Durante um festival católico no México, um pastor foi preso e expulso de sua comunidade em Santiago Malacatepec, no município de San Juan Mazatlán Mixe, no estado de Oaxaca. O evento aconteceu no dia 15 de janeiro, após ele se recusar a executar um protocolo religioso.
Mariano Velásquez Martínez é líder da Igreja Evangélica Camino Nuevo y Vivo, e no ano passado assumiu o cargo de mordomo (tradicionalmente exercido por adeptos do catolicismo romano), para ser o encarregado de organizar e facilitar os ritos religiosos locais.
De acordo com a organização britânica Christian Solidarity Worldwide (CSW), o pastor concordou a contragosto assumir a função, mas com o entendimento de que iria apenas fornecer velas e flores.
Porém, no dia da festividade, ele teria sido obrigado a acender velas, se ajoelhar e rezar diante da imagem de São Tiago Apóstolo. Mariano se recusou a fazê-lo, justificando que o rito violaria suas crenças protestantes, e foi denunciado às autoridades por um outro mordomo. Ele foi levado do local e detido por cinco dias.
Após esse período, o pastor foi amarrado com cordas e levado para uma assembleia, com cerca de 180 homens (incluindo o tio e o primo dele), para que assinasse forçadamente um documento confirmando sua expulsão da comunidade.
Segundo o jornal Faithwire, Mariano não recebeu uma cópia do que assinou e teme que o papel possa ser usado contra ele no futuro, sugerindo que ele deixou Santiago Malacatepec por vontade própria.
Atualmente, o pastor, a esposa e o bebê deles de três meses estão morando com parentes em outra cidade.
Um advogado e representante da Fraternidade de Pastores, Porfirio Flores Zúñiga, solicitou ao gabinete do procurador-geral de Oaxaca e ao secretário de governo de Oaxaca, que seja aplicada a Lei de Deslocamento Forçado no caso do pastor Mariano.
Aprovada em setembro de 2025, a legislação criminaliza o “ato de obrigar uma ou mais pessoas a deixarem suas casas devido a ameaças à sua segurança, vida ou liberdades”. Se condenados, os culpados pelo deslocamento forçado podem enfrentar multas e penas de prisão que variam entre 10 e 18 anos.
No entanto, para o diretor da CSW no México, Pablo Vargas, mesmo que o pastor busque ajuda legal, não é seguro que a família retorne para casa.
“Algumas pessoas decidem não seguir a religião majoritária e sofrem as consequências”, disse ele ao CBN News.
Redação CPAD News/ Com informações Faithwire
