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22/11/2017

Giro pelo Mundo

Chefe da ONU pede que Mianmar suspenda operações contra minoria muçulmana rohingya

Rohingyas são tratados como estrangeiros em Mianmar, país onde mais de 90% da população é budista, e são considerados apátridas apesar da presença de algumas famílias há várias gerações no país

Fonte: G1 | 13/09/2017 - 16:00
Chefe da ONU pede que Mianmar suspenda operações contra minoria muçulmana rohingya

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu nesta quarta-feira (13) que Mianmar suspenda suas operações militares contra a minoria rohingya, que já provocaram a fuga de 400 mil para o Bangladesh.

"Faço um apelo às autoridades de Mianmar para que suspendam as atividades militares e a violência, e que respeitem a lei", declarou Guterres, durante uma coletiva de imprensa.

Quando perguntado por um jornalista se a atual crise seria uma limpeza étnica, Guterres respondeu: "quando um terço da população rohingya deve fugir do país, vocês acham que podem encontrar uma palavra melhor para descrever a situação?!"

Na segunda-feira (11), o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, já havia afirmado que o tratamento que Mianmar reserva aos rohingyas se assemelha a um "exemplo de livro de limpeza étnica".

Diante das declarações de Hussein, a líder birmanesa Aung San Suu Kyi cancelou nesta quarta sua participação na Assembleia Geral das Nações Unidas no fim de setembro.

A ex-dissidente e prêmio Nobel da Paz está sendo duramente criticada pela comunidade internacional por seu silêncio sobre a situação desta minoria muçulmana, que foge de forma desesperada de Mianmar.

Os rohingyas são tratados como estrangeiros em Mianmar, país onde mais de 90% da população é budista, e são considerados apátridas apesar da presença de algumas famílias há várias gerações no país.

Fuga de Mianmar

Os refugiados chegam a Bangladesh esgotados, desamparados, após dias de caminhada sob a chuva. As autoridades locais e as organizações internacionais não conseguem administrar o grande fluxo.

No rio Naf, fronteira natural entre os dois países, as autoridades de Bangladesh encontraram sete corpos nesta quarta-feira (13), incluindo de crianças. Algumas vítimas tinham marcas de tiros. Desde o início da violência, quase 100 pessoas morreram afogadas no rio.

Apesar das críticas internacionais, Aung San Suu Kyi mantém o apoio ao exército em sua operação contra os "terroristas".

No ano passado, Suu Kyi prometeu na tribuna da ONU respaldar os direitos da minoria muçulmana e afirmou que era "contrária com firmeza aos preconceitos e à intolerância", promovendo os direitos humanos. Pediu à "comunidade internacional que se mostrasse compreensiva e construtiva" na questão.

"Suu Kyi nos prometeu a paz, mas nunca teremos paz. Somos perseguidos e continuaremos sendo, sem parar", lamentou um refugiado rohingya que vive há 25 anos em Bangladesh.