Após permanecer por mais de quatro anos sob custódia das autoridades chinesa, o pastor Lian Xuliang foi libertado no início deste mês de setembro. Ele é líder da Igreja da Abundância em Xi’an, que assim como outras igrejas evangélicas no país, não possui registro oficial junto ao governo chinês.
Em 2022, a congregação foi fechada e o pastor detido sob acusação de fraude e de colocar em risco a segurança nacional. A investigação teve início em agosto daquele ano e envolveu outros dois cristãos que também foram presos, Lian Changnian, pai do pastor, e a pregadora Fu Juan.
A denúncia de fraude apresentada contra os cristãos partiu de uma mulher identificada como Qin Wen. Posteriormente, porém, ela teria afirmado que não havia sido vítima de fraude e que sofreu pressão para fazer acusações contra os líderes da igreja. De acordo com informações divulgadas por organizações que acompanham o caso, Qin chegou a buscar assistência jurídica para contestar as acusações e acabou perdendo o emprego em uma escola infantil.
Durante o período de detenção, os três cristãos teriam sido mantidos em condições severas. O grupo de direitos humanos, Church in Chains, relatou que eles passaram seis meses isolados em pequenos quartos de um hotel adaptado, sem contato com os familiares, sofrendo agressões físicas, privação de alimentos, uso de drogas e restrições ao acesso ao banheiro. A situação foi classificada pela Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF), como tortura.
O processo judicial se prolongou por anos. Em janeiro de 2024, os promotores recomendaram que cada um dos três acusados recebesse cinco anos de prisão. Em abril de 2025, eles foram liberados sob fiança e permaneceram sob vigilância das autoridades. O julgamento foi retomado em julho daquele ano, mas não houve uma decisão definitiva.
Embora Lian Xuliang esteja novamente em casa, o caso ainda não terminou para os demais envolvidos. Seu pai, Lian Changnian, e a pregadora Fu Juan continuam detidos. Aos 71 anos quando foi preso, Lian Changnian apresentou problemas de saúde durante o período de custódia, incluindo transtorno mental orgânico, ansiedade e fadiga cerebral severa, além de problemas na coluna que exigiram atendimento hospitalar.
A Igreja da Abundância segue proibida de exercer atividades pelas autoridades chinesas, e foi classificada pelo governo de Xi’an como uma organização social ilegal por funcionar sem registro oficial.
O episódio ocorre em um contexto de crescente pressão sobre comunidades cristãs que atuam de forma independente na China. Igrejas protestantes não registradas, conhecidas como igrejas domésticas, estão sujeitas a medidas de vigilância e repressão, que podem incluir o fechamento de congregações e a detenção de seus líderes.
A libertação do pastor Lian Xuliang representa um desfecho parcial para uma história que começou há quatro anos, mas também chama atenção para a situação dos cristãos que permanecem privados de liberdade. Enquanto ele retorna ao convívio familiar e à sua comunidade, Lian Changnian e Fu Juan continuam aguardando.
Redação CPAD News/ Com informações Christian Post
