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Pr. Douglas Baptista

Pr. Douglas Baptista

As Escrituras Sagradas e o credo assembleiano

Qua, 07/06/2017 por

1. Martinho Lutero discordava que a tradição da igreja pudesse estar acima ou até mesmo equiparada com a autoridade das Escrituras. Em sua tese de número 54, o reformador reclamava que a Palavra de Deus recebia menor tempo que a divulgação das indulgências no mesmo sermão[1]. Para ele a Bíblia Sagrada era determinante para a formulação de toda e qualquer doutrina cristã. A começar por esta ideia, a Reforma desenvolveu o princípio teológico da “sola scriptura” (somente a Escritura). O reformador na Suíça, Ulrico Zwínglio (1484-1531) ensinava que “além da Bíblia, a igreja não tem outra autoridade”[2]. Os demais reformadores seguiram nesta direção. O reformador holandês Jacó Armínio (1560-1609) escreveu e ensinou que as Escrituras:

“merecem obediência, pela credibilidade conferida a elas, quando ordena ou proíbe alguma coisa [...] A autoridade de qualquer palavra ou texto depende de seu autor [...] Deus é de infalível veracidade [...] Ele é o autor das Escrituras, a autoridade delas depende total e exclusivamente dEle” [3].

 2. Esta concepção não é diferente na doutrina adotada pelo pentecostalismo. Já na abertura do “cremos” das Assembleias de Deus, o ponto um declara ser a “Bíblia Sagrada a única regra infalível de fé e prática para a vida e o caráter cristão”[4]. Por sua vez a “Declaração de Fé” acrescenta que “a inspiração da Bíblia é especial e única, não existindo um livro mais inspirado e outro menos inspirado”[5] apresenta ainda as Escrituras como sendo “a inerrante, completa e infalível Palavra de Deus que não pode ser anulada”[6] (Jo 10.35). Deste modo toda a experiência pentecostal deve passar pelo crivo das Escrituras Sagradas. Adota-se, portanto, como fundamento que a “Bíblia deve ser a primeira e a última palavra para qualquer declaração de fé”[7].

 

Reflita nisto!

Douglas Roberto de Almeida Baptista


[1]FERREIRA, Paulo. A Reforma em quatro tempos. Rio de Janeiro: CPAD, 2017. p. 87.

[2]MCGRATH, Alister. A Revolução Protestante. Brasília: Editora Palavra, 2012. p. 74.

[3]ARMÍNIO, Jacó. As obras de Armínio. Rio de Janeiro: CPAD, 2015. Vol. 1. p. 87.

[4]CGADB. Declaração de Fé. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p. 13.

[5]CGADB. Declaração de Fé. Cap. I. Sobre as Sagradas Escrituras. Rio: CPAD, 2017, p. 15.

[6]Ibid., Cap. I, p. 15.

[7]CÉSAR, Elben M. Lenz. Conversas com Lutero. Viçosa: Ultimato, 2006. p. 222.

9 comentários

Leonardo

Paz do Senhor a todos! Estou iniciando minha caminhada na Assembleia de Deus, estou muito feliz nesta jornada. Creio que não exista autoridade maior que as escrituras sagradas (Bíblia) pois foram inspiradas por Deus e portanto temos o dever moral de seguir seus ensinamentos como uma lei.

PAULO MORORÓ

As Assembleias de Deus vive uma fortíssima crise de “forma de governo eclesiástico”, com influências de nepotismo, domínios de feudos eclesiástico, regimes de dinastias eclesiásticas e outras formas antibíblicas e mundanas semelhantes a estas; pergunta-se: Será que o novo Credo (Cremos) ou Declaração de Fé não DEVERIA apontar ou definir um perfil bíblico (sola PALAVRA) de administração eclesiástica, principalmente com respeito as substituições pastorais?

Caro Cristão Anônimo

Sola o quê!? Vejo pastores em suas abordagens de usos e costumes, na prática jogarem no lixo o Sola Scriptura, -- uma vasta maioria do pastorado assembleiano, vosso elefante branco --, colocando regras e modos de homens (ignorado a grandeza da liberdade e justiça que há em ensinar os princípios bíblicos dando responsabilidade à ovelha), em pé de igualdade com a Bíblia , as vezes até sabotando o texto.O Sola Scriptura da denominação ainda é, via de regra, ao estilo conveniência. In

Daniele Amorim Fernandes

Verdade!! Paulo já dizia "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema (considerado maldito)... Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema Gl 1:8,9 Lucífer era um anjo de luz, em 2 CO 11:14 fala que Satanás para enganar transfigura em anjo de luz. Então não podemos deixar levar por qualquer que tem aparência piedosa e que esteja, mesmo que em um astuto ponto, em desacor

Rubilar

Deus continue lhe usando na área de ensino cada dia mais Pr Douglas. Seu artigos, sempre inspirados e elucidativos.

Sérgio Luís

Glória à Deus! Pr.Douglas, a paz do Senhor. Nestes dias de frieza espiritual e falta de identidade cristã da igreja, onde "o que eu acho" é mais importante que a vontade de Deus,textos como este são de extremamente necessários. Como diz o hino 259 da HC "creio eu na bíblia..."

EMANUEL OLIVEIRA

PARABÉNS PR DOUGLAS PELO TEXTO! VERDADEIRAMENTE NOS DIAS ATUAIS PRECISAMOS CADA VEZ MAIS FUNDAMENTAR NOSSA FÉ NA INTERPRETAÇÃO LITERAL DAS ESCRITURAS, POIS VIVEMOS EM UM TEMPO DE TOTAL INVERSÃO DE VALORES E UMA PROFUNDA CRISE DE INTEGRIDADE, MUITO DISCURSO E POUCA PRÁTICA. MAS QUE POSSAMOS GUARDAR A PALAVRA EM NOSSOS CORAÇÕES E DEIXAR QUE O ESPIRITO SANTO NOS MOLDE DE ACORDO COM AS SAGRADAS ESCRITURAS. "Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti. Salmos 119:11"

Pastor lucio

Todo avivamento espiritual na história das escrituras sagradas nasceu tanto com a leitura da Palavra é da oração, qualquer outro movimento que não nasça das escrituras e da oração não é autêntico. Creio que está reforma a qual o amado pastor Douglas preside trará um grande avivamento na igreja do Senhor. Parabéns a todos que estão envolvidos nesse trabalho.

Pastor lucio

Todo avivamento espiritual na história das escrituras sagradas nasceu tanto com a leitura da Palavra é da oração, qualquer outro movimento que não nasça das escrituras e da oração não é autêntico. Creio que está reforma a qual o amado pastor Douglas preside trará um grande avivamento na igreja do Senhor. Parabéns a todos que estão envolvidos nesse trabalho.

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Perfil

Douglas Baptista é pastor, líder da Assembleia de Deus de Missão do Distrito Federal, doutor em Teologia Sistemática, mestre em Teologia do Novo Testamento, pós-graduado em Docência do Ensino Superior e Bibliologia, e licenciado em Educação Religiosa e Filosofia; presidente da Sociedade Brasileira de Teologia Cristã Evangélica, do Conselho de Educação e Cultura da CGADB e da Ordem dos Capelães Evangélicos do Brasil; e segundo-vice-presidente da Convenção dos Ministros Evangélicos das ADs de Brasília e Goiás, além de diretor geral do Instituto Brasileiro de Teologia e Ciências Humanas.

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