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Pr. Douglas Baptista

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Pentecostalismo, dons espirituais e línguas estranhas

Qua, 22/11/2017 por

A validade dos dons espirituais para os dias atuais é doutrina fundamental para o pentecostalismo. A doutrina dos dons espirituais e o batismo no Espírito Santo com evidência inicial de falar noutras línguas são a ênfase principal do movimento pentecostal. Contudo, as demais doutrinas bíblicas não são desprezadas e ocupam o mesmo grau de importância na teologia e no ensino bíblico. O termo “pentecostal” ou “pentecostalismo” deriva-se do derramamento do Espírito Santo na festa do Pentecostes em Jerusalém. Os assembleianos preferem ser reconhecidos como “pentecostais”, e não como “carismáticos”.

Tal predileção pode ser explicada por uma tênue diferença no conceito de ambas as expressões. O termo carismático, em sua etimologia, significa que todos os dons são concedidos por Deus segundo a sua vontade. Dessa forma desraigada da crença da contemporaneidade, os dons são sempre carismáticos, ou seja, livremente outorgados. Por outro lado, o entendimento do termo pentecostal, entre demais conceitos, é referência àqueles que não apenas reconhecem os dons como dádivas concedidas por Deus, mas também creem em sua contemporaneidade. (Baptista, 2017, p. 252) 

Outro destaque relevante para a teologia pentecostal se refere à interpretação que difere o “falar línguas estranhas” como evidência inicial do batismo no Espírito Santo do dom espiritual “variedades de línguas”. Este último dom obedece à orientação paulina e requer interpretação para a edificação da Igreja, porém o “falar línguas estranhas” como batismo ou renovação no Espírito Santo é compreendido como o agir de Deus que visa à edificação pessoal do crente, e nesse caso não se requer interpretação nem mesmo repreensão (Horton, 1996, p. 476)

Pense nisso!

Douglas Roberto de Almeida Baptista

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BAPTISTA, Douglas Roberto de A. História das assembleias de Deus: o grande movimento pentecostal do Brasil. Curitiba: Intersaberes, 2017.

HORTON, S. M. (Ed.). Teologia sistemática: uma perspectiva pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.


11 comentários

Luan Pirajá

Excelente artigo do nosso Pastor Douglas. O Pentecostalismo que se iniciou la na rua Azusa em Los Angeles nos EUA e o seguimento de nossa igreja. O reavivamento trazido nesse período mudou o quadro evangélico ao redor do mundo, trazendo novamente a doutrina dos Dons Espirituais e do Batismo com o Espírito Santo e consequentemente o falar linguas estranhas. Esse movimento foi essencial para o surgimento da Assembléia de Deus. Que possamos ter discernimento ao identificar o agir de Deus de emo

Ailton silva junior

Muito bom esse artigo Pr Douglas Baptista ! Hoje em nossa sociedade as pessoas confundem o mover do Espirito Santo com emocionalismo e acabam exagerando em suas ações,hoje muitas pessoas que se diz ser pentecostais acabam banalizando o verdadeiro pentecostal.O Nosso Deus ainda opera sinais e maravilhas no meio do seu povo, ainda opera batismos, revelação,profecias etc... O nosso Deus não mudou e nunca mudará.

LUCAS MENDES SANTIAGO

Gostei muita do artigo que esclarece a diferença entre o falar em líguas estranhas concernente ao batisno no Espírito Santo e o Dom de Variedade de Línguas, onde este se faz necessário o cumprimento das orientações paulíneas, que adverte da necessidade de intérprete para esclarecer aos ouvintes o que Deus está falando para a Igreja. Ensina, também, da impotância da livre manifestação do Espírito Santo nos cultos dos verdadeiros pentecostais. Obrigado Pr. Douglas pelos esclarecimen

Rogerio

O batismo no E.S., ocorrido na época da Igreja Primitiva, foi o poder que ela precisava para dar prosseguimento a obra de Cristo. Sem este revestimento ela não teria forças para resistir as perseguições que viriam. Logo após a descida do E.S. os apóstolos ficaram ousados e como ganharam almas para o Senhor. Infelizmente existem hoje igrejas que não creem na atualidade dos dons espirituais, mas as que creem além do robustecimento tem cumprido com mais eficiência o seu papel de ganha

Guilherme Andrade

Bastante importante a sua colocação Pastor; à diferenciar as posições nomeadas Carismáticos e Pentecostais, como também dirimir a falta de conhecimento e interpretação, a cerca do Batismo no Espírito Santo e o Dom do Espírito, no sentido de Falar em outras línguas e Variedades de Línguas.

Marco Aurélio

Muito interessante a colocação. Particularmente não sabia da diferenciação entre "variedade de línguas" e o "falar línguas estranhas". Esse esclarecimento porém me suscitou uma dúvida: então todo crente batizado no Espírito Santo deve falar línguas estranhas? Obrigado pastor, seus esclarecimentos tem sido de grande edificação para mim e para minha família. Deus o abençoe.

Priscila Chagas Verçosa

Paz do Senhor! Realmente os dons espirituais são de suma importância para os pentecostais, onde se destaca "o falar em línguas". No entanto, vemos, em alguns lugares, uma confusão acerca desse dom. É muito importante que a igreja seja doutrinada corretamente, para que o nome de Jesus seja glorificado e não escandalizado, como também, o Espírito Santo tenha plena liberdade de agir na Igreja. Os Dons são nos concedido como uma "segunda graça" e deve ser usado com sabedoria!

Carlos Junior

Há diferença entre o falar em línguas como evidência inicial do batismo com o Espirito Santo e como manifestação do dom espiritual de variedade de línguas. O primeiro serve para edificação individual e particular do cristão que crê e vivencia a atualidade do batismo pentecostal. Já o segundo, quando manifesto, traz edificação à igreja de Cristo e faz as vezes da profecia. No porém, é preciso que haja interpretação. É o único dom que só se manifesta associado a outro.

LUCAS MENDES PEREIRA

Paz do Senhor Pastor Douglas, confesso que quando vi o tema do texto me despertou bastante pois é sobre algo que tenho estudado e tentado compreender ultimamente, mesmo sendo assembleiano desde menino, não concordo com muitas coisas em nossa teologia pentecostal, tentei buscar algo nesse texto porém ficou muito vago, não explicou praticamente nada. Paz de Cristo

LUIZ HENRIQUE CIRILO

MUITO INTERESSANTE ESSA ABORDAGEM. PR. DOUGLAS, AGORA EM NOSSOS DIAS POR ACASO NÃO SE PERCEBE UMA FALTA DE SABEDORIA NO USO DESSES DONS, PRINCIPALMENTE O DE LIGUAS ESTRANHAS E PROFECIA?

RUBILAR DAVILA DIAS

Prezado Pr Douglas. Artigos muito importante, pois ele nos da orientações que são atuais e necessárias, pois desvenda a linha ténue entre a ação do Espirito Santo e o emocionalismo "falar estranhas línguas" muito presentes em nossa atualidade. . Que o Senhor continue sempre lhe abençoando.

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Perfil

Douglas Baptista é pastor, líder da Assembleia de Deus de Missão do Distrito Federal, doutor em Teologia Sistemática, mestre em Teologia do Novo Testamento, pós-graduado em Docência do Ensino Superior e Bibliologia, e licenciado em Educação Religiosa e Filosofia; presidente da Sociedade Brasileira de Teologia Cristã Evangélica, do Conselho de Educação e Cultura da CGADB e da Ordem dos Capelães Evangélicos do Brasil; e segundo-vice-presidente da Convenção dos Ministros Evangélicos das ADs de Brasília e Goiás, além de diretor geral do Instituto Brasileiro de Teologia e Ciências Humanas.

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