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Pr. Silas Daniel

Pr. Silas Daniel

Um exemplo escandaloso de péssimo jornalismo da Grande Imprensa na pandemia

Qui, 24/06/2021 por

Como dizia Hiram Johnson (1866-1945), senador republicano e ex-governador da Califórnia, “na guerra, a primeira vítima é sempre a verdade”. Nesta pandemia, não é diferente. Devido ao conflito político e ideológico que o Ocidente (e o mundo) vive hoje – uma verdadeira guerra, diga-se de passagem –, a Grande Imprensa aqui e lá fora, contaminada por essa guerra, fez em muitos casos péssimo jornalismo, politizando a pandemia e funcionando como filtro e censor de informações, em vez de mediador de informações, que é a sua verdadeira função. O nome “mídia” vem exatamente da função histórica da imprensa como mediadora, como um órgão cuja razão de ser é apenas trazer para o grande público todas as informações e opiniões sobre os principais assuntos que estão ao seu alcance investigativo para que o cidadão, munido delas, chegue às suas próprias conclusões.
 
Um órgão de imprensa pode até ter - e é natural que tenha - a sua própria opinião sobre um assunto (o chamado “editorial” existe justamente para isso), mas ele tem antes o dever, moral e eticamente, de, ao noticiar um fato, apresentar, além do relato, todas as opiniões divergentes sobre o tema que sejam notoriamente relevantes. Ele não deve selecionar as opiniões que lhe agradam sobre aquele assunto com o objetivo de manipular a opinião pública, a não ser que assumidamente diga que está fazendo isso, que tem lado político, em vez de fazer isso e se vender ainda como “imparcial” (Tenho falado sobre isso há muito tempo, inclusive em uma entrevista que concedi há 15 anos à antiga revista Defesa da Fé, do Instituto Cristão de Pesquisas [ICP] – AQUI).
 
Pois bem, um exemplo gritante desse péssimo jornalismo que virou uma coqueluche nos dias de hoje aconteceu no domingo, 20 de junho, quando a Rede Globo de Televisão finalmente se rendeu aos fatos e admitiu, em reportagem do seu programa Fantástico, que o atual coronavírus nasceu em um laboratório em Wuhan e não na natureza selvagem, algo que falei aqui, em minha coluna do CPADNews, quatro dias antes dessa matéria ir ao ar e nas minhas redes sociais desde o início de maio, quando divulguei o artigo de Nicholas Wade tratando sobre o assunto. Não vi a matéria do Fantástico no dia porque não assisto tevê aberta já há alguns anos, mas soube da repercussão durante a semana e então fui assistir depois à matéria na internet. E fiquei abismado com o que vi, pois, de forma vergonhosa, a Globo colocou a culpa da narrativa falsa que ela e a Grande Imprensa divulgaram por mais de um ano em... Quem disse a verdade! O cúmulo do absurdo.
 
Na referida matéria, a justificativa usada pela Globo para explicar porque ela e a Grande Imprensa propalaram durante mais de um ano uma “fake news”, indo frontalmente contra o bom jornalismo ao fecharem seus ouvidos deliberadamente para o contraditório, não ouvindo e sequer permitindo que fossem ouvidos cientistas respeitados que argumentavam com propriedade (depois de analisarem o vírus geneticamente) que ele foi fabricado em laboratório – e ainda os taxavam de gente que fazia falsa ciência –, foi que uma vez que o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizia ter informações de que o vírus foi mesmo gerado em laboratório na China, eles acharam melhor rechaçar essa hipótese, como se o simples fato de ela ser defendida por Trump significasse que é uma hipótese falsa. É de cair o queixo de tão absurdo uma explicação dessas! É inacreditável que jornalistas procedam assim.
 
Quer dizer que o presidente dos Estados Unidos, que é munido de informações de suas agências de investigação, afirma uma coisa dessas, que inclusive também é esposada por vários cientistas respeitados que analisaram o vírus geneticamente, e eu não levarei em conta essa possibilidade, sequer ouvirei os argumentos destes cientistas para comparar com os contra-argumentos de outros para ver se são ou não consistentes e convincentes, apenas porque eu não gosto do atual mandatário da Presidência dos Estados Unidos? Isso é jornalismo?
 
Quer dizer que é assim agora: só vou apurar direito um assunto se o Trump ou o Bolsonaro, ou seja lá qual for o político que não gosto, não esteja falando sobre isso? É assim que funciona o jornalismo hoje?
 
Para piorar, na matéria do Fantástico, o cientista escolhido pelo jornalista da Globo para falar sobre o caso ainda diz na matéria que é democrata de carteirinha. É como se a pessoa estivesse dizendo: “Podem confiar agora, podem crer que estou dizendo a verdade, porque sou democrata e não republicano, gosto do Biden e não do Trump”. Ué? Quer dizer que não vale mais O QUE a pessoa fala, se tem consistência ou não, mas apenas QUEM fala? É assim agora? Tem que pagar “pedágio” ideológico agora para ser ouvido e ser levado a sério?
 
Ora, o que deve importar é o que a pessoa está dizendo, se faz sentido ou não, se é consistente ou não. Se há evidências insofismáveis de que o vírus foi mesmo criado em laboratório, pouco me importa se o político que você gosta ou desgosta concorda com isso ou não. A verdade é verdade independente de quem a diz.
 
Esse problema, evidenciado nessa matéria, vai além, extrapolando para o dia-a-dia. Por influência desse tipo de jornalismo sobre grande parte das pessoas, muitas vezes eu mesmo sou taxado, pelo simples fato de concordar com algo que eventualmente é também defendido pelo político X ou Y, de "apoiador cego" daquele político, quando é exatamente o contrário. Não sou apoiador cego de político algum, e muito menos ainda minha opinião sobre um assunto depende do que qualquer político pensa sobre o mesmo assunto. Por falar nisso, para manifestar uma opinião sobre qualquer notícia, costumo ouvir dois, três ou quantos lados houver sobre determinada questão que envolve aquela notícia para só depois assumir minha posição, que pode estar certa ou pode estar errada, mas é minha e honesta.
 
O fato de determinados políticos concordarem com certos especialistas com os quais também concordo pouco me importa – diferentemente de colegas da imprensa secular de hoje que, por exemplo, odeiam tanto o atual mandatário da presidência do nosso país que se ele disser que gosta de pimenta, logo sairá uma série de matérias e artigos falando mal da pimenta. Esses são “bolsonaristas” de fato, no sentido irônico de que a opinião deles sobre o tema A ou B depende sempre do que Bolsonaro pensa sobre o tema. Acho que eles dormem, acordam e fazem as refeições pensando nele. Faz sentido, porque o ódio costuma ser mais fiel que o amor.
 
O fato de ter declarado meu voto em Bolsonaro em 2018 e não concordar com a maioria dos ataques feitos contra seu governo não significa que o governo Bolsonaro não tenha falhas e muito menos ainda que eu concorde com todo e qualquer posicionamento do atual presidente. Aliás, tenho divergências profundas em relação a alguns posicionamentos dele, embora em outros assuntos tenho total concordância. E, como já dito e volto a frisar, minha posição sobre qualquer questão não é e nunca será definida pelo que qualquer político pensa sobre ela - é até absurdo e infantil pensar nisso. A partir dos fatos que tenho ao meu alcance, são a razão (que nos foi dada por Deus), o bom senso e a minha fé naquilo que afirma Palavra de Deus que determinam minhas posições.
 
Bem, voltando ao tema da origem do coronavírus (assunto do meu último artigo – se não leu ainda, peço que leia antes: AQUI), já sabemos, portanto, que a COVID-19 é um vírus manipulado no laboratório de Wuhan na China para ganho de função, por isso seu poder de proliferação é muito maior do que o de qualquer outro vírus, contaminando muito mais pessoas do que um vírus normalmente contamina, e consequentemente matando mais pessoas em um curto período de tempo, o que um vírus desses normalmente só conseguiria fazer – em um caminho normal de proliferação – em alguns anos. Fica apenas uma questão: ele foi liberado acidentalmente ou propositalmente? Minha opinião provisória sobre o assunto é que tudo indica – não há 100% de certeza, mas tudo indica – que ele pode ter sido liberado propositalmente. Explico.
 
Primeiro, sabe-se hoje, pelas investigações do Senado norte-americano, que, desde setembro de 2019, poucos meses antes de estourar a pandemia, o Partido Comunista Chinês já estava queimando arquivos sobre a pesquisa de ganho de função de coronavírus em Wuhan. Segundo, no laboratório em Wuhan trabalhavam não apenas cientistas civis chineses e norte-americanos, mas também cientistas membros do exército chinês, que inclusive participaram diretamente do desenvolvimento de pulmões “humanizados” em ratos para progressão decisiva dos trabalhos de ganho de função de coronavírus. Terceiro, a primeira pessoa contaminada pela COVID-19 foi um desses cientistas não-civis membro do exército chinês. Quarto, quando a pandemia estourou, o Partido Comunista Chinês já estava pronto para conter sua proliferação em solo chinês, fechando as entradas e saídas de Wuhan para qualquer outra parte da China, mas não impediu os voos de Wuhan para o resto do mundo. Quinto, ela mentiu deliberadamente no início, dizendo que o novo vírus não contaminava seres humanos. Sexto, quando a pandemia estourou, a China já estava plenamente abastecida para atender ao mundo com materiais e insumos médicos e com isso enriquecer absurdamente no período, enquanto o resto do mundo empobrecia. Sétimo, o maior beneficiado do mundo pela pandemia foi exatamente a China. Enfim, é só ligar os pontos.
 
Essa tese pode estar equivocada? Pode. Tanto é que esta é, repito, minha posição provisória sobre o assunto. Não descarto a possibilidade de o vírus ter sido liberado acidentalmente e a China ter apenas aproveitado a situação. Porém, as coincidências são demais, não são?
 
Se estiver disposto a se debruçar um pouco mais nessa questão, assista ao episódio da semana passada do programa Rudy’s Common Sense na internet do ex-prefeito de Nova York, o republicano Rudolph Giuliani, com a Dra. Maria Ryan, ex-CEO do Cottage Hospital, que adiantou ano passado muito do que está sendo finalmente admitido hoje pela Grande Imprensa. No programa, eles analisam exatamente essa questão. O vídeo do referido episódio do programa já pode ser assistido legendado em português AQUI. Assista e tire as suas próprias conclusões.

3 comentários

Michael R.

Muito bom! Precisamos de gente capacitada comentando assuntos públicos.!

Sérgio Luís

A paz do Senhor, meu irmão. Enquanto houverem "Acabes" que se preocupam com seus cavalos e mulas,o pvo so sofre. É necessário que se levantem mais Elias.(I Rs.18)

Jhônatas A

Muito bem! 👏🙌

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Perfil

Silas Daniel é pastor, jornalista, chefe de Jornalismo da CPAD e escritor. Autor dos livros “Reflexão sobre a alma e o tempo”, “Habacuque – a vitória da fé em meio ao caos”, “História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil”, “Como vencer a frustração espiritual” e “A Sedução das Novas Teologias”, todos títulos da CPAD, tendo este último conquistado o Prêmio Areté da Associação de Editores Cristãos (Asec) como Melhor Obra de Apologética Cristã no Brasil em 2008.

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