que passaram a fazer parte da cultura do Brasil. Portanto, hoje temos a influência do animismo, do fetichismo, de supserstições várias, além das variações folclóricas do catolicismo romano.

Umbanda, Quimbanda, Candoblé e Macumba

Umabanda, Quimbanda, Candoblé e Macumba são títulos que formam um sincretismo de cultos e práticas espíritas advindos do mundo africano, especialmente das regiões do Daomé, Nigéria, Sudão, Congo, Angola, Moçambique e Quelimane. Os povos dessas nações africanas desenvolveram crenças e cultos voltados para o baixo espiritismo, e que envolvem magia, feitiçaria através de espíritos que vagueiam para o bem e para o mal. Os dois grupos étnicos africanos que vieram a formar os chamados cultos afro-brasileiros foram os Sudaneses e os Bantos.

A Umbanda é a principal herdeira desses cultos afros. Ela conseguiu estabelecer um corpo de doutrina com rituais próprios, misturando-se com doutrinas e rituais católicos romanos. Ela é essencialmente uma religião de magia e feitiçaria, cuja adoração e obediência é feita aos “deuses”, que são espíritos denominados “orixás” e que aparecem sempre com forças sobrenaturais e incorporam em pessoas (médiuns evoluídos). Por outro lado, os “exus” são espíritos maus que incorporam em pessoas com opressão e obsessão. São chamados forças negativas que induzem a toda forma de maldades e praticas impróprias, tais como adultério, prostituição, pederastia, contendas, mortes etc.

A Quimbanda é uma via da Umbanda, mais conhecida como macumba. Entretanto, o seu culto e ritual são diferentes das demais vias da Umbanda. Nesse tipo de culto são os exus as entidades cultuadas. Vários nomes e títulos são dados às entidades da Quimbanda, de tal forma que eles formam um terrível exército para a prática do mal. Sem dúvida, o chefe, disfarçado por outros nomes, é o Diabo. Toda sorte de abusos sociais, libertinagens que escravizam as pessoas à bebida alcoólica, drogas e outras deturpações físicas são provocadas por esses espíritos, que são adorados e cultuados com derramamento de sangue de animais e, em alguns casos, até com sacrifício humano. Enquanto na Umbanda as cores predominantes são azul e branca, na Quimbanda são as cores vermelha e preta.

O Candomblé está na mesma família da Umbanda e da Quimbanda, mas tem suas formas próprias. A essência espiritual é a mesma. Diferem apenas nas formas e rituais de cultos oferecidos às entidades espirituais, que não passam de “demônios”, anjos caídos da presença de Deus e que se uniram a Satanás para se oporem a Deus e à sua obra. O elemento básico da natureza utilizado se compõe de plantas verdes, isto é, folhas, para as quais atribuem poderes especiais. O Candomblé também utiliza o sangue de sacrifícios de animais para aspergir sobre a cabeça de pessoas que precisam de alguma força ou poder. É conhecido de todos os brasileiros os famosos “despachos”, feitos com flores, comidas, ervas e sangue de galinha preta ou de bodes.
Práticas como “fazer cabeça” significam entregar-se ou vender a alma ao orixá. Por essa prática, a pessoa se obriga a renunciar, enquanto vive, todo e qualquer relacionamento espiritual, por isso a pessoa nunca mais poderá deixar essa prática. Isso torna a pessoa escrava desse espírito pelo resto da vida. Entretanto, Jesus, e só Ele, é capaz de libertar: “Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”, Jo 8.36. Várias entidades do Candomblé fazem parte da sua doutrina e representam deuses que são denominados orixás.

Macumba é um termo que se refere a todos os cultos afro-brasileiros. Porém, os macumbeiros fazem sessões em terreiros e até em casas, geralmente em fundo de quintal. Nessas sessões, os espíritos surgem ao som dos atabaques e de pontos cantados pelos ogãs, que são as pessoas que cantam os pontos para formar o ambiente e fazer o “descarrego” com defumadores para a prática do culto. A macumba é feita também com oferendas exigidas pelos “guias” (espíritos) em dia, hora e lugar previamente marcados. Coisas como farofa, pipoca, cachaça e outras bebidas são oferecidas a esses “guias”, a fim de que eles façam o trabalho para o bem ou para o mal de alguém.
 
A Bíblia condena o sincretismo

O sincretismo religioso entre o catolicismo romano e o espiritismo africano revela o quanto a igreja romana se afastou do verdadeiro cristianismo. Ora, o verdadeiro cristianismo abomina toda e qualquer forma de relação com os demônios. O apostolo João escreveu: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito: antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas tem saído pelo mundo afora”, 1Jo 4.1.

A Bíblia desmente qualquer possibilidade de mediunidade ou contato com os espíritos dos mortos, os quais, quando morrem, deixam seus corpos na Terra e seus espíritos vão para um lugar próprio (Hb 9.27). Se são justos, seus espíritos vão para o Paraíso e lá ficam até o dia da Ressurreição dos Justos (1Co 15.51-54). Os espíritos dos ímpios também ressuscitarão um dia, mas na chamada Segunda Ressurreição, no Juízo Final. Seus corpos ficarão na Terra e os seus espíritos na Sheol (Hades, Lugar de Tormento) até aquele Dia. Do lugar onde estão os espíritos dos mortos não há traslado, nem viagem, nem purgatório, nem qualquer contato com os vivos na Terra.

O contato com os espíritos diz respeito aos demônios que, por serem espíritos sem corpos, podem tomar formas de corpos e de pessoas, mas nunca os seus corpos ou espíritos. A artimanha de consultar os mortos é condenada por Deus na Bíblia (Dt 18.1-12).

O espiritismo, de modo geral, rejeita a idéia da existência de demônios. Ele ensina que os demônios são apenas espíritos imperfeitos, ou espíritos de mortos que foram maus durante suas vidas terrenas, o que também constitui-se heresia. Na Umbanda, os demônios são adorados como deuses ou servos dos deuses. A Bíblia não apenas os condena, mas tem reservado para eles a punição eterna que é o “Lago de Fogo”, de onde nunca mais sairão (Mt 25.41).

6 comentários

Carlos Jair Kaiper

Obrigado Pr. Elienai pelo assunto abordado, o que me assusta é que o sincretismo religiosos muitas vezes quer entrar em nossa Igreja de forma camuflada. Que Deus tenha misericórdia. Sugiro que que este tema seja abordado em nossa revista da EBD. Um abraço Fraternal.

LILIANE ANDRADE

gostei muito...mas gostaria de saber melhor sobre esse assunto porque por cremos em Deus e em nosso Senhor Jesus e Cristo buscamos sua face...mas existem momentos em que somos questionados ( escola ...faculdade etc..) e seria bom uma explicação para essas pessoas. Obrigada . Graça e Paz!

Sebastiao di Paula

Discordo totalmente do irmão Adelson Bezerra, não assisti ao programa, porque nem moro na Bahia, mas em MG, creio que foi um debate no campo das ideias, com certeza, o pastor evangélico defendeu aquilo que se propõe os Evangelhos a cerca da salvação.

Ney Oliveira

Belo resumo Pr Elienais, muito esclarecedor!

LÚCIA REIS

Tenho uma admiração enorme pelo Pr. Elienai Cabral, os seus ensinamentos são maravilhos. Tive o privilegio de participar de um Seminário ministrado por ele aqui na cidade que resido Jacobina - BA. Grande Ensinador, tenho certeza que irei aprender muito , afinal tenho apenas 03 anos de Evangélica.

Adelson Bezerra - Parambu

Há alguns dias atrás, assisti pela TV Jangadeiro, parte de um programa de entrevistas, no qual, eram entrevistados um pastor evangélico, um líder espírita e um pai-de-santo. Todos falavam coisas boas e até agradáveis. Entendo que o objetivo destes tipos de programas, nada mais é que, uma tentativa camuflada de conscientização de que "todos os caminhos levam a Deus".

Deixe seu comentário







Perfil

Elienai Cabral Pastor Elienai Cabral é conferencista, teólogo, membro da Casa de Letras Emílio Conde, comentarista de Lições Bíblicas da CPAD, membro do Conselho Administrativo da CPAD e autor dos livros “Comentário Bíblico de Efésios”, “Mordomia Cristã”, “A Defesa do Apostolado de Paulo – Estudo na Segunda Carta aos Coríntios”, “Comentário Bíblico de Romanos”, “A Síndrome do Canto do Galo”, “Josué – Um líder que fez diferença”, “Parábolas de Jesus” e “O Pregador Eficaz”, todos títulos da CPAD.

COLUNISTAS

ARQUIVO