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Mensageiro da Paz

Evangélico e juiz da Operação Lava Jato

Mensageiro da Paz (Novembro/ 2017)

25/10/2017 - 14:34

 

Graduado em Direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1989/1994) e mestre em Direito (Justiça e Direitos humanos) pela Universidade Católica de Petrópolis/RJ (2012/2014), doutor Marcelo da Costa Bretas é Juiz Federal desde 1997, atualmente titular da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro (especializada em crimes financeiros e de lavagem de dinheiro) desde  evereiro de 2015, e responsável pelos casos da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro. Ele é conhecido nacionalmente por ter mandado prender o bilionário Eike Batista e o ex-governador Sérgio Cabral.

Entre suas atuações profissionais estão a de Promotor de Justiça no Estado do Rio de Janeiro (1996/1997) e membro de Missão Diplomática do Brasil perante a ONU em Genebra (abril/julho de 2013). Evangélico, tendo nascido e crescido na Assembleia de Deus (hoje está em outra denominação), nesta entrevista doutor Marcelo Bretas fala sobre como se deu seu encontro com o Evangelho; suas atividades na igreja; se Deus já havia falado com ele antes da responsabilidade que tem hoje sob os ombros, de ser responsável por casos de tamanha relevância e repercussão no Brasil; a importância dos valores bíblicos para o exercício de sua magistratura; os desdobramentos da Operação Lava Jato; o despertar da população brasileira contra a corrupção; e conselhos àqueles que almejam militar na magistratura.

Doutor Marcelo Bretas, como se deu o encontro do senhor com o Evangelho de Jesus?
Eu tive a felicidade de nascer em um lar evangélico. Eu e minha família temos experiência em ambiente cristão. Minha infância e juventude foram na Assembleia de Deus, tendo o costume de ler as Lições Bíblicas da CPAD, que foram as minhas primeiras lições. Desde então, com a graça de Deus - porque não é questão de mérito, e sim, por graça - temos permanecido nos caminhos do Senhor.
Atualmente, quais são suas atividades no contexto da igreja onde congrega? Que outras atividades  foram desenvolvidas pelo senhor na igreja?
Desde a minha infância, a partir dos 10 anos, eu cantava no coral da igreja, inclusive os ensaios do grupo aconteciam em minha casa. A partir dos 13 anos de idade, eu já tocava bateria na igreja. Sempre fui envolvido com música. Recentemente, quando eu morava em Petrópolis, há cerca de três a quatro anos, eu atuava como baterista da igreja, mas atualmente não. Atualmente estou congregando na Comunidade Internacional Evangélica da Zona Sul e não tenho nenhuma atividade na igreja.

Quando o senhor escolheu seguir carreira na área de Direito, imaginou um dia estar julgando casos de tamanha relevância e repercussão em nosso país? Deus já havia falado alguma coisa a esse respeito?
Eu jamais imaginei o que o futuro me reservava. Quando eu ingressei na faculdade de Direito, eu não tinha expectativa de seguir trabalhando em Direito. Eu sou oriundo de uma família de comerciantes. A princípio, eu seguiria o mesmo caminho, assim como o meu pai e meus irmãos. O importante é que em tudo em minha vida, não somente em minhas escolhas profissionais, mas também familiares, enfim, eu sempre busquei uma orientação da parte de Deus, para saber se determinado plano está de acordo com os projetos divinos em minha vida, ou se entram em rota de colisão com o plano de Deus. Dessa forma, eu digo que nada do que vivo hoje é uma surpresa. Nunca se sabe o tamanho do desafio aguardadopor uma pessoa, mas como eu sou um admirador do texto bíblico, das histórias bíblicas, eu sou daqueles que defendem que quanto maior o obstáculo, quanto maior o inimigo, maior a vitória, maior a bênção. Porque se Deus está guiando a sua trajetória, não tem como dar errado.

Qual a importância dos valores bíblicos para o exercício da magistratura?
Eu digo que não somente para a magistratura, mas para o Direito em geral, para a vida em sociedade. Eu sou um leitor assíduo doslivros do rei Salomão. E digo: se eu pudesse ler todos os dias os livros de Provérbios e Eclesiastes, eu não conseguiria aprender  tudo ue está ali, porque a cada dia  você aprende uma situação nova, um princípio novo, e você, pelo muito ouvir, acaba praticando issona sua vida. É dessa forma que  a Palavra de Deus deve penetrar na nossa vida, não somente pelo ouvir, mas também pelo praticar. Isso é bom e útil em tudo, seja ao evitar uma exposição desnecessáriaem seu trabalho, seja no caso  de um sentimento de arrogância, de soberba. Em tudo eu utilizo os princípios que eu aprendo com a Bíblia. O curioso é que às vezes lendo outros autores seculares, escritores que estudaram essarelação com o poder, o poder político - por exemplo, Abraham Lincoln -, você vê que muito do que está sendo dito vai exatamente ao encontro daquilo que já estava escrito há dois mil anos antes, ou milhares de anos antes, na Bíblia Sagrada. Porém, muitas vezes não se valoriza a leitura da Bíblia, preferindo valorizar apenas autores mais conhecidos. Não fica aqui nenhuma crítica, mas eu tenho a minha opção de ir à fonte.

Como o senhor enxerga o andamento da Operação Lava Jato? Os seus desdobramentos revelam um despertar do povo brasileiro contra a corrupção em nosso país?
Na verdade, a Operação Lava Jato é distribuída em várias operações com esta marca, mas reflete uma mudança, sim, de paradigma da forma como a Justiça vem combatendo a corrupção. Mas devemos observar  que não é somente o Brasil que está atento a isso, mas o mundo está atento a esse movimento. Hoje os meios de comunicação de relacionamento entre as pessoas tornam muito mais fácil se conversar e as pessoas conseguem reclamar e encontrar insatisfações comuns entre as massas, e isso possibilita uma catalização de muitas vontades, muitas insatisfações que são dirigidas aosgovernantes ou a qualquer outro agente público que comete o delito. Resumindo: hoje a sociedade é mais ouvida, ou seja, tem voz mais forte, e isso é importante. Os políticos, que a cada quatro anos vêm à população para pedirapoio, estão atentos a isso e por essa razão eu acho que existe  um movimento duradouro. Não é uma onda simplesmente, e tende a se fortalecer. Creio e espero que em 2018 se reflita nas eleições e nos resultados nas urnas. Porque nada disso terá sentido se as pessoas não se preocuparem em fazer uma boa escolha no momento daseleições. Essa é a nossa expectativa, de que devemos avançar e melhorar enquanto sociedade.

Doutor Bretas, deixe um conselho àqueles que almejam militar na magistratura. 
Eu desejo falar aos jovens que estudam, talvez com simpatiapela carreira jurídica, alguns já advogados, outros fazendoconcurso ou cursinhos. Eu falo dessa maneira porque eu fiz tudo isso, e se estou falando com jovens irmãos na fé, o primeiro conselho é buscar a vontade de Deus em sua vida. Lembro-mede uma situação em que a minha mãe passeava comigo no cento  de Nova Iguaçu [no Rio de Janeiro]. Ela me disse ao ver uma placa de escritório de advocacia: “Meu filho, como eu gostaria que você fosse um advogado”. Eu nunca imaginava isso. Era um adolescente. Acabei por ingressar na Faculdade de Direito, mas já tinha uma estrutura de comércio pronta para eu assumir, mesmo com 18 anos incompletos, mas eu ouvi os conselhos de meus pais como também a orientação da parte de Deus, e tudo na vidafoi se desenvolvendo. Conheci a  minha esposa, hoje juíza também na Justiça Federal, e minha esposa naquela época não era evangélica, mas aceitou Jesus. Vejo que Deus concedeu tanto para a minha mãe quanto para mim muito mais do que podíamos imaginar. Isso está na Bíblia, e nos louvores que lembraram que os planos de Deus  são maiores que nossos sonhos. Deus consegue ver o que não podemos contemplar. Se a pessoa se coloca na presença divina e confia, Ele vai brindá-la com um futuro brilhante, onde serás útil, de uma forma ou de outra. Dessa forma, confie no Senhor e faça sua parte, pois temos que estudar. Confie no Senhor e não desista de seus projetos. Se seus sonhos forem sonhos de Deus, a vitória é garantida.


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