Colunistas

Pr. Douglas Baptista

Pr. Douglas Baptista

Senado faz julgamento parcial do impeachment e frustra a nação

Qua, 31/08/2016 por

Em sessão histórica o Senado Federal realiza uma votação no mínimo curiosa, contraditória e incoerente. 61 Senadores consideraram que Dilma Rouseff (PT) era culpada de crime de responsabilidade fiscal e aprovaram seu afastamento definitivo do cargo de presidente da República. Mas, por outro lado, 36 Senadores não aplicaram a pena de inabilitação e assim autorizaram Dilma Rousseff candidatar-se a cargos eletivos e ocupar cargos públicos, ou seja, mantiveram seus direitos políticos.

Essa decisão cria um precedente preocupante na política brasileira e na aplicação dos artigos constitucionais. A Constituição Federal prevê no caso de impeachment duas penas comitantemente: a perda de mandato com a inabilitação para ocupar cargos públicos (Art. 52). No entanto, o presidente do STF Ricardo Lewandowski que presidiu a sessão no Senado, acolheu pedido do Partido dos Trabalhadores para fazer duas votações permitindo a separação das penas: uma votação pela perda do cargo e outra pela inabilitação.

Nos próximos dias questões jurídicas e constitucionais serão amplamente discutidas quanto a esta decisão de Lewandowski e a votação do Senado Federal. No momento, outra questão que preocupa é a gritante especulação em torno de um suposto acordo nos bastidores com o presidente do Senado Federal Renan Calheiros (PMDB-AL). Minutos antes da votação pela inabilitação de Dilma Rouseff, o Senador Calheiros usou da prerrogativa de presidente do Senado e pediu para os Senadores não votarem pela inabilitação de Dilma.

A postura do presidente do Senado causa espanto e denuncia o acordo de parte do PMDB com os partidos aliados do PT. Os doze votos que faltaram para a inabilitação de Dilma Rouseff pertencem justamente aos Senadores do PMDB. A dúvida que surge é saber quais seriam os reais interesses destes Senadores (PT, PMDB, PCdoB, PSB, PTB, PPS, PP, PDT, PPS, PR, REDE) que mantiveram o direito de Dilma a se candidatar e ocupar cargos públicos, mesmo sendo condenada com a perda do mandato. Estariam Renan Calheiros e os demais Senadores blindando a si mesmos com receio da operação lava-jato? Estariam abrindo precedente para a votação da cassação de mandatos em duas fases? A partir de agora, com este precedente poderá um Parlamentar cassado perder apenas o mandato e manter seus direitos políticos? Terá sido o povo outra vez enganado e ludibriado pela hipocrisia de parte do Senado Federal?

O julgamento parcial de Dilma Roussef patrocinado pelo Ministro Lewandowski e Senado Federal frusta os anseios dos brasileiros que desejavam o cumprimento irrestrito da constituição e a punição exemplar para Dilma Rouseff: a perda do mandato e a inabilitação para cargos públicos. Fica então no ar a mesma sensação de indignação vivida pelo profeta Habacuque: “Por esta causa a lei se afrouxa... ; o ímpio cerca o justo, e a justiça se manifesta distorcida” (Hc 1.4).

Qual a sua opinião?

Douglas Roberto de Almeida Baptista

24 comentários

Francisco Silva Azevedo

Muito bom seu texto pastor. Leva-nos a uma reflexão profunda do caos que nossa nação está vivenciando.

Eliseu

Crime de responsabilidade é crime também. Como uma pastor que gere mal uma igreja é um líder do estado que "não sabe" para onde sai o dinheiro público. O Impeachment, não passou na mão de 61 pessoas apenas, foram 27 estados bem representados. Cada senador teve sua quantia de votos, que ultrapassaram a quantia da Presidente Dilma, além de ter passado, de maneira crasso pela Câmara. Um presidente sem o apoio das duas casas. Sem governabilidade. Impeachment foi conduzido na lei. e ela Me

Idayr Rocha Filho

É MUITO VERGONHOSO ,MAIS É PORQUE TODOS TEM CULPA NO CARTÓRIO ATE OS EVANGELICOS QUE AJUNTARAM A ELES ( AQUELE QUE NÃO TEM PECADO ATIRE A PRIMEIRA PEDRA)

Eleno Gutemberg Silva

Só não tem justiça, para os maçons que é envolvidos no escalão da corrupção, e muitos sabem disso, mas preferem se omitir.

Eleno Gutemberg Silva

Os evangélicos na sua maioria, não entende nada de política, na minha opinião é melhor ficar naquilo para que fomos chamados, por que o que vejo é líderes evangélicos em busca de alianças com governos dessa terra, tanto pt como PSDB, ou qualquer outro partido, seja de esquerda, direita, ou qualquer outra posição e ideologia não interfere em nada acerca do agir de Deus para o seu povo, o que faz toda diferença é a posição do povo eleito, na confiança em Deus, evangelizando a na

carlossergio

a atitude do sen. Renan e do min. Lewandovski foi de conivência com o que de errado foi instituído pelo pt durante treze anos; Collor por muito menos foi implacavelmente punido sem qualquer chance de recorrer, já a senhora D,R. teve sen. Katia Abreu pedindo emprego para a já deposta presidente que levou o país ao caos em todas as áreas e sentidos; a urna será nossa resposta; espero que as grandes denominações representadas pelos seus líderes tenham mais cuidado dessa vez em fazer alian

Manoel Rodrigues da silva

Creio que tudo isso que aconteceu foi nada menos para se cumprir as palavras de Jesus que diz;Passa o céu e a terra mas as minhas palavras não hão de passar.há muito tempo vinha se escondendo muitas coisas em nosso País e Deus achou por bem usar alguém para levantar o tapete e começar a limpar a sujeira.E para Deus é assim embora haja sacrifício mais alguém tem que ser o cordeiro.Pois sem sacrifício não ha remissão .

Davi

Pior fizeram os deputados da bancada evangélica (muitos da nossa denominação) em apoiar durante anos sendo base de sustentação politica desse governo que agora caiu!

Davison da Silva Alves

Em primeiro lugar Deus seja louvado por meio de Cristo por sua vida e ministério. .. Em segundo lugar creio que o senhor acerta quando afirma que o ministro Levandwoski e o senado erram em separar votação. .. Já do sentimento dé frustração da população brasileira como úm todo não sei bem se foi assim uma vezona que o povo não comunga do atual governo e muitose não se preocupam com a constituição eu não ficaria tão animado com esta idéia. ..

Carlos Matheus

Caro Pr. Douglas parabenizo-o pela ousadia e pela perspicaz em bramar contra o pecado. É notório que houve uma hermenêutica deficitária e maliciosa da CF. Mas pela graça de Deus ainda há um remanescente fiel para clamar, assim como clamou Habacuque.

Antonio Carlos Ferreira

É muito triste saber que não tem ninguém que zele pela nossa Constituição Federal.

Rubilar

Só nos resta clamar a Deus. Deus seja louvado por sua vida Pr Douglas.

Sérgio Luís

Oremos.

Pastor Lucio

A paz do Senhor pastor Douglas, guando li o seu artigo só consegui me lembrar dos profetas que comiam na mesa de Jezabel. Realmente é uma pouca vergonha.

Maria Alice Campos Hernan

Rasgaram a constituição com certeza em seu artigo 52. Não podemos esquecer que muitos pseudo-cristaos os colocaram aí também. Mas Deus em sua infinita misericórdia está no controle de tudo e nada foge de suas mãos e ele em uma oração nos disse que algo aconteceria e não iríamos entender , mas ele estaria pondo um fim neste governo.continuemos a interceder este é só o comeco, Deus está no controle o nosso papel é clamar pela Nação fiz "Ele"

ANDERSON Seabra Gomes

Creio que foi permissão de Deus, naturalmente! Uma vez que o Anticristo tem que surgir em meio ao caos, ele surgirá para resolver isso, e no mundo, porém até por um período, depois mostrará sua verdadeira face, daí virá o fim!

Pr Luis Eduardo

Situação deplorável! Vamos intensificar nossas orações pela nação!

Ev Emanuel Oliveira

Carissimo Pr Douglas, observamos que ha uma intenção clara de interesses escusos entre o PT e PMDB, para de alguma forma barrar as investigações em curso.O pior é que ainda poderemos ver a sra Dilma ocupando algum cargo público e talvez gozando de foro privilegiado e escapar das investigações.Continuemos em oração para que Deus possa agir em nossa nação.Parabens pelo artigo, que Deus continue lhe usando.

João costa

Para o bem da nossa nação essa primeira etapa era a retirada do PT do poder.mas como fizeram um ações vamos continuar orar pelo Brasil.

Ronaldo Alves da Silva

A euforia de muitos chegou ao ponto de não perceber a facciosa decisão do Senado, Essa senhora não foi punida com a inabilitação para funções públicas. Com isso, ela poderá se candidatar para cargos eletivos e também exercer outras funções na administração pública. Oremos por esse pais meus irmãos.

jesiel da silva de jesus

pra mim já que estão tentando tampar o sol com a peneira, o juiz SERGIO MORO tem que continuar as investigacões não pode parar por causa dessa cassassão né

CARLOS JUNIOR

Dileto pastor Douglas, nossa nação jaz carcomida pelo câncer da corrupção generalizada. O que vimos foi um acordo traçado nos bastidores para, num futuro próximo, deixar escapar os demais responsáveis pela derrocada econômica desta nação. Com a conveniência dos 3 três poderes. Que o fato sirva para alertar os eleitores nas próximas urnas. Separar o joio do trigo. Abrir os olhos daqueles que não enxergam o qual mergulhada nas trevas da hipocrisia e da mentira se encontra o Brasil.

JOSÉ CARLOS ALVES DA SIL

Provérbios 29:2 - Quando os justos se engrandecem, o povo se alegra, mas quando o ímpio domina, o povo geme. É o que aconteceu no senado brasileiro. não tem um justo se quer! isso nos leva a crer que a cada momento, a Igreja deverá se afastar do impio (da politica). Não sabemos qual foi a posição da pseuda bancada evangélica. O que está por trás são os conchavos inescrupulosos da política. que Deus abençoe nossa nação!

ANTONIO JOSÉ DE SOUSA DI

Concordo plenamente com seu artigo pastor Douglas, pois sendo assim abrirá precedentes para os demais políticos, creio que o presidente do Supremo foi enganado, mas, ao menos a foi feito justiça, em retirar a presidenta, o país não suportava mais. Agora é continuarmos a orar para que todos os envolvidos em corrupção sejam efetivamente punidos, pois creio que o próximo será o deputado Eduardo Cunha e na sequencia o Senador Renan Calheiros, oremos irmãos.

Deixe seu comentário







Perfil

Douglas Baptista é pastor, líder da Assembleia de Deus de Missão do Distrito Federal, doutor em Teologia Sistemática, mestre em Teologia do Novo Testamento, pós-graduado em Docência do Ensino Superior e Bibliologia, e licenciado em Educação Religiosa e Filosofia; presidente da Sociedade Brasileira de Teologia Cristã Evangélica, do Conselho de Educação e Cultura da CGADB e da Ordem dos Capelães Evangélicos do Brasil; e segundo-vice-presidente da Convenção dos Ministros Evangélicos das ADs de Brasília e Goiás, além de diretor geral do Instituto Brasileiro de Teologia e Ciências Humanas.

COLUNISTAS