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19/10/2020

Giro pelo Mundo

Israelenses se preparam para celebrar o Rosh Hashaná, enquanto país entra no 2º lockdown

Pela primeira vez em seus 62 anos de história, a Grande Sinagoga de Jerusalém está fechada para festas de fim de ano

Fonte: Guiame / com informações CBN News / Foto: AP Photo / Sebastian Scheiner | 18/09/2020 - 09:00
Israelenses se preparam para celebrar o Rosh Hashaná, enquanto país entra no 2º lockdown

Nas últimas semanas, Israel tem vivido seus piores e melhores dias ao mesmo tempo, já que assinou acordos históricos com dois países árabes, mas também está entrando em um segundo lockdown devido à pandemia do coronavírus, pouco antes do início das festas de fim de ano judaicas (Rosh Hashaná). No calendário judaico, será marcada a entrada do ano 5781.

Pela primeira vez em seus 62 anos de história, a Grande Sinagoga de Jerusalém está fechada para festas de fim de ano.

“A razão é muito simples. O critério mais importante no Judaísmo é a segurança física de cada ser humano”, disse Zalli Jaffe, presidente da Grande Sinagoga de Jerusalém. “As pessoas estão arrasadas. Mas, as pessoas entendem”.

Essa é apenas uma das causas do segundo lockdown em razão do coronavírus em Israel, que inclui o fechamento de escolas, shoppings, hotéis e restaurantes (exceto para delivery).

Os israelenses só terão permissão para se aventurar a cerca de 400 metros de casa, exceto para exercícios ou necessidades básicas.

Anteriormente, proprietários de restaurantes de Tel Aviv protestaram contra o fechamento, e um grupo de médicos, cientistas e outros profissionais dizem que apresentarão à Suprema Corte uma petição contra o bloqueio.

Israel tem visto um aumento dramático no número diário de novos casos de infecção pelo coronavírus para mais de 5.000 por dia, com um total de 1.169 mortes.

Pedido de desculpas

O presidente israelense Reuven Rivlin pediu desculpas aos israelenses pela forma como o governo lidou com a pandemia.

“Esta noite, quero dizer-lhes que compreendo bem o sentimento de confusão, de constrangimento, de preocupação que muitos certamente sentem. Eu entendo e peço antes de tudo, que me desculpem por isso”, disse Rivlin.

Rivlin reconheceu que o bloqueio prejudicará a capacidade dos israelenses de celebrar, lamentar e orar juntos. Mas também encorajou os cidadãos a serem fortes e então se voltou para o governo.

“A confiança deste povo vale mais do que ouro”, disse ele aos líderes do governo. “Devemos fazer tudo, para restaurar a segurança pessoal, médica e econômica de todos os israelenses”.

Enquanto isso, o porta-voz da polícia Micky Rosenfeld disse que a polícia israelense está pronta para impor o fechamento.

“A polícia nacional israelense concluiu as medidas de saúde e segurança para o bloqueio programado, que continuará por três semanas, até o dia 11 do próximo mês”, disse ele. Segundo Rosenfeld, Mais de 7.000 policiais participarão do bloqueio de diferentes bairros e da prevenção de movimentos.

Os militares israelenses também trabalharão com a polícia para evitar que as pessoas violem as medidas de bloqueio do governo.

Visão espiritual

Apesar do cenário preocupante, alguns cidadãos relataram à CBN News que pode haver um lado espiritual positivo em tudo.

“Por um lado, é muito chato porque bloqueia você em seu negócio e tudo mais. Mas ajuda você a voltar para o interior e se concentrar nele. Perdemos isso por dentro naqueles dias”, disse Ann-Celine Chazan. "Então por que não? Mas temos que estar preparados e é muito estressante”.

“Talvez isso nos aproxime mais. Seremos capazes de ficar em casa e ter um pouco de introspecção de nós mesmos e assim por diante. E eu acho que provavelmente no próximo ano, haverá ainda mais afluência nas sinagogas e na cidade velha. Acho que vai nos fortalecer no final”, disse o residente David Harrons.

Transmissões ao vivo no Brasil

Fato é que se se pandemia parecia afastar fisicamente as pessoas em Israel, alguns judeus encontraram uma forma de se manter unidos de alguma forma para celebrar o Rosh Hashaná deste ano. É o caso de algumas sinagogas consideradas mais "liberais", que farão a transmissão online da celebração.

No Brasil, boa parte dessas sinagogas estão localizadas em São Paulo e a expectativa é que mais de 25 mil pessoas acompanhem a cerimônia.