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Pr. Silas Daniel

Pr. Silas Daniel

O que está realmente acontecendo em Cuba

Qui, 15/07/2021 por

A maior revolta da população em Cuba em décadas desde a instalação da ditadura castrista há 62 anos tem sido tratada de forma vergonhosa por grande parte da mídia mainstream. Já vi matérias dizendo, por exemplo, que a revolta se dá porque o ditador de plantão, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, não é tão “carismático” para a população como supostamente os irmãos Castro eram (sic) (AQUI). O quê? Quer dizer que o povo em Cuba não se sublevava contra a ditadura porque achava os irmãos Castro simpáticos? É isso mesmo? O que dizer dos mais de 100 mil mortos pela ditadura cubana (foram 17 mil por fuzilamento, 7 mil mortos na cadeia e dezenas de milhares mortos enquanto tentavam fugir da ilha, a maioria esmagadora afogados, inclusive muitas crianças)? E dos mais de 100 mil presos políticos que passaram pelas cadeias na ilha de 1959 até hoje? E das centenas de milhares de cubanos que fugiram desesperados de sua terra (50 mil – então 1% da população – fugiram só nos primeiros dois anos de ditadura), atravessando o oceano em embarcações precárias, colocando em risco suas vidas? Parecem ser números que demonstram eloquentemente o grande “carisma” dos irmãos Castro?
 
Para mais informações, leiam, por exemplo, A América Latina e a Experiência Comunista, de Pascal Fontaine, e O Livro Negro do Comunismo – Crimes, Terror e Repressão (Editora Bertrand Brasil). Cuba é, de longe, a ditadura mais sanguinária da América Latina. Simplesmente, se a ditadura no Brasil matasse e prendesse politicamente na mesma proporção que a ditadura comunista cubana fez, ela teria matado milhões de sua população e prendido politicamente outros milhões. 
 
Enfim, não é que o povo cubano nunca se revoltou. É que todos que tentaram foram mortos e todos os demais que poderiam fazê-lo foram presos, restando aos demais mais audaciosos fugirem do país, com muitos morrendo ao tentar fazê-lo. Simplesmente, é mais fácil controlar com mão de ferro uma pequena ilha com uma população 100% desarmada. Diante desse quadro, a população aceitou resignada o cabresto do regime. Sendo assim, o que aconteceu agora, para finalmente a população se sublevar, com milhares nas ruas em várias cidades gritando “Liberdade!”, “Pátria e vida!”, “Ditadores!”, “Abaixo a ditadura!”, “Não temos medo” e “Chega de mentiras”? (AQUI).
 
O que aconteceu agora é que Cuba sofre uma crise sanitária sem precedentes, com epidemia não só de COVID, mas até mesmo “de sarna e outras doenças infecciosas” (AQUI). A tempo: as tais vacinas cubanas contra a COVID, compradas apenas pelos amiguinhos Irã e Venezuela, “não foram validados por nenhuma agência reguladora, não foram publicados em periódico científico endossado por pares nem receberam a aprovação de qualquer organização de saúde internacional ou regional” (AQUI).
 
E o principal de tudo: está faltando não só remédios, mas alimento. Muita gente da população está morrendo de fome e a ditadura cubana se recusa a receber ajuda internacional (AQUI), assim como a ditadura venezuelana fez anos atrás (AQUI), criminosamente, levando boa parte da sua população a morrer (AQUI), a comer lixo e cachorros (AQUI e AQUI), ou a fugir para os países vizinhos, como o Brasil (AQUI). Aliás, a quantidade de pessoas em situação de pobreza na Venezuela hoje representa simplesmente 96% da população (AQUI). Vou repetir: 96%. E a Argentina caminha a passos largos para o mesmo, com mais de 40% da sua população hoje na mesma situação (AQUI). A título de comparação, o Brasil teria hoje, na pior das hipóteses, 12% da população na pobreza (AQUI), isso após o lockdown que quebrou, só em 2020, cerca de 900 mil empresas no Brasil, 716 mil só de março a julho de 2020 (AQUI).
 
Diante desse quadro, a população cubana, que já vivia sem liberdade, em um regime totalmente opressor, ao se ver agora também morrendo pela doença ou pela fome, foi para o tudo ou nada. Afinal, a lógica é muito simples: se protestar, morre; mas, se não protestar, também morre. O que há, então, a perder? Além disso, a internet, mesmo limitada na ilha, permitiu um compartilhamento maior da revolta e a possibilidade de mobilização, de maneira que a primeira medida tomada pela ditadura após o início dos protestos foi pedir à China, que controla a internet na ilha (Por que não me surpreendo com isso?), restringi-la ainda mais, chegando até mesmo, no pico dos protestos, a cortar toda a internet na ilha. As ligações telefônicas também foram cortadas. Em alguns momentos, até a energia elétrica. E os soldados saíram às ruas. Jornalistas estrangeiros foram presos (AQUI). Há imagens, que não posso compartilhar aqui (mas, se você procurar, encontrará facilmente), de pessoas que protestavam sendo mortas; inclusive, uma delas, em Cárdenas, após se entregar pacificamente, foi executada na sua casa, na frente dos familiares. De revolver o estômago. Segundo entidades de direitos humanos, há mais de 100 pessoas desaparecidas em Cuba desde o início dos protestos. Sumiram. Corrigindo: sumiram com elas.
 
Onde estão os bajuladores de Cuba agora? Em silêncio ou tentando minimizar a atrocidade que ocorre lá, quando não estão defendendo abertamente a ditadura cubana, que mata a sua população (AQUI e AQUI).
 
Há informações de que a família Castro, logo após o início dos protestos, fugiu para a Espanha (AQUI). Isso pode ser um bom sinal. Sinal de que a ditadura pode estar chegando ao seu fim, mas ainda é muito cedo para afirmar.
 
Outra explicação absurda dada por alguns na imprensa para os protestos é a velha desculpa: o embargo dos Estados Unidos a Cuba. Essa é uma ladainha velha, que só engana trouxa hoje em dia. Primeiro, porque o embargo não proíbe país nenhum de comercializar com Cuba – só os EUA não comercializam. Cuba exporta para dezenas de países (China, Espanha, Holanda, Alemanha, Chipre etc) e importa de dezenas de países (Espanha, China, Itália, Canadá, Rússia etc) (AQUI). Segundo, porque o embargo não impede que norte-americanos enviem dinheiro a Cuba, o que é feito todos os anos, com milhões de dólares sendo enviados à ilha. Terceiro, soa engraçado ver um comunista dizendo que o mal do mundo é o livre mercado, para logo em seguida reclamar do embargo econômico dos EUA a Cuba. Ademais, nenhum dos manifestantes nas ruas de Cuba saiu às ruas criticando embargo. O que se ouvia era apenas “Libertad!”, “Abaixo a ditadura!”.
 
Se Cuba é pobre, é apenas por causa de uma coisa: o sistema comunista, que serve apenas para enriquecer seus ditadores às custas do empobrecimento permanente da população. O “santo” Fidel, que quando morreu foi incensado fervorosamente no Brasil (AQUI, AQUI e AQUI), tinha, sozinho, uma fortuna que, até 1997, já era de 1,4 bilhão de dólares (AQUI). Um ditador bilionário em uma ilha com uma população toda jogada na pobreza.
 
“É, lá o povo é pobre, mas pelo menos tem um bom sistema de saúde”. É mesmo? Na verdade, não é bem assim (AQUI, AQUI e AQUI), e piorou nos últimos tempos. Porém, pior ainda é ver jornal brasileiro publicando matéria, pouco tempo atrás, sobre a falta de alimentos em Cuba, dizendo que isso não era de todo ruim, porque a “crise em Cuba pode ter diminuído diabetes e doenças de coração”, já que o peso médio da população caiu 5kg (AQUI). Imagina então na Venezuela, que caiu 11kg em um ano... (AQUI
 
Mas, a explicação mais tragicômica de todas para as manifestações nas ruas de Cuba foi da ditadura venezuelana, que disse que aquelas imagens do povo cubano nas ruas não eram de protesto, mas era do povo cubano festejando a final da Eurocopa (sic!) (AQUI). O que dizer diante de um absurdo desses?
 
Oremos por Cuba. Que Deus tenha misericórdia dos nossos irmãos cubanos.

3 comentários

Davi Ramos

Paz de Deus, oramos pela igreja cubana, venezuela e norte coreana, nações onde o Evangelho é reprimido, mas os Olhos do Senhor de toda a terra estão sobre estas nações também! saudações cristãs!

Escritor Jota

Muito bom. Não esquece que estão fazendo a mesma coisa no Brasil, aos poucos. O poder está sendo tomado bem debaixo de nossos narizes.

Sérgio Luís

A paz do Senhor. Meu amado,ditadores são sempre ditadores. Têm algo em comum; surgem como "salvadores da Pátria", depois colocam suas garras prá fora. É interessante,também destacar que os ditadores,muito naturalmente,se arvoram patriotas,na verdade,mais patriotas que seus patrícios. Me faz lembrar Saul,no seu "zelo por Israel"(apesar dos gibeonitas não serem israelitas)2 Sm.21:1-14. Deus nos abençoe.

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Perfil

Silas Daniel é pastor, jornalista, chefe de Jornalismo da CPAD e escritor. Autor dos livros “Reflexão sobre a alma e o tempo”, “Habacuque – a vitória da fé em meio ao caos”, “História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil”, “Como vencer a frustração espiritual” e “A Sedução das Novas Teologias”, todos títulos da CPAD, tendo este último conquistado o Prêmio Areté da Associação de Editores Cristãos (Asec) como Melhor Obra de Apologética Cristã no Brasil em 2008.

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