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Pr. Douglas Baptista

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O concílio de Jerusalém e os quatro decretos apostólicos

Seg, 20/04/2015 por

As inúmeras conversões de gentios deflagraram uma forte controvérsia na igreja primitiva: “deveriam os gentios guardar a lei?” O primeiro concílio da igreja cristã, registrado em Atos capítulo quinze, foi realizado para decidir acerca desta questão. Os cristãos judaizantes afirmavam que cumprir a lei era imprescindível para a salvação. O apóstolo Paulo ensinava não ser necessário, pois a salvação era pela graça e não pela observância da lei.

Este ensino de Paulo, porém, não foi aceito e nem entendido por boa parte dos cristãos (At 21.21). Muitos judeus que se convertiam nessa época continuavam a observar a lei (At 21.20). Um grupo destes judeus cristãos exigiam que os gentios fossem circuncidados e que guardassem a lei de Moisés (At 15.1,5). No Concílio de Jerusalém, o apóstolo Pedro considerou esta posição judaizante um ultraje contra o próprio Deus: Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?” (At 15.10).

Uma decisão precisava ser tomada afim de solucionar a controvérsia. O apóstolo Tiago, líder da igreja em Jerusalém, recomendou que os gentios convertidos não fossem molestados com estas questões judaicas (At 15.19) e apresentou parecer que agradou a todos e acalmou os ânimos mais exaltados (At 15.25-28). O parecer ficou conhecido como “decretos apostólicos” e possui quatro recomendações aos gentios convertidos. Os decretos abordam os aspectos morais e cerimoniais da lei (At 15.20).

O primeiro e o segundo parecem ter conexão intencional, “que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos” e que vos guardeis da “prostituição”. Este entendimento se dá pelo fato que a idolatria com frequência envolvia a imoralidade. O terceiro e o quarto decreto também possuem conexão entre si. De um lado a orientação de abstinência da “carne sufocada” (carne que retém o sangue, conforme Lv 17.10-14) e de outro a recomendação para não comer “do sangue” (conforme Lv. 3.17; 7.26; 17.10; 19.26). Estes decretos podem ser identificados com um resumo da lei de Levítico capítulos 17-28 a que estavam obrigados os judeus e também os estrangeiros que viviam entre eles.

Será que estes decretos tiram a liberdade cristã em relação ao jugo dos preceitos da lei mosaica? Ou se trata apenas de uma “palavra de sabedoria” concedida pelo Espírito Santo para a solução de um problema local da igreja primitiva, entre judeus e estrangeiros? Todos concordam que os decretos contra a idolatria e a imoralidade são preceitos válidos até o dia de hoje. Mas, será de fato pecado comer carne sufocada e sangue? Os que consideram pecado argumentam que este mandamento era anterior à lei (Gn 9.3,4; 19.1-25; 34.31; 35.2-4). Os que não enxergam pecado, afirmam ser uma orientação local com o propósito de conciliar judeus e gentios convertidos.

De fato os decretos contra a idolatria e a imoralidade fazem referência ao segundo e ao sétimo mandamento do Decálogo. A chamada Lei Moral combatia a idolatria - “Não farás para ti imagens de escultura... não te encurvarás a elas nem as servirás” (Ex. 20.4,5) e ainda condenava a imoralidade - “Não adulterarás” (Ex. 20.14). Portanto, é consenso que o texto de Atos não trata de um conjunto geral de regras morais para os cristãos, pois ficaria de fora outros mandamentos, como “não tomarás o nome do Senhor em vão” (Ex. 20.7), “honra teu pai e tua mãe” (Ex. 20.12), “não matarás” (Ex. 20.13), “não furtarás “ (Ex. 20.15), “não dirás falso testemunho” (Ex. 20.16) e “não cobiçarás” (Ex. 20.17). Assim, não se pode considerar como ordenança final aos cristãos e sim como uma orientação pontual específica para que gentios e judeus convertidos pudessem conviver harmoniosamente sem causar tropeços uns nos outros (1Co 10.32).

Os decretos quanto à carne sufocada e o sangue são alvo de controvérsia contemporânea. No primeiro século estes decretos serviram para apaziguar os cristãos e em nossos dias são objeto de intenso e acalorado debate. O sangue é considerado, na Antiga Aliança, como sendo vida (Dt 12.23). O sangue de animais era requerido por Deus no pacto mosaico para fazer expiação do pecado (Lv 17.11). Deste modo, a chamada lei cerimonial exigia que os judeus valorizassem o sacrifício e não banalizassem o sangue (Lv. 17.14). Esta prática, evidentemente, não era comum entre os gentios. Por isso, essas regras eram o mínimo que se pedia dos gentios, para não escandalizarem os judeus cristãos. Segundo Moody, esse regulamento foi divulgado entre as igrejas gentias não como meio de salvação, mas como base de comunhão [1].

          Para evitar os escândalos e manter a comunhão entre cristãos judeus e gentios, Paulo recomendava seguir a consciência, ou seja, comer carne sem nada perguntar (1Co 10.27-28). Mas, se alguém fosse avisado que se tratava de carne sacrificada aos ídolos deveria se abster de comer por causa da consciência do outro (1Co 10.29-30). A carta paulina sintetiza: “quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus (1Co 10.31, 32). Segundo este princípio paulino, o crente que quiser abster-se de sangue e de carne sacrificada ou sufocada deve fazê-lo para glória de Deus e não para se considerar superior ou mais espiritual que os outros.

Para concluir, afirmamos que idolatria e imoralidade integram os mandamentos teologicamente chamados de lei moral e permanecem em vigor (estes decretos são indiscutíveis), carne sufocada e sangue integram o que se convencionou integrar a lei cerimonial (estes são anteriores a lei e alvo de discussão atual). Os que discordam não podem comer qualquer coisa com sangue (carne "mal passada", carne ao molho pardo e “chouriço”, por exemplo). Quem entende diferente, absolve a consciência e não vê mal em comer. Porém, é consenso nas duas correntes que não se deve beber o sangue. Acerca do resultado deste concílio, Williams escreveu: “ao pesar os dois princípios, o da liberdade e o da obediência. O resultado foi o triunfo do amor” [2]. E no parecer de Paulo: "Por isso se a comida escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão não se escandalize" (1Co 8.13).

Qual o seu parecer?

Douglas Roberto de Almeida Baptista

 

[1] Moody, D.L. Atos dos Apóstolos. Comentário Bíblico, p. 75.

[2] Williams, David J. Atos. Novo Comentário Bíblico Contemporâeno, p.267

56 comentários

SHIRLEI CARDAO

Concordo totalmente com o texto. Apenas um acordo feito para evitar grandes escândalos entre os judeus que estavam acostumados com a evitação do sangue. Jesus deixa isso claro em Marcos 7, 18 e o contexto do sangue derramado, do último cordeiro também nos leva a ratificar esse pensamento e entendimento.

marcos

Perfeita a exegese do pastor Douglas, simples, objetiva, esclarecedora. Parabéns pastor que Deus continue abençoando sua vida sua família e seu ministério, que a sabedoria a ti confiada seja sempre compartilhada conosco através dessas pérolas .

Fernando

Olha bem complexo o assunto

Sérgio Navarro

Marcos: 7. 18. "Será que vocês também não conseguem entender? ", perguntou-lhes Jesus. "Não percebem que nada que entre no homem pode torná-lo ‘impuro’? 19. Porque não entra em seu coração, mas em seu estômago, sendo depois eliminado". Ao dizer isto, Jesus declarou "puros" todos os alimentos. Graça e paz, eu creio que o texto acima responde esta questão. Fiquem todos na paz de Jesus!!!

jouglas henrique

Eu prefiro obedecer o que ficou determinado no concilio apostólico, porque é o minimo que devemos fazer, uma vez, que se não fosse a misericórdia de Deus ter estendido a salvação até nós, e o povo de deus ter aceito jesus como seu filho nós estaríamos perdidos, e não teríamos a oportunidade de obedecer nem a esse concilio, porque estávamos todos destituído da glória de Deus a misericórdia, Deus usou para nos livrar de recebermos aquilo que merecíamos e a graça Deus usou

João Gilberto Geraldo

Creio no que diz a Palavra quando Cristo disse: Passarão céus e terra, mas minhas palavras não. Como humanos temos a tendência de achar que o tempo desgasta tudo, e que tudo tem um prazo de validade. Neste caso, em Atos 15, a decisão tomada pelo concílio tem validade até os dias atuais; se ficou decidido estes quatro itens, então que seja obedecido por nós estes itens. Entendo que não me cabe discutir sobre um ponto pacífico, e sim obedecê-lo. Portanto, me guardo destas observância

Vilmo Santos

Amigos é pertinente o estudo. Porem penso ao comer ou nao carne sufocada ou sangue. Debemos primeiro lembrsr a questão do julgamento. Colossenses 2:16-17 - Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados. Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo

Gildo Gomes

Ninguém perde a saúde ou morre se não comer carne sufocada ou sangue.Por tanto cumpramos as determinações biblicas

Heriberto Noronha

Fiz dois comentário, mas não foi de acordo com seu pensamento e o senhor não postou.

Heriberto Noronha de Souz

Prefiro ficar com o que foi escrito, o no que foi decidido no primeiro concílio da igreja cristã, registrado em Atos capítulo quinze. É como disse o apostolo Paulo em 1 Coríntios 4:6 E eu, irmãos, apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro.

Cleomar Pereira da Silva

O cristão não deve comer carne que contem o sangue, e quanto a carne sufocada fique na consciência de cada irmão. Como diz Paulo portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem a Igreja de Deus.1 Co 10-31,32.

Luan

Penso que ao abrir mão cada vez mais de certos preceitos bíblicos, distanciamo-nos da palavra e nos aproximamos daquela teoria de que "Deus só quer o coração!". Acho que aos poucos a palavra de Deus é invalidada, moldada, manipulada apenas para dar sentido ao que gostamos. Estamos perdendo a nossa identidade cristã para viver um evangelho convencional, onde a maioria possa se satisfazer. A questão do comer sangue tá bem clara.

José Orlando da Conceiç

Acho que não devo julgar a meu irmão por ter uma posição favorável com relação a carne sufocada e ao sangue, porém eu particularmente não como. Com relação aos dois primeiros decretos: “que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos e que vos guardeis da prostituição”, entendo segundo a palavra de Deus, que é pecado, sendo questões indiscutíveis.

José Orlando da Conceiç

4º) naquele momento da igreja já existiam muitos obstáculos para a sua expansão, sendo necessário facilitar a proclamação das boas novas (At 15.21). Sendo assim entendo que os quatro decretos ainda estão válidos para a igreja contemporânea. Naquele momento foram abordados somente estas quatro restrições tendo em vista exatamente aquela particularidade da igreja naquele momento, conforme os quatro aspectos apresentados anteriormente.

José Orlando da Conceiç

Alguns pontos deve-se considerar em relação aos quatro decretos apostólicos: 1º) a igreja estava iniciando; a maioria eram novos convertidos, não tendo maturidade suficiente para assimilar uma quantidade enorme de restrições; 2º) a doutrina cristã ainda não estava sistematizada; 3º) naquele momento em Antioquia muitos estavam ensinando aos cristãos que a circuncisão era condição para a salvação (At 15.1);

pastor lucio araujo

CARNE SUFOCADA Deus proibiu definitivamente comer sangue em todas as épocas. gêneses 9: 2-4, levítico 17; 10-12 Atos 15: 28-29 proíbe essencialmente das cousas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas. se podemos comer a carne sufocada, também podemos praticar as demais ( fornicação e idolatria ), Portanto e expressamente proibida a carne sufocada.

pastor lucio araujo

O contexto de Atos 15 envolve a situação de alguns judeus cristãos tentarem forçar os gentios a guardarem a lei de Moisés (veja versículos 1 e 5). A ideia nesse capítulo era para mostrar que essa posição era errada. Os gentios não precisavam guardar a lei de Moisés. Pedro referiu-se a guarda da lei de Moisés como "um jugo que nem nossos pais puderam suportar, nem nós" (Atos 15:10).

Carlos Matheus

Parabéns pelo excelente texto Pr. Douglas. Este tema é bastante controverso, todavia, com a ótima exegese que o senhor fez do texto bíblico, o tema fica mais fácil de análise. Pelo Sacrifício Vicário de Jesus na cruz não estamos mais debaixo da lei, e sim da Graça (Rm 6.12-18). Portanto, só o que vigora hodiernamente são as normas morais, pois elas não são apenas leis, mas são princípios eternos proclamados por Deus, desta forma não podem ser revogados.

Carlos Matheus

Primeiramente, é necessário salientar que os decretos apostólicos são normas de um colegiado eclesiástico que balizou preceitos de conduta para os cristãos daquela época. A questão de controvérsia é se as regras a respeito do sangue e da carne sufocada possuem efeitos “erga omnes” ou “inter partes”. Pois é sabido que os dois primeiros decretos são normas morais, sendo assim, possuem efeitos erga omnes. Entretanto, em minha opinião os dois últimos decretos, possuem efeitos i

Carlos Matheus

Não querendo fazer uma analogia anódina, mas podemos comparar com os regimentos internos que uma determinada igreja faz hodiernamente. É oponível aos membros, todavia, quem não é membro daquela congregação, não poderá ser disciplinado conforme as regras dela. Ou seja, em minha opinião, o terceiro e quarto decreto apostólico possuem eficácia para aquela sociedade, sendo assim, não oponível aos moldes atuais.

Carlos Matheus

Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, ao responder as cartas do povo de Corinto escreveu “Por isso se a comida escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão não se escandalize” (1Co 8.13), isto é, “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm” (1Co 6:12a). Portanto, devemos fazer este auto-exame antes de fazer qualquer coisa nesta vida.

André Luiz

Continuando: se me alimento das coisas do Eterno, então o brilho do Espírito Santo está sobre mim e isso me basta. Minha alma está jubilante no Senhor e o meu espírito vivificado com Cristo até que do alto ele venha buscar sua igreja. Claro que ao ter comunhão com Yahweh, Ele trará a iluminação pontual em nossa consciência na hora do nosso agir e proceder e isso nos trará segurança no que comer e beber. Pois o Eterno é mui zeloso em sua palavra.

André Luiz

Acredito que devemos observar e avaliar tudo que permeia nossa vida como servo de Deus e ter a consciência de saber que a palavra consciência no grego diz separar metal. Isto é, devo separar os materiais. Na prática, em minha avaliação penso que o impulso que é gerado em minha alma é um reflexo direto do que tenho me alimentado espiritualmente e porque não materialmente falando. Pois, minha consciência é um reflexo do que está em minha alma e meu corpo um desfecho.

Luis Eduardo

Muito bom, excelente artigo!

Lucio Claudio Santos Carv

Entendo que não há problema em comer alimentos sufocado, Eu particularmente não como nada com sangue mas não me escandalizou com que come. Porque o reino de Deus não e comida nem bebida, mas justiça e paz e alegria no Espirito Santo. Romano. cap.14 vers. 17

Thiago Martins Gomes

Paz do Senhor! Eu entendo que não devemos comer carne com o sangue! Eu já comi carne mal passada, mas entendi que estava errado, porque com pouco ou muito você está comendo com o sangue, mesmo que pouco dele, pra mim a Palavra é simples e objetiva quando Deus dá a ordem para Noé, não especificamente ao povo israelita, é uma Palavra pra toda a humanidade, acho que nós que complicamos as coisas!

Ageu Souza

Se não há necessidade de ter que seguir os decretos apostólicos sobre a carne e o sangue, porque então deveríamos ter que praticar os outros dois? Meu parecer é de que devemos praticar os quatro decretos, tudo para a glória de Deus e não para demonstrar que somos mais santos ou mais corretos do que nosso irmão. Será que é tão difícil submeter-se a estas orientações apostólicas? Entendo que se não há necessidade de praticá-los, também estamos liberados a beber vinho e outras

Ageu Souza

Se não há necessidade de ter que seguir os decretos apostólicos sobre a carne e o sangue porque então deveríamos ter que praticar os outros dois? Meu parecer é de que devemos praticar o quatro decretos, será que é tão difícil ter que submeter a estas orientações apostólicas.

Rubens Rodrigues

Outrora antes da morte de Cristo na cruz, para perdão do pecado se sacrificaria um animal e seu sangue era vertido sobre o altar o que significaria o perdão do pecado; Cristo veio ao mundo e morreu na cruz e verteu o seu sangue para perdão de nossos pecados, e morreu por nós. O que significa que fomos salvos mediante a sua graça. Esta questão requer que cada cristão esteja com sua vida diante do altar e preparado para aquele glorioso dia do Senhor.

Levi Libarino

O artigo do Pr. Douglas é pertinente e sempre atual e quero parabenizá-lo pela abordagem. São questões que ainda são alvo de dúvida por parte de muitos cristãos.

Levi Libarino

Segundo que a determinação Do Concílio tem tom conciliatório - pareceu bem a nós e aos Espírito Santo" - no sentido de que não houvesse uma divisão da Igreja entre gentios e judeus. Mais tarde, com a igreja consolidada, Paulo escreve: quem come não despreze o que não come; e o que não come não julgue o que come,... e quem come para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come para o Senhor não come e dá graças a Deus. Em.Rm.14.3-6.

Levi libarino

Minha primeira observação vai no tocante à expressão "lei moral". Essa divisão é teológica perigosa criada para que a Lei de Moisés não fosse abolida. Mas os que a aceitam esquecem que na chamada "lei moral" está a guarda do sábado. A Lei foi abolida e devemos nos portar agora pelo Novo Testamento.

Antonio Carlos Ferreira

A proibição de comer carne com sangue é anterior à lei de Moisés, portanto dirigida a todos os seres humanos e não apenas aos israelitas.Paulo esclarece que para o cristão é mais uma questão de ser tropeço para os mais fracos.Você não perde a salvação se comer seu frango ou carne mal passados.1Cor 8.8;9“Ora a comida não nos faz agradáveis a Deus porque, se comemos, nada temos de mais e se não comemos, nada nos falta.Mas vede que essa liberdade não seja de alguma maneira escâ

Presb. Roberson Constânc

A Paz do Senhor . Pr . Douglas ! Parabéns , pela abordagem de um assunto tão desafiador , que nos leva a refletirmos de forma tão intensa e profunda , e ao mesmo tempo analisarmos o grau de compreensão que temos dos ensinamentos contidos nas Sagradas Escrituras . E através destes assuntos, percebe-se a importância de cada cristão ter a vida dirigida pelo Espírito Santo , para que a sua consciência seja influenciada por Ele , resultando em atitudes e escolhas que glorifiquem ao Senhor n

Ronaldo A SIlva

Entendo pessoalmente que não há problemas em comer alimentos preparados com sangue, salvo se houver algum judeu por perto. Mesmo assim seria difícil, pois há uma forma muito particular do judeu preparar a carne para ser consumida como uma forma de garantir a observância de um dogma.

Ronaldo A SIlva

O próprio Senhor havia ensinado esta verdade a Pedro quando este esteve para visitar Cornélio (At 10), depois esteve comendo junto com os gentios, mas deixou de fazê-lo quando um grupo de judaizantes chegou no lugar em que estava. Nesta ocasião o apóstolo Paulo censurou-o por sua conduta dúbia (cf. Gl 2:11-14).

Ronaldo A SIlva

As proibições em Gênesis e Levítico foram inicialmente dirigidas ao povo judeu contra comer carne fresca ainda pulsando com a vida, porque o sangue vivo ainda estava nela. Por sua vez o texto de Atos não revela ser uma ordem (lei), antes uma recomendação para evitar o escândalo junto aos judeus. O N.T. ensina claramente que não estamos debaixo da lei (cf. Rm 6:14; Gl 4:8-31).

Ronaldo A SIlva

“Qualquer homem da casa de Israel ou dos estrangeiros que peregrinam entre vós que comer algum sangue, contra ele me voltarei e o eliminarei do seu povo. Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida. Portanto, tenho dito aos filhos de Israel: nenhuma alma de entre vós comerá sangue, nem o estrangeiro que peregrina entre vós o comerá” (Lv 17:10-12).

Ronaldo A SIlva

“Não devemos perturbar aqueles que, dentre os gentios, se convertem a Deus, mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, bem como das relações sexuais ilícitas, da carne de animais sufocados e do sangue” (Atos 15:19, 20). “Tudo o que se move e vive ser-vos-á para alimento; como vos dei a erva verde, tudo vos dou agora. Carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis.” (Gn 9:3,4).

Lucas Mendes Santiago

... Assim sendo, eu entendo que não é pecado comer aquilo que no princípio o Senhor nos deixou como alimento. Más o pecado se configura em uma vida desregrada e egoísta, sem o devido cuidado com o próximo, quanto às suas necessidades e opiniões.

Lucas Mendes Santiago

...Na nova aliança o Senhor Jesus Cristo vai muito além da Lei de Moisés, Ele desce do Céu em carne e sangue e habita entre os homen, e nos ensina que no amor se cumpre toda a Lei e todas as profecias. Olhando para Jesus, nosso exemplo maior, podemos compreender que devemos fazer tudo para a glória de Deus (1 Co 10:31).

Lucas Mendes Santiago

...Não havia nenhuma restrição quanto ao tipo de animal ou parte dele. Apenas um fruto foi proibido, para estabelecer o princípio da obediência (Gen 2:17). A Lei Mosaica veio após a libertação dos hebreus do Egito e tinha a finalidade de reestabelecer o relacionamento de Deus com o seu povo. As restrições impostas se fizeram necessárias para cumprir esse propósito.

Lucas Mendes Santiago

Gostaria de parabenizar o Pastor Douglas pela excelente explanação sobre um assunto tão controverso. A forma clara e sem tendências, descrita acima, nos faz refletir sobre as diversas opiniões e pareceres dos apóstolos, registrados na Bíblia Sagrada. Quando Deus terminou sua criação Ele abençoou o homem e disse: “E a todo animal da terra, e a toda ave dos céus, a todo réptil da terra, em que há a alma vivente, toda a erva verde será para mantimento. E assim foi” (Gen 1:30).

Dilciane Wilges da Silva

De acordo com as Escrituras, acredito que fique a critério da consciência de cada um, e que quem deixe de comer que não faça isso para se gloriar ou para mostrar mais santificação, mas sim para a glória de Deus.

Marcelo Reis

Apesar de as deliberações favorecerem a comunhão entre cristãos judeus e gentios, esta não é a questão central do concílio. A tônica do concílio não era algo do tipo “o que podemos fazer para que cristãos judeus e gentios parem de implicar um com o outro?”.

Marcelo Reis

É difícil sustentar que Tiago tenha agido politicamente nesta ocasião, ao deliberar sobre algo de última grandeza, isto é, a expansão legítima da Igreja. Se Tiago quisesse agradar os judeus, ele necessariamente deveria exigir a circuncisão, pois este tema foi o estopim de toda a discussão (At 15.1).

Marcelo Reis

O objetivo central das recomendações era “não perturbar (aborrecer) aqueles, dentre os gentios, que se convertem a DEUS” (At 15.19). Diante das questões polêmicas tratadas no concílio, os apóstolos estavam dispostos a não impor nada aos gentios que realmente não fosse necessário (At 15.28). A palavra traduzida por necessário, que qualifica as proibições em At 15.28, é epanankes, que denota algo essencial (ARA), primordial, muito necessário.

Marcelo Reis da Silva

“Neste caso, todas as proibições seriam de ordem moral e não cerimonial” [1]. Como bem destaca o artigo, a proibição de comer sangue é anterior à Lei de Moisés (Gn 9.4-9) e precede recomendações do SENHOR a respeito da vida humana, algo de extremo valor. A proibição de comer sangue, introduzindo preceitos contrários ao homicídio em Gn 9.4-9, sugere que em respeito à vida (dom de DEUS), o sangue não deve ser tratado como algo comum. 1. CPAD. Comentário Bíblico Beacon. V

Marcelo Reis

(continuando.....) A exposição e uso do sangue não devem ser banalizados, a fim de satisfazer caprichos humanos, mesmo em se tratando de sangue de animais (Pv 12.10). A exposição gratuita a sangue de animais tende a deixar as pessoas mais cruéis, menos cuidadosas com a vida humana e pode servir como porta de entrada para rituais macabros, praticados por muitas religiões demoníacas. Portanto, sou de parecer que o consumo de sangue deve ser evitado pelos cristãos ainda nos dias de hoje.

ANTÔNIO CARLOS SILVA ROS

Parabéns pastor pelo texto muito bem articulado. Os crentes gentílicos deveriam estar preparados para fazer algumas concessões, abstendo-se de práticas ofensivas aos judeus, para poderem usufruir de relações sociais plenas, unidos em uma igreja única. No entanto, acredito que como as razões pelas quais os cristãos deveriam se abster de comer sangue e carne sufocada já se extirparam, não há mal ou pecado algum em praticar tal hábito alimentar.

Valmar

Continuando.... Mas, não vejo mal em comer tais alimentos, desde que não escandalize meu irmão! Acredito que tal observação seria porta de entrada para uma série de outras recomendações, tornando nossas vidas cheias de preceitos. Ora, o fim do mandamento é o amor de um coração puro, e de uma boa consciência, e de uma fé não fingida. 1 Tm 1. 5

Valmar

O Espírito Santo com seu zelo, o cuidado conosco, sua paciência, seu amor (intercede por nós com gemidos inexprimíveis) nos conquista e nos move a amá-lo cada dia mais. Em virtude disto, temos cuidado em não entristecê-lo. É aí que surge a polêmica em torno dos dois últimos pontos: carne sufocada e comer sangue. Compartilho da opinião de Paulo: "Por isso se a comida escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão não se escandalize" (1Co 8.13). Continua...

Klécio Maia Saraiva

Dentre todas as incertezas, comer animais sufocados ou estrangulados: isto se refere a animais mortos e não sangrados. Quem já viu um frango cozido ou assado depois de morto com o pescoço quebrado ou por asfixia e sem ser sangrado sabe que a carne tem a cor bem escura, por causa do sangue que permanece nela.

Klécio Maia Saraiva

Continuando... Segundo as Escrituras, os dois primeiros decretos fazem parte da Lei moral e devem ser respeitadas na atualidade, e outros dois decretos fazem parte da Lei cerimonial, de acordo com o que Paulo ensinou fica a critério da consciência de cada um.

Klécio Maia Saraiva

De acordo com as Escrituras

Sérgio Luís

Assunto interessante.

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Perfil

Douglas Baptista é pastor, líder da Assembleia de Deus de Missão do Distrito Federal, doutor em Teologia Sistemática, mestre em Teologia do Novo Testamento, pós-graduado em Docência do Ensino Superior e Bibliologia, e licenciado em Educação Religiosa e Filosofia; presidente da Sociedade Brasileira de Teologia Cristã Evangélica, do Conselho de Educação e Cultura da CGADB e da Ordem dos Capelães Evangélicos do Brasil; e segundo-vice-presidente da Convenção dos Ministros Evangélicos das ADs de Brasília e Goiás, além de diretor geral do Instituto Brasileiro de Teologia e Ciências Humanas.

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