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    Início » A Igreja e o avanço da iniquidade no final dos tempos (Parte 2)
    Pr. Silas Daniel

    A Igreja e o avanço da iniquidade no final dos tempos (Parte 2)

    Silas DanielBy Silas Daniel10 de agosto de 2021Updated:30 de março de 20225 Mins Read
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    À luz da Bíblia, entendemos que o avanço do mal não é absoluto, tem os seus retrocessos e perdas; e a razão é muito simples: a ação do Espírito Santo através da Igreja de Cristo na Terra. Escrevendo aos crentes em Tessalônica, o apóstolo Paulo explica que o anticristianismo não chegará ao seu domínio total antes do Arrebatamento da Igreja. Ele diz que “o mistério da iniquidade” só prevaleceria totalmente no mundo depois que “aquele que o resiste” ou “o detém” fosse retirado (2Ts 2.7). Ora, quem ou o que é esse que “o resiste”?

    Há quem diga que é uma referência ao Espírito Santo, outros há que afirmam ser uma referência à Igreja. Entendo, em consonância com grande parte dos expositores bíblicos, que ambas posições estão parcialmente certas, pois é uma alusão à ação do Espírito Santo no mundo através da presença da Igreja na Terra. É isso que “resiste” ao “mistério da iniquidade” ou “o detém”. Em outras palavras, o apóstolo Paulo está dizendo que quando Cristo arrebatar a Sua Igreja – um assunto já tratado por ele na carta anterior aos crentes em Tessalônica (1Ts 1.10; 4.13-18) –, essa onda histórica de iniquidade e oposição aos valores cristãos, que ainda é controlada em nossos dias (às vezes avançando grandemente para logo depois sofrer alguns retrocessos), virá como um dilúvio tomando tudo.

    Em suma, mesmo nos momentos mais escuros da história da humanidade, o mourejar da Igreja não é em vão. Não apenas por causa das vidas que ganhamos para Cristo, que são o principal, mas também porque a atividade da Igreja, de forma geral, neste mundo, segundo o apóstolo Paulo, “detém” o avanço do “mistério da iniquidade”. “As portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18). Sem a ação do Espírito Santo através da Igreja, sem a ação de Deus através do Corpo de Cristo neste mundo, tudo seria muito pior.

    Jesus, em seu Sermão da Montanha, afirmou: “Vós sois o sal da terra, […] a luz do mundo” (Mt 5.13,14). O contexto dessa afirmação de Jesus mostra que Ele se refere a boas obras (Mt 5.16), isto é, às ações que a igreja deve empreender no mundo como manifestação do amor de Deus. Isso significa, em primeiro lugar, que os cristãos devem não apenas evangelizar com palavras, mas com as suas vidas também, praticando a justiça, promovendo a paz, lutando pelo que é certo, se engajando pelo bem, manifestando em seu dia-a-dia o caráter e os valores do Evangelho. Eles não devem se conformar com esse mundo, não devem se deixar levar pelos seus modismos, mas devem remar contra a correnteza desse sistema, dizendo “não” à duplicidade moral e ao politicamente correto. Importa ser biblicamente correto, e não politicamente correto.

    Ser “sal da terra” e “luz do mundo” também significa que a igreja não pode se deixar levar por essa onda de imposição de uma nova cultura que fere diretamente muitos valores cristãos. Ela tem que marcar posição, fazer diferença e continuar proclamando o Evangelho de Cristo a este mundo caído. Não é provocar briga e nem se transmutar em um ente político, mas não se intimidar diante dos ataques aos valores que esposa e manter firme a sua posição como “coluna e firmeza da verdade” (1Tm 3.15). A Igreja é a principal agência de contracultura dentro desse sistema. Ela é a agência do Reino de Deus na Terra, sal e luz do mundo.

    Só para citar um exemplo: o cristão deve, à luz da Bíblia, se opor continuadamente àqueles que pregam uma cultura de morte, matando os inocentes em nome de seus projetos distorcidos de mundo melhor. Esse é nosso dever: “Se tu deixares de livrar os que estão sendo levados para a morte, e aos que estão sendo levados para a matança; se disseres ‘Eis que não o sabemos’; porventura não o considerará Aquele que pondera os corações? Não o saberá Aquele que atenta para a tua alma? Não dará Ele ao homem conforme a sua obra?” (Pv 24.11,12). Esse é só um de muitos outros exemplos de engajamentos que devemos ter à luz da Bíblia.

    Os cristãos devem, portanto, se engajar de forma sadia em relação aos problemas da sociedade, mas sem se envolver com as utopias deste mundo e sem confiar totalmente em sistemas humanos. Eles devem se pautar sempre pelos valores do Reino de Deus, porque, fazendo assim, estarão fazendo diferença real e concretamente, detendo o avanço do “mistério da iniquidade”. Em suma, evangelização e testemunho público – proclamado e vivido, ou seja, em palavras e ações – da mensagem e dos valores do Reino de Deus.

    Portanto, o que vemos na Bíblia é que a nossa atividade aqui na Terra, antes do Retorno de Cristo, tem um grande valor e efeito, não apenas no sentido de ganhar vidas para Cristo (que é o principal), mas no sentido de um mandato cultural que a igreja tem para promover o bem onde hoje prevalece o mal e, consequentemente, como efeito natural dessa ação, impedir o avanço absoluto do mal onde hoje ele já está grassando. Ser luz em meio às densas trevas – isso faz parte da sua missão.

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    Silas Daniel

    Silas Daniel é pastor, jornalista, chefe de Jornalismo da CPAD e escritor. Autor dos livros “Reflexão sobre a alma e o tempo”, “Habacuque – a vitória da fé em meio ao caos”, “História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil”, “Como vencer a frustração espiritual” e “A Sedução das Novas Teologias”, todos títulos da CPAD, tendo este último conquistado o Prêmio Areté da Associação de Editores Cristãos (Asec) como Melhor Obra de Apologética Cristã no Brasil em 2008.

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