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05/12/2017

Universo Cristão

Mulheres sequestradas pelo Boko Haram sofrem abusos e engravidam na Nigéria

Segundo Portas Abertas, o país é o 12º na Classificação de Perseguição Religiosa 2017

Fonte: Portas Abertas | 05/12/2017 - 12:00
Mulheres sequestradas pelo Boko Haram sofrem abusos e engravidam na Nigéria

Até outubro de 2015, Ester* levava uma vida normal de uma menina de 17 anos em Gwoza, no estado de Borno, na Nigéria. Ela estudava e cuidava do pai viúvo. Mas tudo mudou quando o Boko Haram atacou sua cidade. Militantes cercaram sua casa e a levaram. A última cena que viu, antes de ser levada, foi como seu pai foi atingido e deixado morto no chão.

Os rebeldes levaram Ester e um grupo de meninas para um esconderijo na floresta de Sambisa e usaram todos os métodos para fazê-las renunciar à fé cristã e se converter ao islamismo. Primeiro, eles lhes ofereciam privilégios, mas quando não funcionava, eles partiam para ameaças e intimidações. Muitos deles queriam se casar com Ester, mas ela não cedeu.

Quando se lembra de como era continuamente abusada, ela não consegue segurar as lágrimas, ao dizer: “Eu não sei contar quantos homens me agrediam. Toda vez que eles voltavam dos ataques, eles abusavam de nós”. Ela continua: “Conforme os dias passavam, eu me odiava mais e mais. Às vezes eu achava que Deus tinha me abandonado e ficava com raiva. Mas mesmo assim não conseguia renunciá-lo. E depois lembrava que ele prometeu nunca me deixar nem abandonar”.

Em novembro de 2016, o exército nigeriano conseguiu localizar e resgatar Ester e as outras meninas. Mas quando chegaram em casa, foram recebidas com suspeita e zombaria, e chamadas de “mulheres do Boko Haram”. Quando voltou, Ester estava grávida e foi desprezada até mesmo por seus avós. “Eles me xingavam; mas o que mais partia meu coração é que eles se recusavam a chamar minha filha pelo nome, Rebeca, e se referiam a ela como ‘Boko’”, relembra a cristã.

Desde seu retorno, ela passa por aconselhamento pós-trauma com a ajuda da Portas Abertas, o que a tem ajudado a lidar com sua raiva, dor e vergonha. Ela diz que agora consegue perdoar seus inimigos. Mesmo já tendo passado um ano, as pessoas ainda têm dificuldade de aceitar Ester e Rebeca, mas eles também notaram mudanças na jovem mãe. Agora ela se sente bem consigo mesma e com a filha e, diante de tudo o que passou, admite que Rebeca é sua “alegria e riso em meio à tristeza”. Hoje mãe e filha vivem na casa dos avós de Ester. Ela não está estudando nem trabalhando oficialmente, mas trabalha numa fazenda. Portas Abertas também as ajuda com alimentação.

Motivos e consequências do Boko Haram

Desde que surgiu, em 2009, o Boko Haram tem usado de violência para obrigar as pessoas a se tornarem muçulmanas. Um relatório da Portas Abertas concluiu que os ataques do Boko Haram a comunidades cristãs não são aleatórios, mas parte uma campanha calculada para intimidar a população a se converter ao islamismo.

As ações do grupo são a maior causa de mortes e deslocamento na Nigéria, e já fez mais mortos que o Estado Islâmico. A ONU estima que 2,5 milhões de pessoas (incluindo 1,5 milhão de crianças) já foram deslocadas desde maio de 2013.  Em julho, a UNICEF havia estimado que mais de 2,7 milhões de crianças atingidas pelos conflitos precisavam de apoio psicológico. A violência contra as mulheres também aumentou consideravelmente. Não se esqueça delas em suas orações. Clame também pela vida de Ester e Rebeca, que elas encontrem em Deus tudo o que precisam.

*Nome alterado por motivos de segurança.