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Pr. Silas Daniel

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E os militares venceram a disputa dentro do governo. O que isso significa?

Qui, 16/05/2019 por

E os militares venceram a disputa interna dentro do governo Bolsonaro, sobre a qual tratamos no artigo anterior. O sinal ficou claro com a notícia de que o general Santos Cruz não só não foi demitido como recebeu mais poderes ontem. É que um decreto publicado nesta quarta-feira, 15 de maio, dá à Secretaria de Governo, chefiada pelo general, o poder agora para avalizar indicações e nomeações do Executivo.

Estabelece o novo decreto que compete agora a Santos Cruz, a partir do dia 25 de junho deste ano em diante, avaliar as indicações “de dirigente máximo de instituição federal de ensino superior” e indicações para “nomeação ou designação para desempenho ou exercício de cargo, função ou atividade no exterior”. Resumindo: Santos Cruz é quem dará aval a todas as nomeações e indicações de todos os cargos de confiança dentro do governo nos níveis 3, 4, 5 e 6, além de ser responsável por dar aval a reitores de universidades federais, embaixadores e secretários-executivos.

Cinco autoridades assinaram o decreto: o presidente Jair Bolsonaro e os ministros Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Augusto Heleno (GSI), Santos Cruz (Secretaria Geral) e Wagner Rosário (CGU).

O que isso significa?

Não é o fim de toda a agenda conservadora do governo Bolsonaro, pela qual ele foi eleito, mas é, sem dúvida, o enfraquecimento dela. Muito do que Bolsonaro pensava para o Brasil terá que se coadunar com o pensamento dos militares, que terão a máquina do governo totalmente sob o seu comando, fazendo o que eles querem. Todos os operacionais trabalharão dentro da linha estabelecida por eles.

Agora, o governo Bolsonaro tornou-se, de fato, um governo militar. O positivismo ganhou.

Não sabemos o que pesou nessa decisão, mas sabemos que Bolsonaro – como disse no artigo anterior – assumiu o governo tendo como opositores do seu pensamento o STF, o Congresso e praticamente toda a mídia tradicional, razão pela qual ele encheu seu governo com a cúpula das Forças Armadas para ganhar força institucional. Talvez – é apenas uma conjectura – ele tenha sentido que confrontar os militares resultaria em ele perder o apoio deles por completo e então perder a instabilidade institucional, tendo que se segurar apenas no apoio popular que tem. Então, apreensivo disso acontecer e de que o apoio popular não seria suficiente, ele decidiu cedeu aos militares. Mais do que isso: aumentou os seus poderes dentro do governo.

A mídia tradicional e boa parte do chamado "Centrão" estão em festa, porque isso pode significar uma mudança na política do governo nas áreas de contratos e política externa, e nas relações do governo com alguns pontos da pauta de seus adversários.

Seja como for, para quem acreditava que o governo Bolsonaro seria fiel plenamente a suas pautas originais, fica claro que não vai ser assim. Em algumas coisas, ele vai conseguir emplacar a sua pauta; em outras, terá que dançar conforme a música do establishment. Aliás, por causa disso, a sua base mais popular de apoio, os bolsonaristas, já começaram a se desfazer na internet, decepcionados. O principal nome entre eles, o filósofo Olavo de Carvalho, já anunciou em entrevista ontem que está abandonando o debate nacional e completou em tom irônico: “Sejam felizes governados pelo Santos Cruz!”

Ora, para quem criou a ilusão de que o atual governo iria mudar todo o sistema, fica a lição de sempre, a qual sempre repetia a colegas apoiadores do governo Bolsonaro: tolice é depositar todas as esperanças de mudança em governos. Não é um governo que muda a situação. Claro, é Deus quem governa a história, mas, olhando na perspectiva terrena, podemos dizer que são os movimentos culturais predominantes em uma época que influenciam a mudança no cenário político. Isso nunca deve ser esquecido.

Em suma, oremos pelo atual governo para que possa implementar as reformas necessárias que o país precisa e que faça uma administração honrada que seja bênção para o país. Mesmo que não possa fazer tudo que desejamos e sonhamos, que pelo menos seja um bom governo de verdade. Amém.

2 comentários

Rick Reis

Bom texto Nobre;contudo, gostaria de pedir ao senhor que explicasse melhor quem é Olavo de Carvalho, suas obras, pontos de convergência entre ele e os protestantes, previsões acertadas do filósofo e possíveis análises equivocadas. Motivo do pedido: sendo Olavo um dos maiores (ou o maior) nomes do conservadorismo brasileiro; considerando suas inúmeras previsões acertadas e a fúria do estamento burocrático que busca distorcer a imagem do filósofo, seria bom que seu público conhecesse o dito cujo.

Sérgio Luis

Irmão Silas, a paz do Senhor. Agradeço a atenção ao meu comentário anterior. Concordo quando o senhor diz que Deus controla tudo. É verdade, Nenhum poder é exclusivo do homem é no mínimo, permitido por Deus. Sendo assim, não existe messianismo político que invalide o controle divino. Incluindo, este ou governos passados ou futuros. "SE o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela." Salmos 127:1.

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Perfil

Silas Daniel é pastor, jornalista, chefe de Jornalismo da CPAD e escritor. Autor dos livros “Reflexão sobre a alma e o tempo”, “Habacuque – a vitória da fé em meio ao caos”, “História da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil”, “Como vencer a frustração espiritual” e “A Sedução das Novas Teologias”, todos títulos da CPAD, tendo este último conquistado o Prêmio Areté da Associação de Editores Cristãos (Asec) como Melhor Obra de Apologética Cristã no Brasil em 2008.

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