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Elaine Cruz

Elaine Cruz

Depressão: quando a alma adoece (Parte 1)

Sex, 14/12/2012 por

 

Quantas vezes você já teve vontade de chorar horas seguidas? Já fechou os olhos e desejou que a situação vivenciada, por ser dura e cruel, fosse parte de um sonho? Você já se sentiu desanimado, sem coragem de sair de casa? Lembra-se de dias em que o simples pensar em levantar da cama lhe apavorava? Recorda-se da dor que sentiu quando perdeu um membro de sua família? Tem por vezes a sensação de que seu mundo ruiu e que você está só, sem poder receber ajuda mesmo daqueles que se oferecem?
Momentos de tristeza, de agonia, de dor e frustração fazem parte de sua vida cotidiana. Você vive em um mundo onde problemas, dores e morte são inevitáveis, onde vivencia situações que geram ansiedade, estresse, tristeza e melancolia. E onde a depressão, que há mais de dois mil anos é reconhecida como um mal que acometia algumas pessoas, nos dias atuais é classificada como uma doença que pode levar à morte. A depressão é, sem dúvida, o grande mal do século. Publicações em todo o mundo têm discutido suas causas e efeitos, e anualmente, em todo o mundo, são gastos milhares de dólares em pesquisas sobre o assunto, além de milhões de pessoas que gastam bilhões de dólares comprando antidepressivos.
Depressão não é um simples estado emocional, é uma doença de causa orgânica, quando um descontrole na química cerebral atinge certas áreas corticais. Estudos mostram que baixos níveis de neurotransmissores, como a serotonina, substância principal para a sensação de bem estar e controle de humor, estão associados a crises depressivas.  É uma doença crônica, recorrente, muitas vezes com alta concentração de casos na mesma família.
Antes da puberdade, o risco de apresentar depressão é o mesmo para meninos ou meninas. Mais tarde, ele se torna duas vezes maior no sexo feminino. Ter um dos pais com depressão também aumenta de duas a quatro vezes o risco. Além disso, alterações hormonais também favorecem o surgimento da depressão – o que explica a grande ocorrência entre adolescentes e jovens , fazendo com que fiquem persistentemente irritados e tristonhos, comprometendo as relações familiares, as amizades e a performance escolar.
Para os jovens, um episódio de depressão pode ser indicado pela presença de cinco ou mais dos seguintes sintomas, quase todos os dias, por um período de pelo menos duas semanas:
• Insônia (falta de sono) ou sono exagerado;
• Agitação psicomotora, do tipo que a pessoa não consegue parar quieta nem  quando dorme;
Apatia, quando há uma sensação de que as emoções não estão sendo vivenciadas como deveriam, causando um desânimo geral; 
Cansaço ou perda de energia;
Sentimento exagerado de culpa ou de inutilidade;
Diminuição da capacidade de concentração e de pensar com clareza;
Pensamentos recorrentes de morte, de pensar em suicídio, ou a vontade de assistir  programas sobre morte, ou mesmo pesquisar temas suicidas na internet;
Estado de espírito depressivo e pessimista durante a maior parte do dia;
Interesse ou prazer pela maioria das atividades claramente diminuídos;
Diminuição do apetite, perda ou ganho significativo de peso na ausência de regime alimentar (geralmente, uma variação de pelo menos 5% do peso corpóreo);
Vontade de se isolar da família e de amigos, a não ser que eles também cultuem um comportamento mórbido e triste.
Desencadeada por uma situação inesperada ou indesejada, a depressão pode, em graus extremos, levar à reclusão, ao afastamento dos familiares, provocar outras doenças de fundo psicossomático e, na última das hipóteses, levar à morte. É ela, por exemplo, uma das principais causas, além da ação e incentivo de Satanás, para o ato suicida.
Sabe-se que há etapas anteriores ao estado depressivo, estágios que se sucedem e aprofundam os sintomas, levando o indivíduo ao estado depressivo. O primeiro é o que chamamos de estresse, que geralmente é causado por uma conjunção de fatores, como horas de sono abaixo do necessário, excesso de atividades e má alimentação. Quando você não se cerca de cuidados necessários para o descanso e bem estar do seu organismo, surge uma sensação permanente de desconforto, um cansaço mental e físico permanente, fadiga, agitação, apatia e irritabilidade.
Deus nos deu exemplo do quanto repousar corpo e mente é importante. Encontramos na Bíblia ordenanças até mesmo quanto ao descanso da terra, e vemos que Jesus muitas vezes separou alguns dias para descansar. Lemos na Bíblia que devemos cuidar do nosso corpo, pois ele é santuário do Espírito Santo. O cotidiano agitado e desregrado, em que o sono da madrugada é trocado pelas conversas na internet, abre a porta para doenças físicas e emocionais, fazendo com que haja uma preocupação excessiva com as coisas e fatos, tornando os dias poucos prazerosos, roubando a alegria e ânimo para grandes e pequenas realizações.
Você é um ser pensante, inteligente e racional, com a capacidade e obrigação de analisar as situações para decidir como organizar melhor o seu tempo, fazendo uma agenda dos compromissos, estruturando a sua vida da melhor forma possível. Se você tem pensado sobre um problema horas e horas, mas sem analisá-lo com clareza, sempre se atendo ao lado negativo e imaginado a pior solução possível, precisa mudar sua forma de pensar.
Muitos jovens propõem para si mesmos metas impossíveis, que demandam mais tempo do que desejam. Outros se apaixonam por pessoas erradas e teimam que vão fazer o(a) outro(a) gostar dele, esquecendo-se que nós não decidimos pelo outro. Há ainda os que querem ser os mais populares, as mais bonitas, os mais sarados e fortes, e por conta disso perdem amigos e magoam pessoas queridas. Pessoas assim vivem num mundo irreal por meses – e quando acordam se frustram,  se decepcionam e se entristecem, muitas vezes entrando num movimento de “ninguém me quer”, “ninguém me vê”, “não vou conseguir, não sou ninguém”. Surge o medo, o pânico, a sensação de que tudo está caindo sobre a sua cabeça, que seu mundo ruiu.
Por conta da perturbação no sono, da alteração de apetite, da falta de perspectiva de futuro e da alegria, da idéia recorrente de suicídio e morte, além de dores generalizadas, a depressão é uma doença cruel, que afeta corpo e mente, e que, sem dúvida, tem sérias implicações espirituais.
No meio evangélico, esse assunto tem gerado muitas controvérsias. Não há dúvida de que a depressão pode ser fruto de erros e pecados e da vida estressante e ansiosa que vivemos. Mas, primeiramente, entenda que é uma doença, que, como já dissemos, tem estágios e causa orgânica, e em alguns casos são indicados remédios específicos para a sua cura. Muitos entendem que toda e qualquer tristeza ou depressão é só de fundo espiritual, e esquecem-se de que a Bíblia é cheia de exemplos de homens de Deus que ficaram deprimidos e melancólicos. Lemos que Moisés sentiu-se estressado e ansioso por causa de sua grande responsabilidade em conduzir os hebreus pelo deserto, a ponto de seu sogro ajudá-lo a definir prioridades. Elias, profeta de fogo e de fé, escondeu-se com medo em uma caverna e deixou-se levar pela depressão a ponto de perder o sono, as forças e o apetite. Jeremias retrata sua lamentação e melancolia em seus escritos.
Davi, homem segundo o coração de Deus, retrata em muitas passagens os sintomas da depressão que hoje conhecemos. No Salmo 38, encontramos alguns: “Estou encurvado e muito abatido; ando lamentando todo o dia. Os meus lombos estão cheios de dores; não há coisa sã na minha carne. Estou fraco e totalmente quebrantado; dou gemidos por causa da angústia do meu coração. Senhor, diante de ti está todo o meu desespero, o meu gemido não te é oculto. O meu coração está agitado, as forças me faltam, até a luz dos meus olhos se me deixou”.
Podemos, sim, ficar estressados, ansiosos, tristes, desanimados e depressivos. Somos humanos e imperfeitos, vivendo em um mundo cheio de injustiças. Nem tudo o que nos acontece tem como pano de fundo só uma perspectiva espiritual. Muitas vezes colhemos frutos de nosso descaso para com o descanso corporal, de uma criação familiar que incutiu em nós insegurança e baixa auto-estima, de situações adversas e dolorosas que maltratam nossa mente e coração.

4 comentários

Denilton Caldas varejão

estou passando por uma depressão,sou evangélico.estou pedindo oração por mim e esposa e casal de filhos,esta sendo muito difícil para mim e família.QUERO VOLTAR a fazer oque fazia na igreja segundo a vontade de DEUS,quero ser curado,desse terrível enfermidade. is.53.

Denilton c Varejão

sou evangèlico e tenho depressão,pânico,muita ansiedade e insonia cronica.preciso muito trabalhar,mas o cansaço è muito grande.sou casado e tenho um casal de filhos e a tristeza é muito grande,mas nem lágrimas vem nos meus olhos e nem a alegria vem ao coração.Preciso muito da ajuda de DEUS.Pois os remédios tem mais me derrubado do que me levantado.ORE por mim e minha família.

Ana Lúcia da Matta Louba

Quem ama a Deus, ama a Verdade de Deus e não pode aceitar o engano. O ENGANO DO EVANGELHO DA AUTO-ESTIMA Hoje em dia é muito raro você encontrar uma pessoa que acredite ser humilde, no sentido mais pleno da palavra. Ninguém quer ser o último, o esquecido, o anônimo. Nossa cultura é a cultura do humanismo secular. O homem centralizou a si mesmo como a coisa mais importante do universo. Se auto-divinizou e a psicologia, o humanismo, e outras vertentes filosóficas vem contribuindo par

Ana Lúcia da Matta Louba

Acabei de ler esse estudo e como sempre ando muito preocupada com essa postura em relação às Escrituras por parte dos psicólogos. Tratam a Bíblia como se ela não fosse auto-suficiente e eficaz para libertar, curar e transformar o ser humano. Essa nova onda da "teoria da autoestima" tomou conta da Psicologia popular e tem contaminado também os evangélicos. Por causa disso, preparei um estudo sobre o assunto, apoiada em autoridades científicas e na Teologia Ortodoxa, cuja fonte é a Escri

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Perfil

Elaine Cruz Elaine Cruz é psicóloga clínica e escolar, com especiallização em Terapia Familiar, Dificuldades de Aprendizagem e Psicomotricidade. É mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense, professora universitária e possui vários trabalhos publicados e apresentados em congressos no Brasil e no exterior. Atua como terapeuta há mais de vinte e cinco anos e é conferencista internacional. É mestre em Teologia pelo Bethel Bible College (EUA) e membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil. Como escritora recebeu o 'Prêmio ABEC de Melhor Autora Nacional' e é autora dos livros “Sócios, Amigos e Amados” e “Amor e Disciplina para criar filhos felizes”, todos títulos da CPAD.

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