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Pr. Esdras Bentho

Pr. Esdras Bentho

Adoração aos Anjos

Dom, 16/05/2010 por

Haziel, Caliel, Lecabel, Manakel, Mumiah, Ierathel, Omael, Mitzrael, estes são apenas oito nomes de anjos de uma classe de setenta e dois retirados da Cabala Judaica e dispostos no livro Anjos Cabalísticos de Mônica Buonfiglio que, aliás, à época de sua publicação, vendia cerca de três mil exemplares por dia! 

Cada um desses anjos, assim como os signos do zodíaco, estão classificados e relacionados aos meses e aos dias da semana, a fim de que os consulentes descubram o seu “anjo da guarda” e a ele preste culto, de acordo com sua data de nascimento. Exércitos de pessoas foram arrebanhadas por essa “nova ordem” cúltica dos fins dos tempos.

Os anjos são invocados, pessoas pregam em nome deles, ministram terapias e evocam curas através de seus poderes. Afirma-se que estão mais próximos de nós do que Deus, e que resolveram revelar-se no fim dos tempos para ajudar a humanidade. O sol ainda não havia se posto no horizonte do ceticismo quando foi eclipsado pelas crenças desenfreadas nos gnomos, duendes e pedras energéticas e, agora, ao que parece, nos anjos.

O sofisma esotérico de que os anjos estão mais próximos de nós do que Deus, e por isso, são intermediadores entre o mundo espiritual e terrenal, não é novo. Na igreja em Colossos (2.18) Paulo debatia contra as religiões de mistério da antiga Grécia que afirmavam que os demiurgos ou aeons (seres espirituais entre os homens e Deus) estavam mais próximos de nós do que Deus. Os gnósticos tentaram introduzir esse falso ensino na igreja cristã. Os iniciados, os conhecedores dos mistérios mais profundos, eram os que cultuavam e reverenciavam os seres angélicos. Na cidade de Colossos, todos conheciam a lenda de que o arcanjo Miguel era o responsável pela existência do rio Lico. Por essa razão, um templo fora construído em sua homenagem às margens do rio da cidade.

Justino Mártir (século II) informa-nos de que alguns crentes veneravam as hostes dos anjos bons. No século IV, o culto aos anjos tornou-se uma prática generalizada entre a cristandade, da qual o arcanjo Miguel era o anjo principal. A proeminência dos seres angélicos nota-se até mesmo na arte da Igreja Medieval, principalmente no período lúgubre da Igreja, descrita pelos iluministas como a “Era das Trevas”. 

Na modernidade ainda jorra um filete acanhado dessa vertente gnóstica nalgumas igrejas cristãs, principalmente pentecostais e neopentecostais. Nessas comunidades, a declaração da presença de um anjo ou uma visão deste arrebata freneticamente os cristãos, muito mais do que a exposição das Escrituras Sagradas. Nessas combalidas comunidades os anjos são canonizados através dos cânticos, dos chavões, da linguagem mítica e hierofânica. Os membros de algumas dessas igrejas são incentivados a terem experiências místicas com seres celestes – evoca-se mais a presença deles do que a do próprio Cristo que os criou (Cl 1.16,17; 2.18). É a igreja perdendo a direção e prioridade na modernidade tardia (Ef 3.10). Todavia, Paulo advertiu a igreja que estava em Colossos contra o culto aos anjos, e principalmente a respeito dos mestres e pregadores itinerantes que, sob a máscara da humildade, deturpavam o direito do próprio Deus – o culto, adoração.

O Apóstolo João, que recebeu na História da Igreja a alcunha de “o Divino”, por ser considerado o mais espiritual e místico dentre os apóstolos, no esplendor da glória que lhe havia sido revelada no Apocalipse, foi repreendido por duas vezes por um anjo, ao prostrar-se aos pés do que lhe falava a fim de adorá-lo: “Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus; adora a Deus.” (Ap 19.10 cf. Ap 22.8,9). Isto confirma que os anjos são seres criados, conservos daqueles que guardam o testemunho de Cristo, espíritos que ministram a favor dos que herdarão a vida eterna, e por isso, não devem ser adorados. A verdadeira espiritualidade está na adoração centrada em Deus e somente nEle.

Cabem aqui as sensatas palavras de William Baker que afirmou: “Existe uma única maneira de desmitologizar as fantasias populares a respeito dos anjos – voltar à realidade bíblica”. Não me admiro de que o mundo não conheça a doutrina bíblica dos anjos, pois os próprios crentes a têm ignorado.

 

14 comentários

Davison

mais um artigo, desta feita, sobre Adoração aos Anjos, uma prática antiga que como fora assuntado acima, fora combatida pelo Apostolo Paulo na igreja em Colossos (2.18) os que propagava esses "sofisma esotérico" eram como especificado pelo Teólogo Esdras Costa , as religiões de mistério da antiga Grécia, os gnósticos, que por sua vez tentavam, também mencionado no artigo, introduzir esse falso ensino na igreja cristã. Trata-se de uma abordagem importante: pois, como também fo

ivan malta jordão

sobre os beneficios que os anjos trazem á igreja, esta muito vago. Gostaria também saber : QUAL O PREPARO QUE DEVE TER A IGREJA FRENTE AS FLSAS DOUTRINAS DA ANGEOLOGIA.

Leonardo

Bom estava tentando entender o que significa a palavra "conservo". Porque não consigo entender o motivo de segundo o meio evangelico deles nos servirem. Na NVI (nova versão internacional) da biblía o texto Ap 19:10 fala "sou servo como você" e pesquisando na internet encontrei a seguinte definição... CONSERVO: Servo juntamente com outrem. Do latim conservu: Companheiro na escravidão. ...e em Mt 18:28 quando o servo perdoado encontrou seu conservo que pode ser "Companheiro na escravidão"

vicente paulo da silva

Pastor ouvi na cpad (Joao Pessoa) um comentãrio a respeito se pode os idolatras (como os carismãticos) ser cheios do Espirito. Ouvi o seu comentario e achei muito pertinente e gostaria de recbë-lo no meu e-meil se for possivel.

Alzimênia Santos

A paz do Senhor. O artigo é de muito proveito para o crescimento de todo cristão, pois deixa bem claro que o único que deve ser adorado é Deus. Vivemos tempos onde muitos que se dizem servos do Senhor se deixam enganar com "pregadores" que para enfeitar seu discurso utilizam expressões totalmente fora da Bíblia, levando as pessoas a acreditarem mais no poder dos anjos do que no próprio Senhor Jesus. E o pior é que a quantidade de pessoas enganadas é preocupante. Cabe a nós orar e vigi

Fernando Acácio

comentario: O momento é oportuno para trazer iluminãção ao povo de Deus, que sofre por falta de conhecimento,o Pr.Esdras espoem um tema muito interesante, porque os anjos não devem ser adorado, eles são enviados por Deus para,servir aos servos de Deus aqui na terra.São mencionados,108 vezes no A.T. e 165 vezes no N.T. No Hebraico a palavra e Mal`aK. Eles seguem ordem divinas( Sl 91.11 ). B.Teologia.

Silvia

É necessário maior esclarecimento aos fiés,para que compreendam que Deus está acima de tudo,no entanto não podemos descartar que mesmo os anjos sendo apenas servos de Deus,submissos a Ele,trazem grandes benefícios aos humanos,pois Deus os envia para nos proteger, alertar e por que não trazer bençãos em suas mãos?è preciso apenas que todos percebam que a presença deles só é possível porque Deus a permitiu e que o fato da revelação dessa presença na igreja se deve primeiramente

pr.marcelo milhomem

graça e paz do nosso SENHOR E SALVADO JESUS CRISTO. é muito importante esse comentario, pois nesses momento que estamo vivendo tem muitos crente vivenciando o cristianismo idolatrico, pois quando algum pregador fala ao mic. que tem anjo passeando os crente vivem o estãssi, falam em linguas, choram, pulam, gritam. e quando falamos que JESUS esta presente ao CULTO muitos nem da um aleluia timido. o que é isso I D O L A T R I A. nos livre DEUS !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Max Maulaiz

Excelente artigo. A igreja deveria valorizar mais os estudos sobre angelologia. Que o Senhor Nosso Deus continue abençoando o amado mestre.

Pb. Israel Salvador

Excelente matéria do irmão Esdras. Nossas igrejas estão incorrendo em erro quando, mesmo que de forma indireta, acabam prestando "culto aos anjos". Aliás, num dos mais populares hinos do Pr. Eliseu Gomes, "Anjos de Deus", tem-se um panorama dessa situação herética. Não é à tôa que o tal padre-cantor Marcelo Rossi, usurpou a citada canção.

monica de jesus

parabéns , muito bom esse despertamento ,haja vista que em nossos cultos esse tipo de adoração tem se tornado cada vez mais comum que Deus tenha misericórdia de nós !!!

Max Maulaiz

Muito pertinentes e urguntes as sábias palavras do mestre Esdras Bento. O demônio por muitas vezes se apresenta sob uma aparência de beleza e sanidade, para então enxertar a escuridão nas mentes dos mais desatentos. Os anjos são nossos conservos e criaturas de Deus mais fortes e poderosas do que nós, mas ainda assim submissos inteiramente ao mesmo Deus que nós e com mesmo acesso a ele. Os anjos podem todos os dias estar no mesmo céu que o criador, mas nós temos ele dentro de cada um de

Claudiomar

Paz mestre! Gostei desse artigo, que Deus continue lhe usando sempre para sua glória! Soli Deo Glória!!!

Valdeci Santana

Um comentário muito proveitoso. Penso que o culto de ensino em nossas igrejas deveriam ser melhor aproveitados para a esplanação da doutrina bíblica, como é o caso desse assunto e tantos outros indispensável a fé cristã. Deus abençoe a tí e ao seu ministério!

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Perfil

Esdras Costa Bentho Teólogo, Bacharel e Licenciado em Teologia com especialização em Hermenêutica; graduado em Pedagogia (Educação Infantil, Ensino Fundamental e Formação de Professores), e escritor. Atualmente concluindo o Mestrado em Teologia pela PUC, RJ, atua como professor na Faecad, RJ, trabalha como editor de Bíblias e revisor sênior para editoras cristãs.

É autor dos livros “A Família no Antigo Testamento – História e Sociologia” e “Hermenêutica Fácil e Descomplicada”, e co-autor de “Davi: As vitórias e derrotas de um homem de Deus”, todos títulos da CPAD.

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