Colunistas

Pr. Douglas Baptista

Pr. Douglas Baptista

A depravação da sexualidade em tempos modernos

Sex, 20/07/2018 por

Quando uma sociedade adota a identidade de gênero como parâmetro ou medida, os valores e os conceitos morais tornam-se relativos. Caso fosse verdadeiro que o ser humano tenha capacidade para “autoconstruir” seu próprio gênero “nenhum modo de relação sexual poderá ser considerado puro ou impuro, certo ou errado” (SCALA, 2011, p. 65).

Assim, instala-se o relativismo e a resultante inversão/alteração de valores (Is 5.20). A partir disso, não se poderá restringir a liberdade sexual de ninguém. A começar pelo postulado básico da “identidade de gênero” de que não existe uma identidade biológica em relação à sexualidade e que todas as relações sexuais são apenas o construto da sociedade, então toda a relação sexual consentida será considerada moralmente boa e, portanto, lícita e aceitável, não sendo passível de crítica ou condenação por parte da sociedade e das autoridades públicas.

Em vista disso são desconstruídas as relações familiares, o casamento, a reprodução, a educação, a religião, a sexualidade, dentre outros. Práticas que hoje são moralmente condenadas passarão a ser consideradas igualmente lícitas tanto do ponto de vista moral, legal e jurídico. Depravações sexuais como zoofilia (sexo do homem com animais); necrofilia (atividade sexual com cadáver) e até a pedofilia (sexo de adultos com criança) serão toleradas como resultado da aceitação da “ideologia de gênero”.

Convém aqui registrar que a prática da zoofilia é tipificada como crime (Art. 32, Lei 9.605/1998), a necrofilia (Art. 212, Código Penal Brasileiro), bem como a pedofilia é considerada crime contra vulnerável previsto no Código Penal Brasileiro (Art. 217-A), além de ser tipificada como doença na categoria “Transtornos da preferência sexual” listada na Classificação Internacional de Doenças (CID-10, Código F65.4).

Apesar de estarmos conscientes destes fatos, sabemos que a cultura se modifica e seus conceitos e valores podem ser relativizados. Entretanto, as Escrituras Sagradas ensinam que as verdades divinamente reveladas independem da cultura, e, portanto, não são passíveis de alteração. Para o cristão a autoridade e a inspiração divina das Escrituras são fatos inquestionáveis.

 

O reformador alemão Martinho Lutero (1483-1546), compreendia que o sentido de “Sola Scriptura” era literal, ou seja, somente a Escritura – e não a Escritura somada à interpretação dos homens ou a cultura dos povos – é a fonte de revelação cristã. Sua defesa era pela centralidade da palavra de Deus. (LUTERO, v. 2, 2000. p. 403). O reformador holandês Jacó Armínio (1560-1609) igualmente defendeu a centralidade das Escrituras e ensinou que todas as doutrinas necessárias para o cristão já nos foram transmitidas pela revelação da Palavra de Deus (ARMÍNIO, v. 1, 2015, p. 377). Portanto, para o cristão as doutrinas bíblicas se constituem em única autoridade infalível de fé e prática e não podem ser modificadas.

 

Douglas Roberto de Almeida Baptista

Pense nisso!

 

Notas Bibliográficas

SCALA, Jorge. Ideologia de Gênero: o neototalitarismo e a morte da família. São Paulo: Editora Katechesis, 2011.

LUTERO, Martinho. Obras Selecionadas: o programa da reforma escritos de 1520. Vol. 2. São Leopoldo e Porto Alegre: Editora Sinodal e Editora Concórdia, 2000.

ARMÍNIO, Jacó. As Obras de Armínio. Vol. 1 a 3. Rio de Janeiro: CPAD, 2015.

6 comentários

LUCAS MENDES SANTIAGO

Quando confrontamos a Palavra de Deus com a ideologia de gêneros podemos perceber que os defensores desta ideologia tem como propósito desconstruir a ética, a moral e a cultura cristã. E, infelizmente, muitos já aderiam a esta ideia maluca, que conspira contra a família e conta os valores que norteiam a sociedade organizada. Que Deus tenha misericórdia de nós e de nossos filhos. Obrigado Pr. Douglas pelos esclarecimentos e pelo alerta contra esse desserviço à nossa geração.

Maria de Lurdes Cardoso P

Esperem pelas consequências de leis absurdas e desonestas. Não há limites para a imaginação humana e estou a falar no mau sentido. Que felicidade lhes poderão dar certas práticas! A destruição do género humano poderá começar pela completa liberdade e licenciosidade protegidas pela lei( infelizmente). Tudo é permitido e, no final, vazio, desânimo e morte. Sim é isso que espera a quem não se controla e não aceita que a verdadeira liberdade exige responsabilidade e empenho.

Sérgio Luís

Pastor Douglas, a paz do Senhor. Texto bastante esclarecedor. E infelizmente, atualíssimo. Assim como o anterior que nos falava sobre o aborto. Urge que a igreja do Senhor de manifeste em defesa dos princípios BÍBLICOS.

Eduardo Salles

Como a sutileza da ideologia de gênero é nociva. O discurso dos defensores é bonito e parece proteger interesses da massa, mas no final é apenas um modo de quebrar a barreira moral que impede as discrepâncias sexuais de serem praticadas livremente. Parabéns pelo Texto Pr Douglas

Carlos Júnior

Excelente artigo, pastor Douglas. Se os sodomitas que sucumbiram ao fogo e enxofre do juízo divino ressuscitassem, teriam vergonha de viver em nossos dias. É igualmente lamentável que muitos cristãos desapercebidos ou mesmo alienados chegam a apoiar partidos políticos que defendem ideologias malignas como a identidade de gênero.

Rubilar

Deus seja louvado por sua vida Pr Douglas. Um tema preocupante, pois vivemos a época do politicamente correto, e muitos já aceitaram o falso como verdade em troca de benefício para si. Quando vejo o Sr sendo atalaia ficamos felizes em saber que ainda, há voz que clama no deserto. Glória a Deus.

Deixe seu comentário







Perfil

Douglas Baptista é pastor, líder da Assembleia de Deus de Missão do Distrito Federal, doutor em Teologia Sistemática, mestre em Teologia do Novo Testamento, pós-graduado em Docência do Ensino Superior e Bibliologia, e licenciado em Educação Religiosa e Filosofia; presidente da Sociedade Brasileira de Teologia Cristã Evangélica, do Conselho de Educação e Cultura da CGADB e da Ordem dos Capelães Evangélicos do Brasil; e segundo-vice-presidente da Convenção dos Ministros Evangélicos das ADs de Brasília e Goiás, além de diretor geral do Instituto Brasileiro de Teologia e Ciências Humanas.

COLUNISTAS