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Pr. Douglas Baptista

Pr. Douglas Baptista

O uso correto dos dons espirituais

Seg, 16/04/2018 por

A Igreja Assembleia de Deus pauta sua liturgia nos textos paulinos. O apóstolo orienta os crentes a procurar “com zelo os melhores dons” (1Coríntios 12.31), e na concepção paulina os melhores dons são aqueles que mais edificam a Igreja (1Coríntios 14.5).

Assim, na liturgia assembleiana, aquele que tem o dom de “variedades de línguas” é exortado a orar para que possa interpretar (1Coríntios 14.13). Se não houver intérprete, deve ficar calado (1Coríntios 14.28), pois o que fala língua estranha sem interpretação não edifica a Igreja (1Coríntios 14.3) [1].

Ainda seguindo a orientação de Paulo, é preciso manter a ordem no falar línguas em voz alta durante o culto. Isso deve ser feito por dois ou no máximo três fiéis (1Coríntios 14.27-28). As orientacões também fazem referência ao uso do dom de profecia. O apóstolo considera como profecia a “fala aos homens para edificação, exortação e consolação” (1Coríntios 14.3). Por isso a preocupação com o uso desse dom: falem dois ou três profetas, e os outros julguem” (1Coríntios14.29).

A orientação é ouvir com atenção e atentar para ver se a profecia procede ou não de Deus. Em 1 Coríntios (1Coríntios 14.30) , o apóstolo permite que um profeta interrompa o outro, porquanto todos podem profetizar uns depois dos outros, pois os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas  (1Coríntios 14.32). Aqueles que não possuem esse autocontrole são considerados meninos de entendimento (1Coríntios 14.20).

Assim, de acordo com os escritos da Nova Aliança, a Assembleia de Deus considera que os dons espirituais estão disponíveis à Igreja e que o dom da profecia também é contemporânero, mas deve estar sujeito ao ensino autorizado das Escrituras, pois na Igreja primitiva não eram as profecias que mostravam a direção à Igreja, e sim o ensino contínuo da Palavra de Deus (1Timóteo 4.11; 6.2; 1Coríntios 4.17; 2Tessalonicenses 2.15).

Pense Nisso!

Douglas Roberto de Almeida Baptista

 

Fonte: BAPTISTA, Douglas Roberto de Almeida. História das Assembleias de Deus: o grande movimento pentecostal do Brasil. Curitiba: Intersaberes, 2017. p. 254, 255.

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[1] A Assembleia de Deus no Brasil tem uma interpretação que difere o “falar línguas estranhas” como evidência inicial do batismo no Espírito Santo do dom espiritual “variedades de línguas”. Este último dom obedece à orientação paulina e requer interpretação para a edificação da Igreja, porém o “falar línguas estranhas” como batismo ou renovação no Espírito Santo é compreendido como o agir de Deus que visa à edificação pessoal do crente, e nesse caso não se requer interpretação nem mesmo repreensão (HORTON, Stanley. Teologia Sistemática Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p. 476).

9 comentários

RUBENS

Em tempos de meninices e emocionalismo exagerado dentro dos templos, faz-se necessário a leitura e consequentemente reflexão da coluna escrita pelo Pastor Douglas. Vivemos tempos difíceis, pessoas falando em línguas ao bel prazer sem nenhum revestimento e direção espiritual. Parabéns Dr, Douglas, pela orientação a respeito do assunto.

CARLOS JUNIOR

Cremos na atualidade da manifestação dos dons espirituais. A busca do equilíbrio na manifestação deles, notadamente os dons de elocução ou verbais, é realçada nas Escrituras, em especial nas Cartas Paulinas. Se por um lado, não se deve extinguir o Espírito (1 Ts 5.19), por outro, recomenda-se fazer tudo para edificação (1 Co 14.26). Além disso, a manifestação do dom de profecia, no novo pacto, não tem conotação diretiva, tal como ocorria na Antiga Aliança.

Rodolfo Céspedes

Percebe-se que os dons Espirituais continuam sendo disponíveis para todos os verdadeiros cristão que buscam com zelo conforme a Bíblia, assim também, ela nos monstra os cuidados que devemos observar no uso de cada dom. O artigo aqui trazido pelo Pr Douglas Baptista sintetiza muito bem o que as Sagradas Escrituras nos ensina e nos adverte a cerca principalmente dos dons de variedades de línguas e de profecias.

Carla Wilges

Em tudo que foi visto no artigo uma coisa fica clara, o autocontrole que a Bíblia nos exorta para que seja usado. Os dons não estão disponíveis para exaltar alguns, O Senhor dá os dons conforme a Sua Soberana vontade, e usa cada indivíduo segundo Seus propósitos. Por isso Paulo destaca a importância de que sejam usados para edificação da igreja e não do individuo, a preocupação do apóstolo com a maturidade espiritual, o constante aprendizado e a importância de lideres capacitad

Alan Neander

Os dons espirituais são ocasionais,ou seja devem ser externados através das circunstâncias em que o cristão estiver envolvido e aplica-lo da melhor forma, através do conhecimento, sabedoria e discernimento de espíritos. O dom de línguas é de maior proveito para edificação própria, porém não proibida, no entanto o dom de profetizar é mais relevante, pois muitos serão beneficiados. A fé vem pelo ouvir, e pelo ouvir a palavra de Deus(Rom10.17). A fé é um dom e significa confianç

Jefferson Brito de Souza

Concordo com o pastor Douglas, os dons espirituais estão a disposição dos crentes contemporâneos, Pedro afirmou que estes dons são para todos o que o Senhor nosso Deus chamar, At 2.39 e Jl 2. 28, 29. E devemos zelar para que a Igreja cumpra a vontade de Deus utilizando os dons conforme Paulo exortou.

BENEDITO ROGÉRIO DA S. R

COMO JÁ É DE PRAXE, MAIS UMA EXCELENTE EXPLANAÇÃO TEOLÓGICA. CHAMA A ATENÇÃO A ORIENTAÇÃO DO APÓSTOLO PAULO, DIZENDO QUE OS DONS MAIS APROPRIADOS, SÃO OS QUE EDIFICAM A IGREJA. SEGUNDO O DICIONÁRIO, UM DOS SIGNIFICADOS DE EDIFICAR É: “INDUZIR AO BEM E À VIRTUDE”. VÊ-SE QUE DEUS CONCEDE OS DONS ESPIRITUAIS AOS SEUS SERVOS, PARA BÊNÇÃO E CRESCIMENTO ESPIRITUAL DO CORPO DE CRISTO E QUE, UM VIVER PAUTADO NA PALAVRA DE DEUS É O QUE NOS GARANTE A SALVAÇÃO. “2018: ANO DE VIGI

Antônio José de Sousa D

Excelente reflexão pastor Douglas, porque muitos crentes, não entendem o que é falar em línguas estranhas e alguns que falam não sabe o limite, portanto foi oportuno esse artigo. Parabéns.

Rubilar

Vivemos tempos trabalhosos onde muitas pessoas estão a seu Bel prazer, fazendo suas próprias interpretações e por esse fato ha no meio evangélico muitos confundindo ação do Espírito Santo, com emocionalismo e falsas revelações. Por esse fato somos gratos a Deus por sua vida vida Pr Douglas . Esse texto que o Senhor nos brinda atraves de sua vida é muito necessário e atual, pois temos que estar atentos a anátema. Deus lhe abençoe.

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Perfil

Douglas Baptista é pastor, líder da Assembleia de Deus de Missão do Distrito Federal, doutor em Teologia Sistemática, mestre em Teologia do Novo Testamento, pós-graduado em Docência do Ensino Superior e Bibliologia, e licenciado em Educação Religiosa e Filosofia; presidente da Sociedade Brasileira de Teologia Cristã Evangélica, do Conselho de Educação e Cultura da CGADB e da Ordem dos Capelães Evangélicos do Brasil; e segundo-vice-presidente da Convenção dos Ministros Evangélicos das ADs de Brasília e Goiás, além de diretor geral do Instituto Brasileiro de Teologia e Ciências Humanas.

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