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Geração JC

A solidão da espera

Revista Geração JC, edição 112

30/05/2016 - 00:00

Solteiro sim, sozinho, nunca!”. Certamente muitos de nós já ouvimos essa expressão, as vezes usada por aqueles que não dispensam uma aventura amorosa, aparentando a sensação de estar sempre bem acompanhado e feliz podendo causar certa inveja para os que fizeram escolhas diferentes e se sentem sozinhos e até decepcionados em alguns momentos. O ato de esperar sempre exige muita perseverança e determinação.

Seja a espera de uma oportunidade na vida sentimental, profissional, ou espiritual, é preciso ter profunda convicção de princípios para não ceder à tentação de tomar alguns “atalhos” na vida. É difícil agir com ética, nobreza de caráter e de acordo com valores cristãos em meio a uma multidão de pessoas que estão sempre “tirando vantagem” das situações, quebrando regras e agindo “de acordo com seu coração” e aparentemente são mais bem sucedidos que nós.A decepção é inevitável à medida  que percebemos o passar do tempo, levando consigo oportunidadestão esperadas, deixando uma sensação de vazio e de que estamos perdendo o “melhor da vida”. Um exemplo claro disso é a situação de muitos jovens que precisam suportar as pressões ao seu redor, seja pelos familiares ou amigos, a respeito da sua vida sentimental.

Desde cedo, eles aprendem que precisam ser muito fortes para ousar viver de modo diferente em uma sociedade totalmente corrompida  como a nossa. São alvo de piadas irritantes e incômodas devido ao fato de terem decidido não seguir o padrão da maioria, aguardando a pessoa certa para se relacionarem e construírem uma família. Muitas vezes se questionam se vale mesmo a pena renunciar a tantas sensações, à medida que até mesmo seus pares as vivenciam e não aparentam sofrer dano algum, ao mesmo tempo em que seu momento parece demorar demais. Por isso, alguns terminam por mergulhar na primeira oportunidade que surge para fugir da solidão, arrependendo-se posteriormente. 

De fato, quem espera nem sempre alcança e às vezes se cansa. Não se pode fugir dessa verdade! Nem todos os sonhos e projetos se realizam, não podemos controlar tudo. Perdemos ao invés de ganhar, mesmo quando acreditamos merecer a vitória. Vivenciamos decepções em nossos relacionamentos com pessoas que acreditávamos ser nossa alma gêmea. Choramos sozinhos sentindo falta de alguém que nem conhecemos. Contudo, através das perdas aprendemos lições importantes, tão bem expostas por Yla Fernandes:

Nem todos os dias terão sol,
Nem todas as rosas terão perfume.
Nem todas as pessoas serão amáveis.
Nem todas as respostas serão “sim”.
Nem todas as lutas serão vencidas.
Eu sei que as vezes não será fácil,
Nem tudo será como eu quero e espero,
Mas será como Deus quer,
E tenho certeza de que o querer de Deus
é o melhor pra mim.
Isso é Deus me ensinando a viver.

Conforme a autora ressalta, algumas circunstâncias difíceis são meios usados por Deus para nos ensinar importantes lições. E se nosso coração estiver disposto a aprender, elas resultarão em crescimento pessoal. Com o passar do tempo, percebemos que algumas perdas (relacionamentos, ideias, empregos, projetos) foram na verdade livramentos de Deus e sem elas nossa vida tornou-se muito melhor. Infelizmente a visão triunfalista bastante difundida em nosso meio nos faz acreditar que obrigatoriamente vamos vencer sempre e que há algo errado em nossa vida se ela não está de acordo com tais ensinamentos. Contudo, sabemos que os fundamentos da vida cristã não são esses e que se nos reportarmos à Mangedoura, ao Calvário e ao Cenáculo, perceberemos claramente que o amor, a renuncia, a dor, a humildade, a fé, a oração e a comunhão são pilares da vida cristã autêntica. É necessário sempre nos repensarmos sobre essas verdades nos momentos de espera, pois isso fortalecerá nossa identidade, nos ajudará a lembrar quem somos em Cristo, de onde viemos e para onde almejamos ir com Ele. 

Embora nem sempre recebemos as boas recompensas que acreditamos merecer, devido à nossa espera, as promessas espirituais e a vida em plenitude com o Espírito Santo superabundam qualquer benção terrena. Basta analisarmos as motivações dos cristãos primitivos, muitos desprovidos até mesmo do que consideramos básico para viver, ou dos nosso irmãos na Coréia do Norte, no Afeganistão e em muitos países da África e de outros continentes, os quais renunciam diariamente a convivência familiar, empregos e até mesmo a liberdade por amor a Cristo. Para esses, as palavras de Paulo tem um sentido extremamente real e reconfortante: “Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo.Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo para ganhar a Cristo” (Fp 3,7-8).Refugo: escória, esterco, algo sem valor. Desse modo, ainda que a espera seja longa, se a motivação for o amor a Cristo e aos seus ensinamentos, certamente valerá a pena. E enquanto aguardamos as bênçãos de Deus, poderemos investir nossos dons, talentos e bens materiais para a expansão do seu Reino e no auxílio do próximo, o que ajudará a vencer a solidão e nos encherá de paz em todas as circustâncias. 

 Revista GeraçãoJC, Ano XVII - nº 112 - Maio/Junho 2016.

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