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Elaine Cruz

Elaine Cruz

Formando filhos para Deus (primeira parte)

Qui, 14/02/2013 por

 

Os filhos são bênçãos de Deus para os casais a fim de preenchê-los e complementá-los. Os filhos alegram uma casa, trazem plenitude ao casamento e estendem o nome e a memória dos pais. São, na verdade, o grande empreendimento de um casal, mais do que casa ou bens, pois além de serem fruto do dom divino de gerar vida outorgado ao casal, ainda são indivíduos a quem podemos chamar de “nossos”.

Contudo, por mais gratificante que seja ser pai ou mãe, gerar um filho é só o primeiro ato da paternidade ou maternidade. A partir da fecundação, da vida criada ainda no útero materno, há um ser a formar, uma pessoa a construir, uma responsabilidade a considerar. Filho é uma pedra preciosa bruta e rara que Deus entrega aos pais, e o dever deles é esculpir, limpar e moldar o novo ser de forma a torná-lo único, para posteriormente devolvê-lo a Deus na forma de um adulto feliz, íntegro e temente a Deus.

Educar um filho, portanto, é muito mais do que ensinar regras básicas de educação, pagar os estudos, e dar comida e moradia. Educar um filho é formar uma pessoa, moldar seu temperamento, construir seu caráter e direcionar sua vida espiritual para Deus.
 
Família
 
1) Espaço social – É na família que aprendemos nossos direitos e deveres, expressos verbalmente ou não, e que estabelecemos nossos primeiros vínculos com as coisas e as pessoas. A família faz a intermediação das nossas primeiras relações com o mundo, e nos acolhe com afeto ou desafeto, bem como com ações positivas (cuidado, carinho, diálogo etc) ou negativas (rejeição, abandono, abuso de poder, maus-tratos etc). É o primeiro espaço social que uma criança encontra ao nascer, e funciona como uma escola que nos ensina sobre relacionamentos. Isso é importante porque o ser humano só pode conhecer e reconhecer adequadamente o mundo e a si mesmo a partir de suas relações com os demais.

2) Espaço múltiplo – A família é uma instituição complexa, onde diferentes relações se formam e se influenciam mutuamente. Além da relação parental (entre pais e filhos), nela ainda perspassam a relação filial (entre irmãos) e a relação conjugal (entre marido e mulher). Isso explica o porquê de filhos se tornarem as causas das maiores alegrias de um casamento, como também o motivo para grandes discussões e conflitos. Quando educamos um filho, depositamos nele todas as nossas expectativas e vivências, e cada cônjuge educa sob o seu modelo particular de ser e de entender a realidade.
Vale ressaltar que todo casal precisa priorizar a vida conjugal, já que é a relação humana mais importante depois da conversão (1Co 7.32-34 e 1Pd 3.7). Além disso, quanto mais saudável é um casamento, mais saudáveis serão os filhos (Pv 17.6; 20.7). Afinal, o casamento gera filhos, os forma e mais tarde os libera para gerarem suas próprias famílias e filhos – enquanto a vida conjugal deve perdurar até que a morte separe os cônjuges.

3) Espaço em transformação – A família, mais do que qualquer outra instituição social, sofre e adapta-se às mudanças constantes na vida civil, política e ideológica. Questões de ordem financeira e histórica promovem mudanças na estrutura da família e nas suas formas de educar filhos. Antigamente, com as famílias numerosas, era comum os pais dividirem a responsabilidade de cuidar dos filhos menores com os filhos mais velhos, de modo que o irmão maior tomava conta do irmão mais novo. Hoje, consideramos grande uma família com mais de quatro crianças, e com a ênfase na educação multidisciplinar, onde as crianças desde cedo têm que aprender línguas, praticar esportes e estudar música e artes, há uma sobrecarga sobre os pais com jornada dupla, que trabalham fora e dentro de casa.

Há ainda questões de ordem psíquica que também interferem no modo como se dá a relação parental. Buscamos reproduzir ou negar a educação do nosso lar de origem, que certamente é diferente e até inversa à do cônjuge, o que interfere na forma como educamos nossos próprios filhos. Conciliar as experiências e os conceitos diferentes de duas pessoas sobre os valores e regras a serem ministradas aos filhos não é tarefa fácil, já que nossos conceitos de vida também evoluem e amadurecem com o passar dos anos.

4) Espaço dialógico – Sendo a família um espaço em constante transformação, é importante ressaltar a importância do diálogo (entre os cônjuges e destes com os filhos) para que as ações não se tornem desconexas e confusas. O casal precisa dialogar sobre regras práticas para o dia a dia, sobre finanças, sobre valores a serem ensinados aos filhos e sobre planejamento familiar. Precisam discutir sobre o tipo de instrução que será dada aos filhos, a saída ou não da mulher para o mercado de trabalho e o número de filhos desejável.

Há homens que sonham com um time de futebol e se casam com uma moça que só quer dois. Há mulheres que não querem filhos e se casam com homens ansiosos para serem pais. Há casais que pela sua atividade não podem ter muitos filhos. Há mulheres e homens que a julgar pelo seu temperamento não conseguem educar e manter sob domínio mais do que dois ou três filhos.

Em segundo lugar, é fundamental uma unidade na forma de pensar a função paterna ou materna. A Bíblia diz que os pais são privilegiados e abençoados (Sl 128.3-4; 127.3), mas há homens que não desejam ser pais, mulheres que têm medo de ficarem feias ou atarefadas se tiverem filhos, homens possessivos que não querem dividir a atenção da esposa com os filhos ou mulheres que não se sentem competentes para exercer a maternidade.

3 comentários

Neide

Parabéns! Nota 10. Li por curiosidade, mas muito me ajudará no dia-a-dia.

NATANAEL DOS SANTOS

A paz do Senhor, se possível gostaria de ler comentários a respeito da função da Igreja na formação dos pequeninos. desde já grato.

LAURA BETANIA BERNARDO DE

Desejo lhe agradecer pelo artigo publicado,pois foi de grande valia,pois me ajudará muito em meu TCC que tem como título: As consequências dos conflitos familiares na aprendizagem. Se puder me indicar alguns livros ou artigos ficarei agradecida. Atenciosamente:LAURA

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Perfil

Elaine Cruz Elaine Cruz é psicóloga clínica e escolar, com especiallização em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade. É mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense, professora universitária e possui vários trabalhos publicados e apresentados em congressos no Brasil e no exterior. Atua como terapeuta há mais de vinte e cinco anos e é conferencista internacional. É mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA) e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Como escritora recebeu o 'Prêmio ABEC de Melhor Autora Nacional' e é autora dos livros “Sócios, Amigos e Amados” e “Amor e Disciplina para criar filhos felizes”, todos títulos da CPAD.

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