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Pr. Claudionor

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Nem Shakespeare, nem Cervantes

Ter, 03/05/2016 por Claudionor de Andrade

Nos dias 22 e 23 de abril de 1616, morriam respectivamente Miguel de Cervantes e William Shakespeare. Desde então, ainda não apareceu outro escritor que viesse a ofuscar o primeiro, em língua espanhola; e o segundo, em língua inglesa. Eles são enaltecidos, com alguma razão, como o fundamento da literatura ocidental. De fato, não podemos negar a inspiração, a beleza e o estilo que imortalizaram o poeta inglês e o prosador espanhol. Todavia, há duas obras, provenientes de um mesmo livro, que superam tanto o romancista da Espanha quanto o dramaturgo da Inglaterra. Refiro-me à Bíblia do Rei Tiago e à de Cipriano Valera.

Em 28 de setembro de 1569, era publicada, na cidade suíça de Basileia, a Bíblia de Cassiodoro de Reina. A obra, conhecida como a Bíblia do Urso, seria revisada por Cipriano de Valera que, estilisticamente, consagra-lhe um primor linguístico e literário jamais encontrado num texto espanhol. A Bíblia Reina-Valera avultou-se logo como a obra-prima do mundo hispânico. Em que pese o brilho de Cervantes, o texto sagrado continua insuperável; realça a perfeição da Palavra de Deus.

Quanto à Bíblia do rei Tiago, o que dizer? Até a sua chegada, parecia que nenhum outro texto poderia empanar o brilho de William Shakespeare. Em 1611, porém, com a publicação da Authorized King James Version, os ingleses perceberam que, entre a musa do poeta e a inspiração dos autores sagrados, há um abismo intransponível. Alguém chegou a afirmar que, se todos os livros ingleses viessem a desaparecer, com a exceção da Bíblia do rei Tiago, a língua inglesa sobreviveria, em todo o seu esplendor, nessa versão da mensagem divina.

Não é meu intento canonizar esta ou aquela tradução da Bíblia Sagrada. Mas acredito que o Senhor continua a zelar por sua palavra, a fim de que suas alianças e concertos sejam plenamente observados em qualquer idioma ou dialeto. Se o autógrafo é perfeito e inerrante, os apógrafos requerem constante supervisão. Todavia, não podemos ignorar a sublimidade e a influência das traduções da Palavra de Deus. Sem as Santas Escrituras, o Ocidente seria pobre e o Oriente estaria condenado a viver em trevas.

A propósito, o que seria da Alemanha sem a tradução da Bíblia de Martinho Lutero? Nem a Alemanha nem o alemão haveria. O povo germânico, apesar de sua energia e disciplina, ainda estaria a falar dialetos fechados e ininteligíveis entre si. Todavia, a partir de Lutero, a língua alemã começa a ganhar foros oficiais em vários países europeus.

O que devo concluir? O Ocidente acha-se fundamentado não em Aristóteles, nem em Shakespeare ou em Cervantes, mas na Bíblia Sagrada. Quando adolescente, li algumas peças de William Shakespeare. Não posso negar-lhe o primor do estilo ou a profundidade do conteúdo. Todavia, como compará-lo à Palavra de Deus? Passados todos esses anos, continuo a ler, todos os dias, a Bíblia do Rei Tiago e a de Reina Valera. Sem dúvida, as mais perfeitas e belas traduções da Mensagem Divina. Diante do Santo Livro, confesso-me nas palavras do Salmista: “Tenho visto que toda perfeição tem seu limite; mas o teu mandamento é ilimitado” (Salmo 119:96).

3 comentários

Hélio dos Santos Souza

O problema é que Shakespeare não é exaltado apenas, ele é idolatrado, por isso que a KJV não é tão admirada pela massa instruída. E acho que nunca vai ser, há fatores econômicos por trás da exaltação de Shakespeare. O Harold Bloon chegou a dizer que Shakespeare reinventou o humano, como disse meu professor de Teoria do Conto, isso não passa de uma propaganda enganosa.

Sérgio Luís

Deus é Deus. Aleluia!

Sidnei Fontes

Faço das suas, as minhas palavras! o que seria da humanidade sem as Escrituras Sagradas ?

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Perfil

Claudionor de Andrade Claudionor de Andrade é Consultor Teológico da CPAD, membro da Casa de Letras Emílio Conde, teólogo, conferencista, Comentarista das Revistas Lições Bíblicas da CPAD e autor dos livros “As Verdades Centrais da Fé Cristã”, “Manual do Conselheiro Cristão”, “Teologia da Educação Cristã”, “Manual do Superintendente da Escola Dominical”, “Dicionário Teológico”, “As Disciplinas da Vida Cristã”, “Jeremias – O Profeta da Esperança”, “Geografia Bíblica”, “História de Jerusalém”, “Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento”, “Merecem Confiança as Profecias?”, “Comentário Bíblico de Judas”, “Dicionário Bíblico das Profecias” e “Comentário Bíblico de Jó”, dentre outros títulos da CPAD.

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