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Pr. Claudionor

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O secador de cabelos

Qui, 30/06/2016 por Claudionor de Andrade

Ao chegar a Maracaibo, em 24 de agosto de 1499, Américo Vespúcio deparou-se com um cenário que o fez recordar a pátria querida. Margeando o já famoso lago venezuelano, o explorador italiano observou que os nativos, indiferentes à presença da civilização, viviam serena e placidamente em graciosas palafitas. E, ali, entretidos com o ciciar do vento, iam tirando o sustento da água, que os embalava, e da mata ainda virgem, que os cercava. 
Diante daquele quadro, Vespúcio, a serviço do rei da Espanha, lembrou-se da Itália, onde os venezianos, ao domar o Adriático, subsistiam entre canais e dutos, escoando todas as contrariedades numa singular atração turística.

Infelizmente, as parecenças entre a Venezuela e a Itália acabam-se nas areias do Maracaibo. Se a primeira ainda não se livrou de líderes populistas, ora à esquerda, ora à direita de suas reais necessidades e carências, a segunda aprendeu a não confiar em ditadores e guias tidos como infalíveis. Desde a morte de Mussolini, em 28 de abril de 1945, os italianos decidiram seguir sua vocação histórica: forjar civilizações. Aliás, não se poderia esperar outra coisa da pátria de Dante Alighieri.

Quanto à Venezuela, a história é cíclica e angustiante. Desde o libertador Simon Bolívar, opressores ascendem e caem num triste espetáculo de instabilidades políticas e incertezas econômicas. Como esquecer Cipriano Castro, Juan Vicente Gómez e Pérez Jiménez? Em 1998, aparece o messiânico e fanfarrão Hugo Chávez. Eleito pela via democrática, não demorou a transitar por uma senda esquerdista e caudilhesca, que, tendo início no famigerado Foro de São Paulo, levaria a nação venezuelana a um beco escuro, insalubre e sem saída.

No intuito de reescrever a história de seu país, Chávez ressuscitou Simom Bolívar (1783-1830). E, assim como a Teologia da Libertação marxizou o Cristo, o verboso ditador comunizou o libertador da América Hispânica. Só não lhe pôs na mão a foi e o martelo. Mas ali, num cantinho qualquer daquele pano de fundo corrompido e desbotado, dá para ver o livro de Karl Marx.

Depois de algumas extravagâncias constitucionais, Hugo Cháves morre de câncer, mas deixa como herdeiro seu discípulo mais fiel. O senhor Nicolás Maduro, sempre verde na política e sem qualquer madureza na condução da coisa pública, aprofundou uma crise que já era abissal. O adjetivo não é impropriedade; é a única forma de se descrever o atual momento do querido e belo país irmão.

Não bastasse o desabastecimento de gêneros de primeira necessidade, a Venezuela enfrenta uma crise hídrica que a leva a racionamentos diários. E, para resolver o problema de energia, o presidente Maduro, sempre empunhando o livrinho redigido por Cháves, sugeriu às mulheres a não mais usar o secador de cabelos. Dessa forma, pensa ele, a crise será, apesar dos cabelos desgrenhados, menos severa.

O que se vê, hoje, na Venezuela? Mais uma derrocada clássica do comunismo. Tanto lá, quanto na Coreia do Norte, ou em Cuba, os princípios ateístas e anticristãos de Karl Marx mostram-se ineficazes e desastrosos. E, para reverter o quadro, os ditadores fazem os apelos mais esdrúxulos. Este culpa o secador de cabelos, aquele aponta como réu o pente exportado dos Estados Unidos, e aqueloutro o xampu vindo da França. Visto desse prisma, a crise venezuelana parece mais capilar do que política, mais estética do que econômica. De qualquer forma, a situação no país vizinho é de arrepiar os cabelos.

Que Deus nos guarde do comunismo. Que jamais venhamos a cair nas mãos dos que, dizendo-se democratas, têm como leitura de cabeceira os devaneios de Lênin, as mentiras de Castro, o Livro Vermelho de Mao Tsé-Tung ou o livrinho de Cháves e Maduro: a constituição feita à imagem de ambos. Quanto ao Brasil, que o atual mandatário reintroduza, no Palácio do Planalto, o Livro dos livros. Sem a Bíblia Sagrada, não há prosperidade, nem paz, nem governança efetiva.

Oremos.

Ore.

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Perfil

Claudionor de Andrade Claudionor de Andrade é Consultor Teológico da CPAD, membro da Casa de Letras Emílio Conde, teólogo, conferencista, Comentarista das Revistas Lições Bíblicas da CPAD e autor dos livros “As Verdades Centrais da Fé Cristã”, “Manual do Conselheiro Cristão”, “Teologia da Educação Cristã”, “Manual do Superintendente da Escola Dominical”, “Dicionário Teológico”, “As Disciplinas da Vida Cristã”, “Jeremias – O Profeta da Esperança”, “Geografia Bíblica”, “História de Jerusalém”, “Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento”, “Merecem Confiança as Profecias?”, “Comentário Bíblico de Judas”, “Dicionário Bíblico das Profecias” e “Comentário Bíblico de Jó”, dentre outros títulos da CPAD.

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