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Países que perseguem a Igreja: como vivem os cristãos no Nepal

Nepaleses que abandonam o hinduísmo para seguir o cristianismo podem ser totalmente rejeitados pela sociedade

Países que perseguem a Igreja: como vivem os cristãos no Nepal

POPULAÇÃO: 30,2 milhões 
CRISTÃOS: 1,2 milhão 
RELIGIÃO: Hinduísmo, budismo, islamismo, kirati, cristianismo 
GOVERNO: República parlamentarista 
LÍDER: Bidhya Devi Bandhari
POSIÇÃO: 34º na Lista Mundial da Perseguição

No Nepal, prevalece a terceira maior religião do mundo em número de seguidores — o hinduísmo. Da forma como conhecemos atualmente, o hinduísmo é a união de diferentes manifestações culturais e religiosas. A principal crença dos hindus é a reencarnação.

Os nepaleses que desistem do hinduísmo para seguir o cristianismo passam a viver sob pressão. Eles são vistos como “desviados da fé de seus antepassados” e porque romperam com a cultura e a identidade nacional, passam a ser rejeitados e a receber maus tratos.

Extremistas e oportunistas

Sabe-se que, no Nepal, há uma grande instabilidade política impulsionada por lutas governamentais, além de um constante conflito entre os poderosos vizinhos China e Índia. Os extremistas hindus, ocasionalmente, se aproveitam desse fato para atacar os cristãos.

Como existe uma lei anticonversão em vigor no Nepal, ela é estrategicamente usada por eles para expulsar cidadãos estrangeiros. A lei pode ser amplamente aplicada, pois ela diz que “se uma pessoa faz com que outra se converta a uma religião diferente, pode ser presa, multada ou deportada”. 

A lei já atingiu vários cristãos. De acordo com a Portas Abertas, em algumas áreas, os cristãos não puderam receber o auxílio fornecido pelo governo, durante a pandemia da COVID-19, pois foram classificados como sendo “cidadãos de segunda classe”.

Sobre a perseguição aos cristãos no Nepal

Além da perseguição por parte dos hindus extremistas e o nacionalismo religioso, existe também a perseguição dos clãs, grupos radicais, outros líderes religiosos não-cristãos, quadrilhas e partidos políticos.

Muitas mulheres e meninas nepalesas se convertem ao cristianismo ao testemunhar curas e milagres na própria vida ou na vida de uma pessoa próxima. Porém, é muito perigoso para elas demonstrarem a nova fé, pois quando são descobertas são discriminadas, excluídas socialmente e muitas podem até ser espancadas por membros da família. Por esse motivo é muito comum que participem de cultos e encontros cristãos de forma secreta.

Já os homens e meninos que decidem seguir a Cristo ficam particularmente vulneráveis à tortura física e mental, tanto por parte da família quanto da sociedade em geral. Muitas vezes, a herança da família é negada a eles, além da perda dos direitos legais básicos, certidão de nascimento e cidadania. 

É comum para os cristãos nepaleses o assédio em locais públicos. De acordo com a lei nepalesa, os cidadãos não podem ser barrados em cargos públicos por causa de crenças religiosas. Mas, os cristãos têm reclamado por suas promoções negadas, principalmente nas forças armadas.

No exército nepalês, na política e no campo militar, os cristãos são forçados a adorar deuses hindus. Eles também são obrigados a participar de alguns festivais, e isso inclui comer alimentos oferecidos a ídolos ou colocar pó vermelho na testa durante as festas.

Para seguir a Cristo, os nepaleses têm suportado muitas humilhações e dificuldades, mas nem mesmo nos dias difíceis eles desistem de sua fé. “Na minha aldeia eles não permitem que eu busque água, e nós não estamos autorizados a sequer tocar a alça da bomba d´água. Muitas vezes, eu fui secretamente até a fonte”. (Bhumika, cristão perseguido no Nepal)

 

Fonte: Guiame / Com informações Portas Abertas / Foto: Portas Abertas (25.02.21)