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Pr. Silas Daniel

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A. N. Trotter (1902-1982) – o maior pregador pentecostal dos Estados Unidos em sua geração

Qua, 07/04/2021 por

Nas próximas semanas, começando por hoje, estarei publicando uma série de artigos sobre grandes pregadores pentecostais clássicos, alguns ainda lembrados hoje, outros não mais, porém todos eles são nomes que marcaram a história. Estarei focando principalmente nos nomes menos lembrados em nossos dias; e quero, neste artigo que enceta a série, falar sobre aquele que foi considerado o maior pregador pentecostal de sua geração nos Estados Unidos: o pastor assembleiano Alfred Nathaniel Trotter, mais conhecido como “Evangelista A. N. Trotter”.
 
Alfred Nathaniel Trotter nasceu na cidade de Filadélfia, no Estado da Pensilvânia, em 15 de maio de 1902. Seu pai, Nathaniel Trotter, um pregador batista leigo, morreu quando Alfred tinha 6 anos de idade. Esse evento levou sua família a cair em extrema pobreza, sendo forçada a viver por um tempo na região dos pântanos de Nova Jersey. Na luta pela sobrevivência dela e dos filhos, a mãe de Alfred, Mary Catherine Trotter, teve a ideia de se mudar para Atlantic City para trabalhar ali como lavadeira e passadeira, lavando uma trouxa de roupas por dez centavos e passando em ferro quente o mesmo volume de roupas pelo mesmo valor. Foi nessa época que ela conheceu o nascente Movimento Pentecostal nos Estados Unidos, levando sua casa ao pentecostalismo.

Mary e seus filhos foram batizados no Espírito Santo na Assembleia de Deus em Newark, Nova Jersey, liderada pelo pastor Ernest S. Williams (1885-1981), o qual participou do Avivamento da Rua Azusa. O pastor E. S. Williams seria – de 1929 a 1949 – superintendente-geral das Assembleias de Deus nos EUA.

Alfred foi batizado no Espírito Santo em 1916, aos 14 anos de idade, em uma época em que estava trabalhando doze horas por dia, sete dias por semana, para ajudar a sua família. Logo após a experiência, ele sentiu o chamado para pregar. Nos cinco anos seguintes, Alfred estudou primeiro na Escola Bíblica Beulah Heights e depois no Instituto de Treinamento Missionário, onde conheceu a jovem Blanche Matilda Garlock, mais velha que ele dois anos, com quem se casaria em 1922. No mesmo ano, Alfred e Blanche foram enviados como missionários das Assembleias de Deus nos EUA para a Libéria.

Apesar de ter 22 anos na época, Blanche já tinha experiência missionária, tendo servido como missionária na Libéria aos 19 anos, juntamente com seu irmão Henry B. Garlock. Por falar de Henry, ele e sua esposa Ruth Trotter Garlock (irmã mais velha de Alfred) serviriam pioneiramente como missionários pentecostais na Libéria, Gana e Malawi, com testemunhos lindos e marcantes de vidas levadas a Cristo, dentre elas canibais e feiticeiros.

Mesmo depois de voltar aos EUA do trabalho missionário, Alfred retornou várias vezes à África, fazendo campanhas evangelísticas ali. Ele também ensinou por um tempo na Escola Bíblica das Assembleias de Deus da África do Sul. Já nos EUA, foi professor convidado no North Central Bible College, em Minnesota, e professor no Ozark Bible Institute, em Missouri.

Nos EUA, A. N. Trotter – como passou a ser mais conhecido o pastor Alfred – começou a desenvolver sobretudo um ministério evangelístico. Ele também exerceu o ministério pastoral, tendo pastoreado igrejas em 9 Estados diferentes em toda a sua vida, mas sua principal paixão era o ministério de evangelista. Durante grande parte de sua vida, ele chegou a se dedicar principal ou exclusivamente ao ministério da pregação, ministrando sobretudo em “camp meetings”, como eram chamadas as grandes reuniões de avivamento e evangelismo realizadas ao ar livre, em campo aberto, reunindo multidões nos Estados Unidos. Em seus dias, Trotter chegou a ser o mais requisitado de todos para pregar nesse tipo de encontro. Aliás, conta-se que ele pregou mais em reuniões campais da Assembleia de Deus do que qualquer outro ministro em todo o século 20. Trotter foi considerado por muitos “o maior pregador pentecostal de sua época”. Ele também pregava com frequência nos conclaves do Concílio Geral e dos Conselhos Distritais das Assembleias de Deus nos EUA, e em conferências bíblicas pelo país, pois além de grande evangelista, era um exímio expositor das Escrituras.

Jimmy Swaggart, o mais famoso pregador pentecostal do século 20 (que poderia ter um ministério muito mais frutífero se não fossem suas falhas na área moral cometidas no final dos anos 80 e início dos anos 90), contava que o maior exemplo e inspiração para o seu ministério era A. N. Trotter, que, inclusive, em 1959, pregando em um seminário para pregadores em Monroe, no Alabama, impôs as mãos sobre o jovem Swaggart profetizando que ele seria um grande evangelista. Muitos anos depois, Swaggart se tornaria amigo do filho de A. N. Trotter, o também evangelista A. R. Trotter.

Quando a irmã Blanche, esposa de A. N. Trotter, morreu em 1972, este passou a dedicar-se só à pregação, vindo a falecer em 1 de novembro de 1982 em plena atividade como evangelista, viajando por todo o país. Sua morte se deu quando, após uma série de pregações em Missouri, foi visitar seu cunhado Henry B. Garlock em Dallas, pois este estava doente. Ao sair do avião que acabara de pousar no aeroporto de Dallas, Trotter sofreu um ataque cardíaco. Ele foi enterrado em Springfield, Missouri, em um cerimonial que contou com a presença de dezenas de líderes das Assembleias de Deus nos EUA.

Segundo o site “Pentecostalgold.com” (onde podem ser encontradas várias pregações dele gravadas em áudio), “a influência de A. N. Trotter para a promoção de Deus, da Sua verdade e do Pentecostes é quase incomensurável”.

1 comentário

Analucia Braga de Castro

Na verdade os evangelistas deixam legados.Sem dúvida eles têm mostrado a influência de Jesus Cristo.

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Perfil

Silas Daniel é pastor, jornalista, chefe de Jornalismo da CPAD e escritor. Autor dos livros “Reflexão sobre a alma e o tempo”, “Habacuque – a vitória da fé em meio ao caos”, “História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil”, “Como vencer a frustração espiritual” e “A Sedução das Novas Teologias”, todos títulos da CPAD, tendo este último conquistado o Prêmio Areté da Associação de Editores Cristãos (Asec) como Melhor Obra de Apologética Cristã no Brasil em 2008.

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