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Pr. Douglas Baptista

Pr. Douglas Baptista

Martinho Lutero e a Reforma Protestante

Ter, 01/11/2016 por

O teólogo escocês William Cunningham declarou que a Reforma Protestante do século XVI “foi o maior evento, ou série de eventos, desde o encerramento do Cânon das Escrituras” (George, 2007, p. 15).

 

O reformador

Martinho Lutero nasceu em 10 de novembro de 1483, em Eisleben. A pedido dos pais se inscreveu na escola de Direito na Universidade de Erfurt, mas não chegou a estudar. Isso porque durante uma forte tempestade quase foi atingido por um raio. Como escapou da morte ele entrou para a ordem dos Agostinianos, de Frankfurt, a 17 de julho de 1505.

 

A formação teológica

Em 18 de outubro de 1512, Lutero concluiu seu doutorado em teologia. Começou a escrever sermões, primeiro em Salmos, depois Romanos, Gálatas, Hebreus e novamente Salmos. Mais tarde, Lutero observou: “No transcorrer desses estudos, o papado soltou-se de mim”. (George 2007:58-59).

 

A Doutrina da Justificação pela Fé Somente

A justificação foi o tema central da Reforma da Alemanha, doutrina que passou ser posteriormente um dos princípios básicos do protestantismo. Em 1517, Lutero viu surgir à sua frente aquilo que era a negação total da justificação pela fé: o monge dominicano Teztel, representante autorizado da Igreja estava vendendo indulgências. Foi então que Lutero reagiu elaborando as 95 teses que foram afixadas na porta da igreja do castelo de Wittemberg em 31 de outubro de 1517, as quais condenavam os abusos do sistema de venda de indulgências (SOARES 2013:79).

 

As 95 teses

Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero fixou na porta da Igreja em Wittenberg na Alemanha as famosas 95 teses que deflagrariam a Reforma Protestante. Eis o que dizia o preâmbulo da convocação:

Por amor à verdade e no empenho de elucidá-la, discutir-se-á o seguinte em Wittenberg, sob a presidência do reverendo padre Martinho Lutero, mestre de Artes e de Santa Teologia e professor catedrático desta última, naquela localidade. Por esta razão, ele solicita que os que não puderem estar presentes e debater conosco oralmente o façam por escrito, mesmo que ausentes. Em nome do nosso Senhor Jesus Cristo. Amém”

 

Nasce o protestantismo

Em junho de 1520 Lutero escreveu O Papado de Roma, em que apresenta a Igreja Ideal. Em agosto do mesmo ano, redigiu a obra Apelo à Nobreza da Nação Alemã, na qual nega a autoridade do papa e faz um apelo à nobreza para lutarem contra a Igreja Católica. Em 1520, no mês de outubro, publicou O Cativeiro Babilônico, em que defende o sacerdócio de todos os crentes. No mês seguinte, escreveu Da Liberdade Cristã, endereçada ao papa, ao qual afirma que o ser humano é livre. Em Controvérsias de Heidelberg, em 1518, Lutero expõe a teologia da cruz. E com a publicação da obra Sobre os Votos Monásticos, em janeiro de 1521, houve grande debandada da Igreja Católica (SOARES 2013:80-81).

A Alemanha então se dividiu. Na Dieta de Spira, em 1526, os luteranos conseguiram firmar um acordo em que o governante de cada estado poderia escolher livremente a fé a ser seguida. Uma segunda dieta, na mesma cidade, realizada em 1529, revogou essa decisão e declarou ser, por lei, a fé católica romana a única fé. Diante disso os príncipes luteranos redigiram e leram um “Protesto”, razão pela qual passaram a ser chamados de “protestantes” (SOARES 2013:85).

 

Considerações Finais

A fidelidade da igreja evangélica no passado contrasta fortemente com sua infidelidade no presente. O mundo evangélico de hoje está perdendo sua fidelidade bíblica. Na medida em que o fim dos tempos vem chegando temos testemunhado uma explosão de seitas e religiões falsas. Dividindo famílias e igrejas, levando pessoas para a condenação eterna. A sociedade pluralista e relativista que incentiva a proliferação das religiões e seitas precisa ser confrontada com o genuíno Evangelho de Cristo ministrado por uma igreja que tem discernimento, combatendo os falsos ensinos, de maneira respeitosa e com amor. Faz-se urgente o resgate dos princípios teológicos da Reforma Protestante.

 

Reflita nisso!

Douglas Roberto de Almeida Baptista

 

Referência Bibliográfica

GEORGE, Timothy. Teologia dos Reformadores. São Paulo: Vida Nova, 2007.

SOARES, Esequias. Credos e Confissões de Fé. Recife: Editora Bereia, 2013.

11 comentários

Natanael Cardoso

Muito bom o texto. Mas aqui pra nós, se eu Fosse o Bili, eu falaria o que JESUS falou: Aquela Igreja que Cristo edificou ("... e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; Mateus 16:18).

LUCAS MENDES SANTIAGO

Falar da Reforma Protestante, é voltar ao início. Isso se faz necessário para corrigirmos algumas rotas que são distorcidas ao longo dos tempos. Jesus, ao explicar os discípulos alguns questionamentos, respondia: “No princípio não era assim” e, então, explicava como era no princípio. Cumprimento a liderança da Assembleia de Deus pela iniciativa de relembrar os conceitos da Reforma, corrigindo, assim, muitas distorções do verdadeiro propósito do Evangelho de Cristo. Parabén

Luan Pirajá

Excelente texto sobre a reforma protestante....

CARLOS JUNIOR

Parabéns, Pr. Douglas, por mais um texto atual e inspirador. De fato, precisamos retornar aos princípios bíblicos defendidos por Lutero na Reforma. Alçar e brandir a bandeira do autêntico evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, tão deturpado em nossos dias. Só aqueles que tiverem a coragem de se contrapor aos modismos litúrgicos e às inovações teológicas que envergonham a igreja de Cristo e deturpam a mensagem bíblica alcançarão as moradas eternas. Que o Senhor nos ajude.

janilson junior

Me alegro muito, em saber que o dia 31 de outubro não pertence a bruxaria, mas sim a "Reforma Protestante"! Que nos fez Retornar ao "Genuíno Evangelho de Cristo"! Onde "Sola scriptura" nos faz conhecer a Deus e termos acesso a sua Salvação... *Deus, o Eterno, te abençoe meu Pastor, por este esmerado artigo, que nos trouxe elevo a alma e o espírito!!!

Henrique Silveira

Paz do Senhor, Muito bom este artigo, tive o prazer de escuta sobre a reforma sendo ministrada pela Dr. DOUGLAS

Pb Victor

Este texto é de suma importância para as nossas vidas; pois lembra-nos um grande homem de Deus como Lutero, que teve a coragem e ousadia de não aceitar a ''venda'' das indulgências, pela qual pensavam eles que, livrariam o homem do juízo de Deus. E hoje ?será que o homem pós-moderno não tem '''vendido'' a salvação por outros meios ou até mesmo voltando aos séculos anteriores pelo qual só o papa podia ler as escrituras?Sim, infelizmente estamos e temos que fazer a diferença verdade

Tiago

Gostei muito do texto.

JOSÉ CARLOS ALVES DA SIL

Biligran um dos maiores pregadores contemporâneos, respondendo a pergunta de um fiel o qual lhe fez o questionamento: Bili, qual a melhor igreja para se congregar? Ele respondeu, se você descobrir me avise que congregar lá! A grande dificuldade que vejo é que o protestantismo perdeu seu propósito precípuo que é levar o fiel aos pés da cruz. O que se vê são Pastores? Bispos? Apóstolos? Semi-deuses. Que estão pregando o segundo a sua própria interpretação de forma pragmática.

Sérgio Luís

Pr.Douglas,a paz do Senhor. Texto abençoador,além de histórico e,infelizmente, contemporâneo. Infelizmente, porque é notório que a cada dia a “nova" igreja vem se distanciando dos princípios da reforma luterana; e no caso das AD no Brasil, estamos renegando os ideais dos pioneiros Daniel e Gunnar. Que Deus nos guarde. Amém.

Rubilar Dias

Prezado Pr Douglas, mais um texto inspirado por Deus em sua vida. Que Deus lhe de cada dia mais sabedoria e coragem para escrever sobre as verdades de Deus inspiradas ao homem, enquanto muitos escrevem verdades humanas inspiradas por homens, alicerçadas em seu parco conhecimento. Deus seja louvado por sua vida.

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Perfil

Douglas Baptista é pastor, líder da Assembleia de Deus de Missão do Distrito Federal, doutor em Teologia Sistemática, mestre em Teologia do Novo Testamento, pós-graduado em Docência do Ensino Superior e Bibliologia, e licenciado em Educação Religiosa e Filosofia; presidente da Sociedade Brasileira de Teologia Cristã Evangélica, do Conselho de Educação e Cultura da CGADB e da Ordem dos Capelães Evangélicos do Brasil; e segundo-vice-presidente da Convenção dos Ministros Evangélicos das ADs de Brasília e Goiás, além de diretor geral do Instituto Brasileiro de Teologia e Ciências Humanas.

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