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03/07/2020

Universo Cristão

Na Somália, a perseguição aos cristãos se caracteriza tanto pela pressão extrema como pela violência

Segundo Portas Abertas, o país é o 3º na Classificação a Perseguição Religiosa 2020

Fonte: Portas Abertas | 10/02/2020 - 17:00
Na Somália, a perseguição aos cristãos se caracteriza tanto pela pressão extrema como pela violência

A Somália é conhecida por ser hostil aos cristãos. Não é por acaso que o país ocupa, novamente, a 3ª posição na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2020. Desde que a LMP começou a ser publicada, em 1993, a Somália está entre os 50 países onde os cristãos são mais perseguidos.

A perseguição é particularmente severa para cristãos ex-muçulmanos – eles podem chegar a ser decapitados se forem descobertos. Com uma população muçulmana de 99,9% e apenas algumas centenas de cristãos, líderes religiosos islâmicos afirmam publicamente que não há lugar para cristãos no país. Assim como os líderes comunitários, eles veem os cristãos como um elemento estranho que está em seu país para prejudicar a cultura e religião. Todos os grupos tribais se identificam como muçulmanos.

Embora possa haver centenas de cristãos entre os 15,6 milhões de habitantes do país, o caráter intensamente tribal da sociedade somali também significa que qualquer muçulmano que se converta ao cristianismo será imediatamente detectado pela família e pelos amigos e corre o risco de morrer. Na Somália, não há lugares seguros para os cristãos (todos ex-muçulmanos) praticarem a fé. A comunidade e os membros da família perseguem qualquer um que deixe o islã.

Essa realidade se evidencia nos números obtidos pela pesquisa da LMP. A LMP avalia a pressão sobre os cristãos em cinco esferas da vida e a Somália atinge uma pontuação de pressão muito próximo da máxima (16,7) em todas elas. Como pode-se observar no gráfico abaixo, a pontuação de pressão na vida privada é 16,5; na família é 16,7; na comunidade, 16,6; na nação, 16,6; e na igreja, 16,5; a pontuação de violência é 9,4, totalizando 92 pontos.

Como o país tem lidado com a presença de grupos extremistas islâmicos

Além disso, houve um renascimento da militância islâmica, levando ao crescimento de organizações muçulmanas militantes baseadas em clãs, das quais a mais forte é o Al-Shabaab. O grupo extremista islâmico continua forte o suficiente para realizar ataques mortais até mesmo na capital Mogadíscio, a sede do governo federal. Os Estados Unidos têm feito ataques aéreos contra o Al-Shabaab, mas esses não tiveram êxito em produzir os efeitos esperados.

A perseguição na Somália está em toda parte e é um fenômeno nacional. Os cristãos não têm espaço nem proteção seja na comunidade ou no governo. O atual governo, eleito em 2017, conseguiu sobreviver em 2018 e 2019 com a ajuda de tropas da União Africana apoiadas pela ONU (Organização das Nações Unidas). Em maio de 2019, a ONU não renovou o mandato da sua missão no país por um ano, até as eleições nacionais em 2020. Mas do jeito que as coisas estão, pode-se esperar que o Al-Shabaab continue mirando os cristãos ex-muçulmanos como suas vítimas e que nenhuma das igrejas destruídas seja reaberta tão cedo.

No entanto, com todo esse cenário, o mais admirável é que os cristãos na Somália chegaram à fé sabendo de todos esses desafios. Assim, eles às vezes pagam o preço final: a morte. Um pesquisador de campo do Portas Abertas atesta a perseverança dos cristãos somalis: “Em meio aos tempos mais difíceis de perseguição e execução dos cristãos, eles permaneceram firmes, mantendo a fé cristã em segredo”.