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Valmir Nascimento

Valmir Nascimento

Ministério com foco em resultados

Dom, 31/07/2016 por Valmir Nascimento

Os perigos do pragmatismo no meio eclesiástico

Foco em resultados é um dos principais lemas das organizações na atualidade. Seja no meio empresarial, governamental e até mesmo na sociedade civil organizada a gestão por resultados direciona a estratégia e a forma de agir da grande maioria das instituições hodiernamente. Isso ocorre porque o pragmatismo é uma das principais características do tempo presente (pós-moderno), cuja lógica é aplicada em vários setores da sociedade, tais como educação, economia, políticas públicas, legislação e até mesmo em decisões judiciais. Como escreveu John Stott: “No mundo moderno multiplicaram-se os pragmáticos, para os quais a primeira pergunta acerca de qualquer ideia não é: “É verdade?”, mas sim: “Será que funciona?”[1]. Assim, a praticidade e a utilidade norteiam em grande medida a vida e a decisão das pessoas.

A palavra pragmatismo deriva do grego pragma, que significa feito, obra, realização, negócio ou coisa. Na filosofia o pragmatismo é uma linha de pensamento caracterizada pela ênfase dada às consequências - utilidade e sentido prático - como componentes vitais da verdade. Dentre os principais expositores dessa corrente podem ser citados Charles Sanders Peirce, William James e John Dewey.

A praticidade e o direcionamento pelos resultados não representam, aparentemente, nocividade à fé e práticas cristãs. Afinal, em muitos aspectos de nossas vidas agir com praticidade é algo essencial.  No casamento, na educação e na atuação profissional, por exemplo, precisamos de eficiência, sem a necessidade de maiores reflexões e considerações teóricas. O princípio da eficiência, entendido como o emprego dos meios necessários para se atingir determinado fim, é importante no desempenho de muitas de nossas atividades vitais, inclusive no ambiente eclesiástico, sob pena de nos tornamos burocráticos e ultrapassados.

Contudo, quando a simples praticidade dá lugar ao pensamento pragmático, direcionando por completo a pregação e a metodologia de trabalho da igreja, empurrando para a periferia uma série de princípios fundamentais e elegendo, como único fator relevante os resultados[2], sem considerar os aspectos teológicos, morais, sociais e psicológicos que cercam o ato, então o testemunho cristão e a conduta do ministério são colocados em risco.

Seduzidos pela Teologia pragmática

Nesse contexto, algumas igrejas cristãs também acabam adotando um modelo ministerial pragmático dirigido pelos resultados. Em A Sedução das Novas Teologias Silas Daniel descreve a forma como vários princípios da pós-modernidade estão invadindo as igrejas e afetando a teologia. Ao elencar uma série de vertentes teológicas criadas com o propósito de atender as demandas do nosso tempo ele afirma: “Entorpecidos por essas falsas necessidades que nos são impostas, muitos cristãos no Ocidente estão flexibilizando sua fé, mudando sua mentalidade em relação à Bíblia, à Igreja e a Deus, e isso, infelizmente, já está acontecendo também no Brasil. Esses cristãos, cujo número cresce cada vez mais, são os seguidores do que denominamos teologias pós-modernas, que nada mais são do que tentativas de adaptar o evangelho a essas ditas “demandas”, ou seja, aos princípios da pós-modernidade”.[3]

Nesse sentido, uma das demandas da geração atual encontra-se na busca do homem por algo espiritual que funcione e lhe traga benefícios imediatos. O anseio religioso vigente funda-se na ideia de que para ser válida uma crença precisa ser prática e útil a fim de atender as expectativas das pessoas. No livro “O Deus de Barack Obama” Stephen Mansfield explica o atual panorama da religiosidade nos Estados Unidos nos seguintes termos: “Com relação à religião, a maioria dos jovens dos Estados Unidos tem uma postura pós-moderna, o que significa dizer que eles encaram a fé de um modo parecido ao jazz: informal, eclético e, muitas vezes, sem um tema específico. Basicamente, costumam rejeitar uma religião organizada, privilegiando uma mescla religiosa que funcione para eles. Para esses jovens, não há nada de mais em construir a própria fé juntando tradições de religiões totalmente diferentes, e muitos formam sua teologia da mesma maneira como pegam um resfriado: por meio de contatos casuais com estranhos”.

Recordo ainda que recentemente o instituto de pesquisas Barna Group, ao avaliar o resultado de vários estudos realizados no ano de 2010 nos Estados Unidos, concluiu que o pragmatismo religioso era uma das principais tendências do cristianismo contemporâneo. O instituto apontou que as pessoas estão menos interessadas em princípios espirituais e desejosos de aprender mais soluções pragmáticas para a vida. A fé é importante para eles, mas é preciso primeiro um conjunto de realizações de vida, que envolvem conforto, estilo de vida, sucesso e realizações pessoais. Essas dimensões têm aumentado à custa do investimento em fé e família.

Curvando-se, pois, a este tipo de demanda, líderes e ministérios ultrapassaram os limites da contextualização bíblica e sadia do evangelho e acabaram por conduzir a dinâmica ministerial sob a completa influência do pragmatismo teológico, direcionada para os resultados e para a felicidade imediata. A adoção da teologia pragmática pode ser percebida tanto no discurso, onde o evangelho é enfatizado pelos seus benefícios, quanto na metodologia do trabalho eclesiástico, na adoção de práticas focadas em números e resultados.

Quando o pragmatismo dita a forma como o ministério cristão deve ser conduzido, tanto a missio dei como o testemunho cristão perante a sociedade são colocados em risco, por uma série de fatores.

O perigo do ateísmo religioso

Em primeiro lugar a adoção da teologia pragmática é perigosa porque, essencialmente, ela está assentada em fundamentos naturalistas e materialistas. Nancy Pearcey observou muito bem que os idealizadores do pragmatismo pretendiam basicamente expandir o naturalismo darwinista para compor uma visão de mundo completa que rivalizasse com a religião tradicional[4], aplicando-a a todas as áreas da sociedade. A suposição subjacente desta abordagem, afirma Pearcey, é o naturalismo filosófico. “Uma abordagem naturalista da ética não reconhece nenhum padrão transcendente, de forma que o único padrão viável é o quer que seja que o indivíduo valorize”[5]. Assim, quando a religião cristã é conduzida pela lógica utilitarista e pelos resultados, puramente, em detrimento da soberana vontade divina e dos princípios bíblicos, está a serviço de uma cosmovisão que exclui Deus do processo.

A liderança que conduz as atividades eclesiásticas estritamente com foco em resultados, através de uma mentalidade secularizada e que leva as estratégicas operacionais ao extremo, na busca pelas cifras e números, faz revelar uma espécie de descrença tão característica de nossos dias. Não de descrença na religião (e nas igrejas), que floresce cada dia mais e ressurge inclusive na esfera pública; mas a descrença no Deus das Escrituras: pessoal, soberano e que se interessa pelo ser humano.  Uma descrença prática que, a despeito de ser afirmar crer em Deus, não acredita que ele seja capaz de “manifestar o seu braço”, intervir na história, efetuar milagres e direcionar a comunidade cristã nas mínimas coisas.

Consequentemente, aqueles que aceitam essa teologia pragmática e se enveredam pela descrença religiosa adotam técnicas e metodologias de administração eclesiástica importadas do mundo secular. E então a obra do Senhor é feita com base em diretrizes que desconsideram o elemento espiritual, a oração e a capacitação do Espírito Santo, resumindo-se a planos pré-formatados e modelos de crescimento.

O perigo de transformar o organismo vivo em mera organização religiosa

A mentalidade pragmática aplicada ao meio cristão também faz com que a igreja seja considerada como uma mera organização religiosa, e não como um organismo vivo (1 Co 12.12). Certamente, assim como a praticidade, a organização faz parte da vida e da realidade eclesial. Foi A. W. Tozer quem disse que “o homem que se opuser a toda organização na igreja ignora completamente os fatos da vida. A arte é a beleza organizada; a música é o som organizado; a filosofia, o pensamento organizado; a ciência, o conhecimento organizado; o governo não passa de sociedade organizada”, e assim, também, a igreja se expressa por meio do ministério organizado[6].

No entanto, o problema reside tanto na desconsideração do caráter organizacional da igreja, resultando em desordem, quanto no seu descontrole, ocasionando apego às regras (e às técnicas) e frieza espiritual. Segundo Tozer: “É doloroso ver um grupo de cristãos felizes, nascidos com simplicidade e unidos pelos laços do amor celestial, perderem gradualmente seu caráter simples, começando a controlar cada movimento do Espírito e morrendo de dentro para fora”[7]. O perigo é a superorganização que reduz a igreja a um empreendimento humano e o pastor a um mero gerente eclesiástico.

Para comprovar, uma matéria publicada pela BBC Brasil realça esta realidade. Com o título “Crescimento evangélico estimula mercado que une consumo e religião” a matéria registrou: “É um grupo cada vez mais numeroso e com sede de prosperar e consumir. O crescimento dos evangélicos no Brasil, em especial no ramo pentecostal, provocou mais do que mudanças religiosas: fortaleceu um mercado econômico, que chama a atenção tanto de igrejas como da iniciativa privada. De seu lado, as igrejas criaram estratégias de negócios. E diversas montaram grupos e reuniões em que estimulam os fiéis a abrir negócios próprios e sanar suas finanças, com base na Teologia da Prosperidade - movimento que prega o bem-estar material do homem” [8].

O perigo de compreender o evangelho como produto e não como dádiva

Em terceiro lugar o ministério com foco em resultados é perigoso porque converte o Evangelho de Cristo em produto barato. Falando a partir de uma perspectiva secular há muito tempo Peter Berger identificou que com o crescimento da competição religiosa as instituições religiosas tornaram-se agências de mercado e as tradições de fé em comodidades de consumo, passando a ser dominada pela lógica da economia de mercado[9]. Na verdade, foram dominados pela lógica do mercado apenas aqueles que assumiram uma visão utilitarista da fé, passando a ser regidas pelo princípio básico da lei de consumo: obter as maiores recompensas por meio dos menores custos. Diante desse contexto, para se sobressair, alguns ministérios cristãos passaram a oferecer duas coisas: Benefícios terrenos e baixo custo aos fiéis. E o resultado, infelizmente, foi a apresentação do evangelho não como uma dádiva, obra da graça de Cristo, e sim como um produto de mercado.

Assim, o modus operandi dos ministérios com foco em resultados passa a ser a ênfase excessiva em campanhas, símbolos e marketing religioso, com o único fim de conquistar mais consumidores da religião. Esse evangelho de benefícios leva muitos a uma peregrinação de igreja em igreja, em busca daquela que lhe ofereça mais vantagens espirituais, gerando uma falsa expectativa espiritual em nome de promessas religiosas e um enorme trânsito religioso. Segundo Paulo Romeiro: “Existe hoje no Brasil um contingente significativo de evangélicos, principalmente nos grandes centros urbanos, que estão sempre circulando de igreja em igreja. Não criam raízes, não conseguem cultivar relacionamentos e são avessos aos compromissos que normalmente surgem dos relacionamentos entre o fiel e a igreja: frequentar os cultos, contribuir sistematicamente com a igreja local e participar de suas atividades. A preferência de muitos é visitar grandes igrejas e diluir-se na multidão. Ali, a pessoa entra e sai sem ser notada ou cobrada. A este fenômeno, já constatado pelos pesquisadores, os sociólogos denominam “trânsito religioso”.[10] Quanto mais os cristãos transitam, mas se decepcionam, diz Paulo Romeiro. Quanto mais se decepcionam, mais transitam. Assim, uma ação alimenta a outra. Acontece, então, que após tempos e tempos de falsas promessas humanas e benefícios não efetivados, pessoas há que desanimam da fé, da igreja e até mesmo de Deus; atribuindo a Ele o fracasso de suas vidas por não terem recebido a prosperidade que esperavam e que haviam prometido.

O perigo de preparar o cristão somente para o ganho e não para a perda

Os perigos do pragmatismo teológico também são percebidos na vida do crente que assimila o utilitarismo em sua espiritualidade, gerando cristãos espiritualmente frágeis e teologicamente inconsistentes. O marketing pragmático prepara o adepto religioso somente para ganhar, mas não para perder. Esse é um problema sério. Cristãos gerados segundo esse paradigma mantém a fé inabalável somente até a primeira adversidade em suas vidas. A Bíblia deixa evidente a importância de os discípulos de Cristo estarem preparados para a perda. Paulo revela essa verdade ao escrever: Mas o que era para mim era ganho reputei-o perda por Cristo; e, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo” (Fp. 3.7,8). Assim como o soldado não deseja a guerra, o cristão não deseja a perda. Por outro lado, da mesma forma como ele se prepara continuamente para a batalha, assim devemos nos preparar para os momentos de dificuldade. Nancy Pearcey afirma que “quer o sofrimento seja físico, quer seja psicológico, o método que Deus usa para vermos em que estamos fundamentando nossas vidas é a perda. Quando perdemos a saúde, ou a família, ou o trabalho, ou a reputação, e a vida desmorona e nos sentimos perdidos e vazios, é quando percebemos o quanto nosso senso de propósito e identidade estava de fato ligado a essas coisas. É por isso que temos de estar dispostos a permitir que Ele tire essas coisas de nós. Temos de estar ‘dispostos a morrer’”[11].

O perigo dos fins justificarem os meios na pregação do evangelho

Por fim, o pragmatismo é perigoso na prática ministerial na medida em traz consigo a máxima maquiavélica em que “os fins justificam os meios”. Na ânsia de alcançar o maior número de pessoas a abordagem com foco em resultado preocupa-se demasiadamente com os fins em detrimento dos meios empregados, ainda que muitos desses meios não sejam convencionais ou ortodoxos. O que vale, afirmam, é que as pessoas venham para a igreja, pouco importando a estratégia adotada para convencê-las, extrapolando, assim, os limites bíblicos da contextualização adequada do evangelho.

Silas Daniel expressa que “o princípio da contextualização consiste em aplicar um texto bíblico à nossa realidade, e para isso é preciso pinçar fatos seculares para submetê-los ao escrutínio da Palavra de Deus”[12], razão pela qual encontramos exemplos dessa prática na vida dos discípulos no Novo Testamento, de Paulo e até mesmo de Jesus. Com efeito, “Jesus costumava usar o cotidiano para introduzir um princípio divino. Foi assim com as parábolas, quando, por exemplo, usou a semente e o solo para falar do efeito da mensagem divina no coração humano”[13]. Por outro lado, Silas Daniel adverte quanto ao perigo da contextualização realizada nos moldes da teologia liberal, os quais “vêem na contextualização uma oportunidade extraordinária de introduzir na consciência evangélica seus princípios mais sutis e igualmente destruidores. É por isso que é grande a incidência de princípios liberais em mensagens contextualizadas”[14]. Para evitar isso, ele destaca que existem pelos menos três pontos que não podem ser ignorados se queremos fazer uma contextualização sadia: I) nunca as mutações do mundo devem mudar nossa percepção dos princípios bíblicos; II) a necessidade óbvia de se fazer uma interpretação correta do texto sagrado e; III) para uma contextualização sadia é necessária uma aplicação coerente da mensagem bíblica à nossa realidade.

Resgatando o Ministério com foco em Jesus

Portanto, embora a praticidade e a busca por bons resultados no ministério cristão tenham sua validade, especialmente quando direcionadas pelas Escrituras Sagradas, a adoção de estratégias, metodologia de trabalho e pregação de evangelho com base no pragmatismo representa sérios perigos à pratica e ao testemunho cristão, ao jogar por terra princípios bíblicos, éticos e morais em nome da busca cega por resultados quantitativos.    

Com efeito, o ministério verdadeiramente cristão não se conduz com foco em resultados, mas com foco em Cristo. A atuação ministerial tem como ponto de partida a supremacia de Cristo sobre qualquer outra pessoa ou ícone religioso. Jesus não é mais um no grande panteão de deuses criados pelo homem. Ele é o Filho Unigênito de Deus (Jo 3.16), o primogênito de toda Criação (Cl 1.15), o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14.6), o [único] Mediador entre Deus e o homem (1Tm 2.5). Logo, uma forma bem simples e ao mesmo tempo desafiadora para assimilar e viver a dimensão integral da fé cristã, aplicando-a ao ministério cristão, é pensar como Jesus.

Em outras palavras, o ministério cristão não é dirigido pela mentalidade pragmática, em sim pela Mente de Cristo. O apóstolo Paulo expressou isso da seguinte forma: Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo (1Co 2.16). Ter a mente de Cristo, portanto, implica em pensar como ele e aplicar as verdades bíblicas em tudo o que fazemos. Ter a mente de Cristo envolve refletir, compreender, sentir, julgar e decidir de acordo com a vontade de Deus.

Em síntese, pensar com a mente de Cristo envolve três aspectos básicos: visão, reflexão e decisão nos moldes de Jesus. Todos esses componentes, juntos, formam uma cosmovisão adequada e biblicamente relevante que deve fundamentar tanto a teoria quanto a vivência ministerial.

Na prática, um ministério com foco em Jesus assimila seu exemplo de vida e ensinamentos tais quais encontrados nas páginas dos Evangelhos, aplicando-os no cotidiano eclesiástico. Nas narrativas bíblicas percebemos que o ministério de Jesus tinha como ponto de partida não o interesse ou o desejo das pessoas, mas a vontade de Deus. Em outras palavras, o ministério de Jesus tinha como foco a vontade divina. A vontade do Pai dava o direcionamento de sua prática ministerial, e por isso ele passava tempos a sós com Deus, em busca de solidão e para ouvir a voz do Pai celestial. Ele foi categórico ao dizer: “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou” (Jo 5.3).

Em segundo lugar o ministério de Jesus tinha como foco as pessoas. Enquanto o ministério pragmático se preocupa com números, Jesus se preocupa com almas. No ministério verdadeiramente cristão crentes não são consumidores, são ovelhas. Afinal, Cristo valorizava cada pessoa individualmente não pelo seu status social, posição eclesiástica ou por algum benefício que pudesse receber, mas pelo seu valor intrínseco. Suas vidas faziam sentido e tinham significado, não em virtude de algo que tenham feito, mas em razão de trazerem consigo o desígnio de Deus sobre suas vidas. Percebemos isso ao ver o Mestre se aproximando dos marginais, pecadores e publicanos, a fim de tocar e transformar suas vidas. Essa é a razão pela qual ela afirma o segundo mandamento: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22.39).

Por fim, em terceiro lugar, o ministério com foco Jesus não é conduzido pela força do braço ou na inteligência humana, ou ainda com as esperanças depositadas nas estratégias de marketing e de crescimento corporativo. Diferentemente, o foco é o poder de Deus e o agir do Espírito Santo. Jesus exortou os seus discípulos dizendo: “Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus” (Mt 22.29). Todo ministério de Jesus foi permeado pela ação do Espírito Santo (Mt 12.18; Lc 4.14), para curar e anunciar o Evangelho. E este mesmo Espírito, o Consolador, foi enviado para consolar e capacitar a igreja em seu ministério (Jo 14.26; 16.7), para que façamos a obra através da sua capacitação.

Valmir Nascimento Milomem Santos

Artigo publicado na Revista Obreiro Aprovado n. 73.

 

Referência Bibliográficas

 



[1] STOTT, John. Crer é também pensar: São Paulo: ABU Editora, 2001, p.07.

[2] HORTON, Michael. Pragmatismo Religioso. Internet: Disponível em: http://www.oguiagospel.com.br/pragmatismo-religioso-michael-horton/. Acesso em fev/2016.

[3] DANIEL, Silas, A Sedução das Novas Teologias. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, p. 27.

[4] PEARCEY, Nancy. Verdade Absoluta: libertando o cristianismo do cativeiro cultural. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 254.

[5] PEARCEY, 2006, p. 267.

[6] TOZER, A.W. O melhor de A. W. Tozer. São Paulo: Mundo Cristão. 1997, p. 59.

[7] Idem.

[8] Crescimento evangélico estimula mercado que une consumo e religião. Disponível em http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/09/110825_religiao_evangelicals_pai.shtml. Acesso em Acesso em fev/2016.

[9] BERGER, Peter Ludwig. O dossel sagrado. São Paulo: Ed. Paulinas, 1985, p. 149.

[10] ROMEIRO, Paulo: Decepcionados com a graça: esperanças e frustrações no Brasil neopentecostal – São Paulo: Mundo Cristão, 2005, p.160.

[11] PEARCEY, 2006, p. 402.

[12] DANIEL, 2008, p. 96.

[13] DANIEL, 2008, p. 98

[14] DANIEL, 2008, p. 99.

 

2 comentários

Sérgio Luís

Irmão Valmir, a paz do Senhor. O pragmatismo tem sido, de fato, exaustivamente usado nos púlpitos de nossas igrejas. A relação custo/benefício, é amplamente difundida por pregadores que enfatizam o que o evangelho pode fazer por você, sem mencionar o que você pode fazer pelo evangelho.

Daniel Fich

Muito bom o artigo. Igreja não é empresa, pastor não é gerente, fiéis não são clientes e fé não é produto. Elucidativo!

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Perfil

Valmir Nascimento é ministro do evangelho, jurista, teólogo e mestrando em teologia. Possui pós-graduação em Direito e antropologia da religião. Professor universitário de Direito religioso, Ética e Teologia. Editor da Revista acadêmica Enfoque Teológico (FEICS). Membro e Diretor de Assuntos Acadêmicos da Associação Nacional de Juristas Evangélicos (Anajure). Analista Jurídico da Justiça Eleitoral. Escritor e palestrante. Comentarista de Lições Bíblicas de Jovens da CPAD (Jesus e o seu Tempo). Evangelista da Assembleia de Deus em Cuiabá/MT.

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