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William Douglas

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Casos de sucessos (e fracassos) na Bíblia - 3ª Parte

Ter, 25/10/2011 por William Douglas

Se você ainda não leu a parábola do filho pródigo (Lucas 15.11, 32), aproveite para fazê-lo agora. Se já leu, contudo, releia. Refresque sua memória do texto e vamos a seus ensinamentos.

As pregações sobre este texto geralmente criticam bastante o filho pródigo, mas esquecem das suas qualidades empresariais. O rapaz, apesar de todos os seus erros, possuía algumas características úteis para vencer na vida.1

A insatisfação do rapaz é uma característica muito comum na humanidade. A maior parte das pessoas reclama da vida. Umas se acomodam, outras tomam alguma atitude. E o filho pródigo era do grupo que não se acomodava. Ponto para ele.

Claro que ele tomou as decisões erradas, ofendeu o pai, desperdiçou sua fortuna, mas repare que ele – diante da insatisfação que o incomodava – resolveu agir. Ele era um empreendedor. E são os empreendedores que alteram o mundo.

Vendo-se insatisfeito na casa do pai, traçou um plano e foi executá-lo. Ao pedir sua herança, bem ou mal ele saiu de sua casa e foi à luta. Ele deu sorte de seu pai não o deserdar após a ofensa, e conseguiu o “financiamento” para seu empreendimento pessoal. Em geral, os empreendedores conseguem dar sorte. Nem sempre, mas acontece com frequência.

Quando, no país distante, tudo deu errado, ele não se matou, nem entrou em depressão; foi trabalhar para, ao menos, poder comer, o que não deixa de ser algo digno de mérito. Mais que isso: quando estava no meio dos porcos, com fome, infeliz, derrotado e certamente remoendo todos os erros que cometeu, mais uma vez ele não se entregou, não se suicidou, não entrou em depressão. Novamente, ele traçou um plano e o executou.

Repare que sua disposição de enfrentar a insatisfação, de ir à luta, de tentar se realizar, tudo isso – apesar dos erros – fez com que ele aprendesse, evoluísse e, apesar de ter parado em um chiqueiro, descobriu que “era feliz e não sabia”. Então, novamente e sem desistir, ele – agora mais maduro e admitindo que errou com seu pai – resolve aceitar humildemente uma posição subalterna, mas, ainda assim, melhor do que onde estava.

Muitos ficariam o resto da vida se lamentando, desistiriam, ou não aceitariam pedir uma vaga de emprego na fazenda do pai por conta do orgulho, mas não aquele moço. Ele foi à luta outra vez.

E, como dissemos, quem vai à luta experimenta acontecimentos bons e ruins, reveses e sorte. No caso, o filho pródigo deu a sorte de ser recebido por seu pai de um jeito que ele jamais imaginara. Sequer um “sermão” ele teve de ouvir! Que pai era aquele? Um pai maravilhoso,2 sem dúvida. Ficamos imaginando quantas pessoas não teriam sucesso, não conseguiriam algo bom, se tivessem tido a coragem de experimentar, de arriscar.

Aprenda com os erros do filho pródigo, mas também aprenda com seus acertos. Seu empreendedorismo e coragem de arriscar e tentar, de fazer planos e ir realizá-los, fizeram com que ele evoluísse como pessoa e viesse, ao fim de sua longa jornada de erros e acertos, de aprendizado e esforço em busca da felicidade, encontrar-se exatamente no lugar de onde saiu, mas desta vez sabendo o valor do que tinha e usufruindo de suas habilidades para construir seu futuro de forma mais consciente.

 


NOTAS
1
Além de não ver as qualidades do filho pródigo, em geral as pregações sobre o tema também esquecem que Jesus contou essa parábola para se referir ao filho mais velho, e não ao caçula, e que esta parábola é uma continuação de duas outras, que foram contadas no início do capítulo 15 do Evangelho de Lucas. Caso queira entender melhor os textos, veja os dois livros sobre esta palavra, recomendados no capítulo anterior desse livro.

2 Esse modelo de pai, conforme apresenta Jesus, é uma referência ao amor do Pai celestial e um referencial para qualquer pai terreno. Mas, não vamos aprofundar esse assunto para não sair do nosso foco de estudo.

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Perfil

William Douglas é juiz federal titular da 4ª Vara Federal de Niterói (RJ), professor universitário, mestre em Direito, pós-graduado em Políticas Públicas e Governo; conferencista secular e evangélico, e colunista da revista “GeraçãoJC” (CPAD), assinando a coluna “Mercado de Trabalho”; autor do best-seller “Como passar em provas e concursos”, com mais de 175 mil exemplares vendidos, e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Foi um dos preletores do Encontro GeraçãoJC, ministrando sobre o tema “Sucesso Pessoal e Profissional através da Bíblia” (em DVD, pela CPAD).

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