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Pr. Silas Daniel

Pr. Silas Daniel

Coronavírus: precaução, sim; histeria, não!

Qua, 18/03/2020 por

Hoje, o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, afirmou sobre a reação histérica ao coronavírus: “Pandemia é [apenas] o termo usado em referência a um aumento de casos de uma doença em uma ampla área geográfica. Não podemos deixar isso se transformar em histeria e desespero!”. O presidente da República, por sua vez, ressaltou: “O caos só interessa aos que querem o pior para o Brasil”. Disse Mandetta ainda: “Calma, serenidade, prevenção e ações eficazes são as armas para superarmos o coronavírus”.
 
Todos devemos fazer a nossa parte, nos cuidarmos e termos cuidado com o nosso próximo, e isso inclui não cair em histeria. Histeria não ajuda, só atrapalha.
 
As pessoas se concentram no fato de já termos mais de 200 mil infectados no mundo e mais de 8 mil mortos, quando nossas atenções devem estar focadas na prevenção, e não nesses números. Aliás, esses próprios números, se corretamente analisados, já diminuiriam essa histeria. Se não, vejamos.
 
Em primeiro lugar, não se pode determinar com precisão a taxa de letalidade de nenhuma epidemia olhando apenas para o número de casos registrados de contaminação e o número de óbitos. Esses dados não são determinativos, porque, diferentemente do que acontece com os dados sobre o número de mortos, todos os dados sobre o número de infectados sempre estarão defasados em relação à realidade, uma vez que (1) demora para você comprovar uma suspeita como caso de contaminação e (2) muita gente que está contaminada sequer vai a hospital, posto que em 90% dos casos de contaminação a pessoa quase não sente os sintomas ou, no máximo, acha apenas que é um pequeno resfriado.
 
Ou seja, se você tem 204 mil casos de contaminação confirmados, pode ter certeza que o número real é muito maior, enquanto o número de mortos, ao contrário, é bem real, porque toda pessoa que veio a óbito em um hospital teve o motivo de seu falecimento atestado. Por isso, quando termina uma epidemia, a taxa de letalidade ao final dela – comparando o número de contaminados registrados com o número de mortos entre eles – é sempre menor do que nos primeiros meses. E mesmo esse número final também é irreal, porque, como já disse, muita gente sequer vai ao médico para ser diagnosticada.
 
Quando o H1N1 começou, a taxa de letalidade era alta, mas depois terminou sendo de... 0,03%. Será que essa será a taxa de letalidade final do atual coronavírus? Não sabemos, só podemos dizer – com base nos exemplos de epidemias anteriores – que, com certeza, ao final, a taxa de letalidade deve ser menor do que é atualmente.
 
Lembrando que, apesar de a gripe matar absurdamente mais que o coronavírus, a taxa de letalidade da gripe é bem menor do que a do coronavírus (3,5% contra 0,08% no máximo), porque os cálculos da gripe incluem um número pressuposto de infectados que não foram ao médico. Em muitos cálculos, chega-se a presumir que apenas 5% das pessoas que tenham contraído gripe vão ao hospital. Por isso, tivemos 650 mil mortes no mundo por gripe em 2018, mas a taxa de letalidade não chegou a 1%.
 
Logo, quando o cálculo final for feito após o fim da epidemia do coronavírus, a taxa de letalidade deste deverá ser muito menor do que os 3,5% propalados hoje pela mídia (mesmo sendo provavelmente menor o número pressuposto de pessoas que não foram ao hospital no caso do coronavírus, devido à intensa campanha midiática sobre o assunto).
 
Em segundo lugar, se olharmos bem os dados atuais, veremos que os 4 únicos países onde a taxa de letalidade por número de casos registrados é acima de 3% são os 4 países com maior número de infectados e mortos de todos. São eles: 
 
CHINA
81.102 casos registrados
3.241 mortos
Taxa de letalidade: 4%
 
ITÁLIA
31.506 casos registrados
2.503 mortos
Taxa de letalidade: 8%
 
IRÃ
17.361 casos registrados
1.135 mortos
Taxa de letalidade: 6,5%
 
ESPANHA
13.910 casos registrados
623 mortos
Taxa de letalidade: 4,5%
 
Pois bem, esses 4 países detêm 70% do número total de casos registrados e MAIS DE 90% do número de mortes por coronavírus. Lembrando que são mais de 100 países no mundo com gente contaminada pelo coronavírus. A média da taxa de letalidade na soma desse grupo (esses 4 países) dá 5,75%. A dos outros países do mundo, somados, dá cerca de 1,4%.
 
Agora vejamos os casos dos 6 países seguintes da lista:
 
ALEMANHA
10.082 casos registrados
27 mortos
Taxa: 0,25%
 
COREIA DO SUL
8.413 casos registrados
84 mortos
Taxa: 0,99%
 
FRANÇA
7.661 casos registrados
148 mortos
Taxa: 1,9%
 
ESTADOS UNIDOS
6.519 casos registrados
115 mortos
Taxa: 1,8%
 
SUÍÇA
3.208 casos registrados
28 mortos
Taxa: 0,9%
 
REINO UNIDO
2.642 casos registrados
72 mortos
1,4%
 
O que isso significa?
 
Significa que a nossa referência não deve ser nem os 8% da Itália, nem os 4% da China, nem os 6,5% do Irã, nem os 4,5% da Espanha, nem a média geral de 3,5%, mas o que os outros países com taxas muito menores fizeram – e o que devemos fazer, portanto – para minimizar o número de contaminados e de eventuais vítimas fatais.
 
Logo, a histeria – que é alimentada justamente por um olhar não-analítico sobre esses números e pelo foco apenas nos casos de morte e no caos gerado pela própria histeria – não ajuda em nada. Histeria leva a medidas radicais, a caos, a gente demais indo aos hospitais desnecessariamente, a acabar produtos essenciais no mercado por causa de gente que compra em grande quantidade para fazer um estoque absurdo em casa etc. 
 
O problema da histeria não é o excesso de informação, mas o tipo de informação. Nunca é demais informar como se precaver, mas ninguém da grande imprensa traz depoimentos de pessoas que foram contaminadas e estão passando bem. O negócio é só numero de mortos e contaminados, e muita histeria.
 
Se está em 8% na Itália ou 3,5% no mundo, não significa que será assim aqui ou em todos os lugares. Em mais de 100 países onde há pessoas contaminadas pelo vírus, apenas 4 têm uma média acima de 3%. Os demais têm, somados, uma média de quase 1,4% – e muitos deles têm individualmente muito menos do que isso. Lembrando ainda que no Hemisfério Norte é onde está a população mais idosa do mundo e que está vivendo ainda o inverno, onde o vírus é mais forte, daí o número alto de mortes. Aqui estamos saindo do verão ainda – e na maior parte do nosso país temos sol o ano todo. Somos o quarto país do mundo em quantidade de leitos por 100 mil habitantes, atrás apenas de EUA, Alemanha e Japão, e o governo brasileiro ainda está aumentando a quantidade de leitos em mais 2 mil. Temos tudo isso a nosso favor. É só fazermos a nossa parte!
 
Se a Itália, a China, o Irã e a Espanha não fizeram o seu dever de casa, eles ficam para nós apenas como exemplos do que não devemos fazer, e não como paradigmas do que supostamente acontecerá aqui. A maioria dos países fez e está fazendo o seu dever de casa, inclusive o Brasil.
 
Precaução, sim. Histeria, não.

13 comentários

Filipe

A paz, pastor Silas! Tudo bem? Hoje, depois de mais de um ano de pandemia no Brasil, o sr não acha que a pandemia da Covid era motivo de histeria? Muitos setores da sociedade, inclusive os artistas lacradores do #fiqueemcasa mas que iam em festas e praias não deram muita importância pra doença, inclusive muitas igrejas que no ápice da Covid faziam cultos sem o distanciamento/uso de máscaras. O presidente Bolsonaro errou em não dar importância pra realidade da Covid. Deus abençoe!

Luis Carlos Diniz

O meio de imprensa só divulga o que deseja e do seu interesse, exatamente onde se aumenta os mortos, os shoppings e futebol retornam? creio que fomos enganados novamente, Pr. Silas, servi a DEUS com o irmão na IEVDI pastor José Rodrigues, moro em Campo Grande RJ e já conversamos no ônibus, fico feliz em saber que está bem, deixo uma pergunta, pq não escreve sobre os apócrifos?

Silas Daniel

Irmão Eduardo, logo quando iniciou a quarentena, voltei a gravar o programa semanal "O Cristão e o Mundo" da TV CPAD, onde tenho exposto meu posicionamento sobre o assunto. Indico ao irmão assistir às edições de 61 a 63, e 65 e 66 do programa, onde falo diretamente ou lateralmente sobre o tema (tvcpad.com.br). Em linhas gerais: sou a favor do isolamento apenas vertical acompanhado da aplicação de regras de higiene básicas. Sou contra lockdown, confinamento geral e medidas restritivas radicais

A. Eduardo

Paz em Cristo! Muito proveitosas as informações, Pr. Silas. Gostaria de saber sua posição sobre o isolamento social, haja vista ha posições divergentes mas, essas divergências, não são levadas a público na TV aberta, ou não recebem destaques. Pelo menos ainda não vi.

Heitor Folgierini

A Paz do Senhor ! Pr. Silas Daniel,Em tempos aonde a turma de comunistas, esquerdistas e imprensa doutrinada marxista que são do "quanto pior, melhor!" (porque perderam o poder após 13 anos) fazem com que algo pior do que o coronavirus seja disseminado: O " " ! Segue link do Diretor da OMS comprovando o que o Presidente Bolsonaro já vem falando há dias: https://www.youtube.com/watch?v=ZNx-zMmkOTg

Silas Daniel

Concordo. irmão Leonardo.

LEONARDO LUIZ DA SILVA

A Ciência não é nossa inimiga, antes pelo contrário é nossa aliada e está sempre pronta a comprovar os fatos, mesmo que esses fatos venham mudar mais tarde, essa mudança também é científica. O problema maior é mesmo sabendo do quão duvidoso se tornou a mídia e mesmo assim ouvi-la cegamente. Devemos sim acompanhar os noticiários desde que confrontemos sua informação com a Ciência.

Silas Daniel

Sobre "ser nominado sem fé", se há algum pentecostal que pensa assim (desconheço), então este não entenda nada de fé. Isso está mais para neopentecostal, para adeptos da confissão positiva e da teologia da prosperidade. Aqui, somos pentecostais clássicos. Cremos que Deus cura e protege, mas Ele o faz não apenas conforme nossa fé, mas também segundo Sua vontade; e a Bíblia ainda diz que não devemos "tentar a Deus" - ou seja, devemos fazer nossa parte, se precaver; e o que não podemos, Deus faz.

Silas Daniel

Irmão Israel, seguem como exemplo links de matérias (nos parênteses) que tratam de alguns erros fatais iniciais cometidos pela Itália (https://conexaopolitica.com.br/mundo/italia/o-erro-do-hospital-italiano-que-levou-a-rapida-disseminacao-do-coronavirus/), (https://www.gazetadopovo.com.br/republica/coronavirus-exemplo-italia-brasil/). A Itália ainda tinha um dos menores números de leitos/espaço em hospital por 100 mil habitantes. Por isso, agora, está tendo que selecionar quem vive e quem morre.

Silas Daniel

Caro irmão Israel, obrigado pelas palavras de apreço. Sobre o mal exemplo desses 4 países, não me refiro ao que estão fazendo agora de correto, mas às medidas que não foram tomadas por eles inicialmente e que fatalmente levaram a epidemia em seus territórios a esses números que destoam totalmente dos números dos demais países contaminados no resto do mundo.

Israel Lopes

Parabéns pelo apanhado em pesquisa, o texto é bom e instrui, porém quando diz: "É só fazermos a nossa parte! Se a Itália, a China, o Irã e a Espanha não fizeram o seu dever de casa, eles ficam para nós apenas como exemplos do que não devemos fazer, e não como paradigmas do que supostamente acontecerá aqui. " Do que se trata? O que parece foi ignorar a ideia da quarentena para evitar a propagação; pensando assim muitos pentecostais acham que isto não é necessário,pois temem ser nominado de sem fé

Silas Daniel

Amém, irmão Manoel! Obrigado pelas palavras de apreço e motivação, e pelas palavras de intercessão a Deus em nosso favor. Oremos pelo Brasil e oremos pelas nações!

MANOEL MINEIRO DA SILVA NETO

Como sempre uma palavra coerente e equilibrada para um momento tão difícil, como este que estamos vivendo com esta pandemia do Covid-19. Que o ESPÍRITO SANTO continue lhe capacitando Pr. Silas Daniel para novas palavras assim homem de DEUS, informativas e inspiradas!! Que possamos combater este momento de histeria com oração ao DEUS ÚNICO E VERDADEIRO, que não perdeu o controle da história!! Que DEUS tenha misericórdia de nós e de nações como a Itália!!!

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Perfil

Silas Daniel é pastor, jornalista, chefe de Jornalismo da CPAD e escritor. Autor dos livros “Reflexão sobre a alma e o tempo”, “Habacuque – a vitória da fé em meio ao caos”, “História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil”, “Como vencer a frustração espiritual” e “A Sedução das Novas Teologias”, todos títulos da CPAD, tendo este último conquistado o Prêmio Areté da Associação de Editores Cristãos (Asec) como Melhor Obra de Apologética Cristã no Brasil em 2008.

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