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Pr. Douglas Baptista

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Descriminalização da maconha: apologia ao uso de drogas.

Ter, 18/08/2015 por

1. A maconha é considerada a droga mais polêmica do mundo. A droga é extraída da planta da espécie Cannabis sativa, também conhecida como cânhamo ou haxixe. A planta tem origem no Afeganistão e era muito utilizada na Índia em rituais religiosos. A droga também era usada como tratamento para curar prisão de ventre, cólicas menstruais, malária, reumatismos e até dores de ouvido. O cultivo da maconha se expandiu da Índia para a Mesopotâmia, depois Oriente Médio, Ásia, Europa e África.

2. No séc. XI havia grupos de homens, no Norte da Pérsia, que eram conhecidos por sua extrema crueldade e pelas contínuas vitórias que obtinham. Estes grupos agiam intoxicados pelo haxixe, e sempre, espalhavam sua violência. Devido ao vício, foram chamados "Haschichins", donde surgiu a expressão francesa "assassin", e o termo português "assassino". [1]

3. A maconha foi trazida para a América do Sul pelos colonizadores e as primeiras plantações foram feitas no Chile, por espanhóis. No Brasil, além das caravelas, durante o século XVI os escravos de origem africana traziam-na escondida, para que fossem usadas em rituais religiosos.

4. Atualmente o Brasil está envolto no controvertido debate sobre as consequências da autorização do consumo da maconha. O Supremo Tribunal Federal começou a decidir, neste mês de agosto, se o porte de drogas para consumo pessoal deve continuar sendo um crime no Brasil.

5. A defensoria Púlica de São Paulo, autora da ação no STF, considera que “o porte de drogas para uso próprio não afronta a chamada 'saúde pública' (objeto jurídico do delito de tráfico de drogas), mas apenas, e quando muito, a saúde pessoal do próprio usuário." [2]

6. Se a decisão for favorável, o STF poderá declarar inconstitucional o artigo 28 da Lei Antidrogas, que define como crime "adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal". (Lei no 11.343/2006)

7. A igreja está assistindo – calada e omissa – o crescimento cada vez maior da onda de tolerância com esse vício. Artistas brasileiros desafiam a legislação em vigor e sequer são questionados. Em janeiro de 2012, em Sergipe, Rita Lee desaprovou a conduta policial que tentava coibir o consumo da droga: “Este show é meu. Não é de vocês. Por que isso? Não pode ser por causa de um baseadinho. Cadê um baseadinho pra eu fumar aqui?” [3].

8. O pensamento de que a maconha não é nociva é frequente e amplamente defendido pelos apologistas da liberação da droga. Valentim Gentil Filho que possui doutorado em psicofarmacologia clínica pela Universidade de Londres, um dos mais renomados psiquiatras do Brasil discorda desta ideia: “Trata-se da única droga a interferir nas funções cerebrais de forma a causar psicoses irreversíveis”. Ele disse a VEJA. “Se fosse para escolher uma única droga a ser banida, seria a maconha.” [3]

9. Outro argumento apresentado pelos apologistas é de que a venda autorizada colocaria um fim ao tráfico de drogas. Para derrubar este argumento – um dos mais rígidos pilares da defesa da liberação da droga - basta observar a experiência e o recuo das autoridades holandesas. Na década de 70, a Holanda descriminalizou a maconha. Desde então, o tráfico só aumentou.

10. Ao concluir, concito os líderes cristãos a se posicionarem contra esta banalização e desvirtuamento de valores. A maconha é porta de entrada para o uso de drogas mais fortes. Aqueles que trabalham ou convivem com usuários de álcool, tabaco e entorpecentes sabem a destruição que estes vícios provocam nas famílias. Conclamo a Igreja para interceder e também para agir. Infelizmente, a decisão sobre o uso da maconha, não será democrática. O povo não será ouvido. Onze Ministros do SFT decidirão por nós.

Reflita nisso!

 

Douglas Roberto de Almeida Baptista

 

[1]www.cic.unb.br/~fatima/imi/imi200/b/historia.htm

[2]http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/08/decisao-do-stf-sobre-porte-de-droga-tera-repercussao-geral.html

[3]http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/maconha-faz-mal-sim-quem-afirma-e-a-medicina/

6 comentários

Daniele

Na faculdade que estudo é inacreditável ver a liberdade dos usuários de drogas e o clima ruim do ambiente, seria horrível as ruas das cidades como as esquinas de cada canto das universidades. Sem contar que ao estar num local desses, dá impressão de que nós cristãos estamos limitados, sem voz. É lamentável imaginar todo brasil assim, pessoas em plena luz do dia, independente do local com esse tipo de produto espalhado por toda parte, que Deus levante pessoas como o pastor para combate!

Ev Emanuel Oliveira

Prezedo Pr Douglas, vivemos em um pais sem o minimo de estrutura na area de saude para atender a população, a saúde publica nao consegue da suporte as vitimas de outras drogas legalizadas (alcool e cigarro). Esta legalização se for homologada sera mais um problema de saude publica para esta nação. Amsterdã e um exemplo que não da certo a legalizacao de drogas.Mas os meio de comunicacao nao divulgam as consequencias nocivas deste ato.Toda sociedade precisa de limites, se não ela se auto

osvaldo arcanjo

Prezado pastor, Dr. Douglas, este tema a sua legalização é vergonhoso extremamente prejudicial a geração futura e polemico porque a sociedade em que vivemos é viciada em tudo que vai de encontro com a palavra de Deus , sociedade em crise com os valores sociais, morais familiares, políticos e religiosos e a igreja em geral alem da obrigação de orar, deve fazer ação contra todo tipo de droga, açao civil publica por escrito de todos evangélicos do brasil ao STF.

Pastor lucio

95% dos viciados em crak começaram pela maconha , isto e mais estratégia de satanás, oremos igreja, para esta porta do inferno não se abrir.

Sérgio Luís

Prezado Pr.Douglas, o sr.deve se lembrar de tempos em que pessoas entravam em nossas igrejas, oprimidas pelo vício das drogas, eram impactadas pela palavra de Deus, aceitavam à Jesus e tinham suas vidas transformadas. Hoje,infelizmente, muitos de nossos jovens deixam de servir à Cristo e tornam-se escravos das drogas e do tráfico. Oremos e tomemos atitude para que isso mude.

Mauricio Firmino Paz

Prezado Pastor, o tema é polêmico e como todo tema polêmico não é fácil formar uma opinião. Talvez seja este um dos motivos pelo qual os evangélicos não se posicionam de forma clara. Se falamos que somos contra a legalização e não oferecemos uma alternativa estamos admitindo que somos a favor a situação em que está ou seja que continuem usando a droga às escondidas pelos becos e vielas como acontece aqui onde moro. O cigarro é droga. Pregamos contra? O álcool também. E o que d

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Perfil

Douglas Baptista é pastor, líder da Assembleia de Deus de Missão do Distrito Federal, doutor em Teologia Sistemática, mestre em Teologia do Novo Testamento, pós-graduado em Docência do Ensino Superior e Bibliologia, e licenciado em Educação Religiosa e Filosofia; presidente da Sociedade Brasileira de Teologia Cristã Evangélica, do Conselho de Educação e Cultura da CGADB e da Ordem dos Capelães Evangélicos do Brasil; e segundo-vice-presidente da Convenção dos Ministros Evangélicos das ADs de Brasília e Goiás, além de diretor geral do Instituto Brasileiro de Teologia e Ciências Humanas.

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