24/02/2012 10:04

Família: Célula máter da sociedade?

O homem é um ser social, que nasce e vive em sociedade. Ao  nascer, já é parte de uma família, principal meio social humano, que costumamos chamar de célula máter da sociedade – o espaço primeiro e mais importante para o estudo e desenvolvimento de sociedades.

A primeira vivência do ser humano acontece em família, independentemente de sua vontade  ou da constituição desta.  É a família que lhe dá nome e sobrenome, que determina sua estratificação social, que lhe concede o biótipo específico de sua raça, e que o faz sentir, ou não, membro aceito pela mesma. Portanto, a família é o primeiro espaço para a formação psíquica, moral, social e espiritual  da criança.

A criança é muito dependente ao nascer. Dentre todas as espécies é o homem que tem o mais longo período de imaturidade e dependência física. Cabe à família o cuidado com a saúde e segurança de seus membros, seja com o bebê ou com o idoso.

Há o papel desempenhado pela família, mesmo que muitas vezes ela não o perceba, que é o de educadores. À família cabe a formação do caráter, dos valores, das regras morais – que posteriormente serão internalizadas pelos indivíduos como um código pessoal de conduta e ética. A chamada “educação de berço” continua sendo de suma importância e jamais pode ser conseguida em outros espaços sociais como colégio ou até mesmo igrejas.

Na esfera psíquica, o homem só pode conhecer e reconhecer adequadamente o mundo e a si mesmo a partir de suas relações com os demais. Ele apreende o mundo imitando os outros, desde os primeiros sorrisos até regras sociais externas e maios elaboradas, como usar adequadamente os talheres à mesa. Mais do que isto, moldamos nossa personalidade por volta de seis anos de idade, e é especialmente através de vivências em família que formamos, ou não, a auto estima, o senso de responsabilidade e segurança, o respeito pelo outro e pelas regras sociais estabelecidas, a capacidade de acreditar em nosso potencial e conhecer nossos defeitos e limitações, entre tantos outros aspectos de nossa vida intimista.

Em nossa sociedade, a família é que introduz a criança no meio social; é a família que escolhe – ou em parte seleciona, a partir de seus próprios referenciais – as pessoas com as quais a criança vai relacionar-se, bem como dirige o modo e onde  esta  relação se dará. Assim, como instituição social, a família reflete  as transformações culturais dos povos: valores, usos e costumes, hábitos, pensamento religioso e político, etc. Consequentemente, os problemas sociais serão sempre frutos de uma desestruturação familiar.

Isto fica evidente quando olhamos para os grandes problemas sociais que enfrentamos hoje. Assistimos crianças abandonadas por pais que não souberam planejar sua família ou administrar os conflitos, maiores ou menores, mas sempre existentes na vida a dois. Vemos adolescentes mergulhados em drogas ou prostituição, na sua maioria frutos de lares frios, carentes de afeto e de diálogo. Sofremos ao assistir fatos como as revoltas em abrigos para menores, ou o uso de armas de fogo por jovens instigados pela violência, que nos mostram o quanto nossas famílias têm deixado de trabalhar o respeito pelo próximo e a aquisição de padrões morais rígidos para uma boa consciência pessoal e vivência social.

Não pode haver dúvidas: se queremos mudanças sociais, devemos começar a investir mais no cerne da sociedade, na sua célula máter. Precisamos nos voltar às famílias, num esforço conjunto entre o Estado e a Igreja. Esta é também um espaço social, portanto possui o poder de formar opiniões, onde famílias se reúnem e podem ter seus valores pessoais transformados.

Precisamos nos lembrar que, mais do que ir `a igreja,  freqüentando templos caríssimos ou simples, nós somos Igreja, e estamos Igreja especialmente em nossos lares, onde somos mais íntimos e singulares. É por esta razão que a Igreja começa em casa – cuidar da família é mais importante do que cuidar de não familiares ou da obra de Deus. É exatamente isto que Paulo enfatiza quando escreve o capítulo 5 de sua primeira carta a Timóteo, especialmente o versículo 8: Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente.

A família é a célula máter da sociedade – e saber isto implica entender que famílias abençoadas implicam em igrejas abençoadas, que famílias equilibradas implicam em uma sociedade sadia.

10 comentário
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COMENTÁRIOS

  • De: Leonor Stevanatto

    Comentario: Como crente em Jesus, casada, mãe e avó, e agora estudando psicologia, sinto-me privilegiada por saber que você existe minha querida. Parabéns, que Deus, o nosso bom Deus continue te usando.
  • De: Leonor Stevanatto

    Comentario: Como crente em Jesus, casada, mãe e avó, e agora estudando psicologia, sinto-me privilegiada por saber que você existe minha querida. Parabéns, que Deus, o nosso bom Deus continue te usando.
  • De: Ev. Ferreira Matos

    Comentario: Parabéns Dra. Elaine Cruz, continue escrevendo sobre temas importantes assim; e de forma simples, passar para as pessoas entenderem os seus valores.
  • De: marcos

    Comentario: se tivermos uma "meia duzia" de pessoas como a senhora teríamos uma sociedade melhor !Que Deus continuei lhe a abençoando...
  • De: Cristiano Jr

    Comentario: Deus continue vos abençoando cada vez mais!
  • De: Phelipe Cavalcante Belo

    Comentario: Dra. Elaine, parabéns pelo excelente texto. Uma reflexão importante e pertinente para o momento atual, pois no Brasil, exitem cerca de 60 milhões de menores de idade; destes, 20 milhões são filhos de pais separados e aproximadamente 16 milhões sofrem da síndrome da alienação parental em algum grau.
  • De: paulo

    Comentario: bonm
  • De: Bárbara Santana Cruz

    Comentario: Olá, O Senhor tem abençoado muitas famílias através de sua vida! uma delas é a minha!!! Bárbara
  • De: Bárbara Santana dos Sant

    Comentario: A paz do Senhor amada! Participei do último congresso da EBD no RJ e amei muito sua plenária e palestra. Deus tem abençoado muito meu casamento depois deste congresso (BA). Que Deus possa continuar a irmã e sua família. No congreso em Salvador tb participei de suas palestras e não perco mais.... bj Bárbara Cruz
  • De: Moisés Alves Alcântara

    Comentario: Muito pertinente e boa a sua colocação professora, tenho 33 anos de casado e procurei educar meus dois filhos dentro dos padrões de respeito mútuo e liberdade de expressão, porém, sempre levando em consideração o amor de Deus e o preceito de que tudo o que podemos está ladeado ao que os outros também podem e, o respeito aos nossos limites tem que ser considerado em todos os atos que iremos realizar. Todos os ensinamentos recebidos na família serão os vetores para a nossa vida, se fo

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