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William Douglas

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Casos de sucessos (e fracassos) na Bíblia - 4ª Parte

Ter, 01/11/2011 por William Douglas

Um dos aspectos que mais farão diferença na jornada profissional de uma pessoa é a sua capacidade de liderar. Ou, pelo menos, sua capacidade de ser liderada. “Lidere, siga ou saia do caminho”, já dizia Ted Turner. A capacidade de liderança é uma qualidade rara e extremamente desejada por todas as empresas e a parábola do filho pródigo (Lucas 15.11,32) tem muito a ensinar sobre ela.

A primeira coisa a observar é que saber liderar, motivar e levar as pessoas a segui-lo não é o suficiente quando, embora você saiba convencê-las, não sabe para onde deverá levá-las. Hitler era um líder convincente, assim como Jim Jones1. Liderança não significa apenas ser seguido, mas sim levar as pessoas a um lugar melhor. Liderança é, antes de tudo, a capacidade de servir, mais do que a de inspirar e comandar.

O filho mais novo da parábola não podia liderar bem pelas seguintes razões:
1º porque não sabia administrar;
2º porque era egoísta.

O patrão que o filho pródigo teve na terra distante também não se mostrou um bom líder, já que não se preocupava com seus liderados ou com sua adaptação ao mercado.

O irmão mais velho também não tinha capacidade de liderar, pois nunca mostrou nenhuma dedicação pelo irmão mais novo, função que lhe cabia, já que era o primogênito e o herdeiro principal de seu pai. Ao invés de ajudar e orientar o irmão, ou, ao menos, de se alegrar com seu retorno, era invejoso, agressivo e colocava os seus interesses pessoais e financeiros acima do bem-estar da família. Um mau líder, com certeza.

Por fim, e felizmente, a parábola mostrou um exemplo de liderança, modelo este consubstanciado pelo pai. Ele:
•    Mostrava um genuíno interesse pelas pessoas.
•    Não se ofendia facilmente (nem com o filho mais novo nem com o primogênito).
•    Não “segurava” as pessoas com ele, deixando-as livres para ir em busca de seus sonhos.
•    Não era apegado ao dinheiro (liberou a “herança” do filho, embora legalmente ainda não fosse devida; usou o melhor bezerro para o churrasco; deixou claro para o primogênito que tudo o que tinha pertencia aos filhos).
•    Era paciente.
•    Sabia perdoar (mais uma vez, o filho mais novo e o mais velho).
•    Não tinha o costume de ficar dando “sermões” nem humilhando os que erravam.
•    Sabia festejar as boas notícias.
•    Sabia ter comportamentos diferentes de acordo com o liderado (o filho mais novo, aguardou na varanda; o filho mais velho, do lado de fora da festa). Sabia que relacionamentos humanos não são resolvidos com fórmulas prontas ou “receitas de bolo”. Ou, quando menos, que não existe apenas uma “receita”.
•    Não era egoísta.
•    Preocupava-se mais com as pessoas do que com as coisas.

Sem dúvida, o pai era um grande líder. Conseguiu reaver seu filho mais novo e levá-lo de volta para casa. Sim, pois o caçula o conhecia, e, se voltou, era porque tinha guardado na mente (vez que o pai isso semeara) a imagem de um homem justo, mas amoroso e paciente, alguém que talvez lhe desse um emprego.

A história não conta se o filho mais velho aceitou o convite do pai para participar da festa, para comemorar a volta do seu irmão e para entender que tudo o que era do pai era dele também. Essa parte da história Jesus deixou por nossa conta.

Na verdade, por melhor que um líder possa ser, nem sempre conseguirá ajudar ou motivar todos os seus liderados. Isso só confirma que existe uma parcela das decisões que pertence única e exclusivamente a cada pessoa. Alguém pode ser muito bem liderado e ser ruim, ou ser mau liderado e ser bom. Não existe uma regra.

O que podemos saber é que temos o poder de escolher quem seremos, e como reagiremos ao que acontece ao nosso redor. 
Torcemos para que você aprenda a ser um bom líder como o foi o pai da parábola contada por Jesus Cristo.

 


NOTA:
1
  Jim Jones foi fundador e líder de uma seita, a Igreja Templo dos Povos (Peoples Temple), e comandou o suicídio em massa da comunidade de Jonestown, na Guiana, em 18/11/1978, o que resultou em 918 mortes, incluindo mulheres e crianças, a maioria por envenenamento.

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Perfil

William Douglas é juiz federal titular da 4ª Vara Federal de Niterói (RJ), professor universitário, mestre em Direito, pós-graduado em Políticas Públicas e Governo; conferencista secular e evangélico, e colunista da revista “GeraçãoJC” (CPAD), assinando a coluna “Mercado de Trabalho”; autor do best-seller “Como passar em provas e concursos”, com mais de 175 mil exemplares vendidos, e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Foi um dos preletores do Encontro GeraçãoJC, ministrando sobre o tema “Sucesso Pessoal e Profissional através da Bíblia” (em DVD, pela CPAD).

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