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Dicotomia ou tricotomia? Eis a questão que não existe

Ter, 03/11/2015 por Claudionor de Andrade

Não é fácil lidar com um assunto que reposiciona os teólogos ora entre os dicotômicos, ora entre os tricotômicos. Apesar de não ser uma doutrina fundamental, o tema vem reclamando mais algumas explicações. Mesmo assim, não devemos cavar trincheiras na defesa de nosso ponto de vista. Afinal, todos, num primeiro momento, somos dicotômicos, e, num segundo, tricotômicos. Que nessa discussão, tenhamos em mente dois pressupostos básicos: 1) o ser humano foi criado, por Deus, segundo a sua imagem e semelhança, e 2) que somos compostos por duas substâncias: uma espiritual e outra material.

Na verdade, somos formados por dois elementos: um físico e outro metafísico. Do primeiro, faz parte o nosso corpo. E, do segundo, nossa alma e espírito.
É possível separar a substância tangível da intangível. Isso acontece quando alguém morre. Todavia, a alma e o espírito, que constituem a nossa dimensão imaterial, são inseparáveis, conforme explica Myer Pearlman (1898-1942): “A alma sobrevive à morte, porque é energizada pelo espírito, mas alma e espírito são inseparáveis, porque o espírito está entretecido na própria textura da alma. São fundidos e caldeados numa só substância”.

Levemos em conta que a alma é o eu tanto do corpo quanto do espírito. Ela é a sede de nossas emoções, conhecimento e vontade. Sem a alma, não saberíamos quem somos. Mas, volto a frisar, alma e espírito são inseparáveis e indivisíveis. Somente a Palavra de Deus é capaz de, discernindo-os, dividi-los, conforme acentua o autor sagrado: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4.12). 

Nesse sentido, se dissermos que a alma compreende a nossa mente, não estaremos errados.

De acordo com a Bíblia, portanto, o ser humano é formado pelo homem exterior e o interior. O missionário Eurico Bergstén leciona com muita propriedade: “A Bíblia subdivide o homem em duas partes: ‘o homem exterior’, que é o seu corpo, e ‘o homem interior’, que é composto da alma e do espírito (2 Co 4.16; Ef 3.16). A parte exterior do homem é visível e mortal, enquanto a parte interior é imaterial, invisível e imortal”. Mais adiante, explica Bergstén: “A alma, junto com o espírito, formam o ‘homem interior’, a parte imaterial de todo o ser humano”. Para maiores informações, recomendo a leitura da excelente Teologia Sistemática do saudoso missionário.

Concluindo, há duas coisas muito importantes a dizer acerca da constituição do ser humano. A primeira é que somos dicotomistas, quando afirmamos que o nosso ser é composto por uma parte material (o homem exterior) e por uma imaterial (o homem interior). A segunda é que somos tricotomistas, quando ensinamos ser o homem a soma do corpo, da alma e do espírito. Nesse caso, deixemos bem claro que alma e espírito são inseparáveis, formando assim a nossa interioridade ou dimensão espiritual. Quando Deus, por ocasião da morte, nos recolhe a alma, vai junto todo o nosso homem interior: espírito e alma.

Quando de nossa glorificação final, seja pela ressurreição dos santos, seja pelo arrebatamento da Igreja, passaremos a ser constituídos por uma única substância: a celestial. Ou seja: seremos iguais aos anjos. Nosso corpo, alma e espírito serão uma única substância. Estando de completa posse da imortalidade, nosso ser não estará mais sujeito quer à morte, quer a divisibilidade. O mesmo pode-se dizer quanto aos que ressurgirem para o lago de fogo.


 

2 comentários

Bruno Lima

Pastor então a morte dividi o homem e na ETERNIDADE o homem nunca mais será dividido?

Pb. Adelson Bezerra - Parambu-CE

A Paz do Senhor amado Pastor. Não sei porque polemizar algo que é claro e objetivo no texto bíblico (Hb 4.12), como exposto pelo nobre Pastor. Só tenho a lamentar o fato de influentes teólogos e vários ministros do nosso meio evangélico (outrora árduos defensores da Tricotomia), tenham se enveredado, desta feita, árduos polemizadores e defensores da dicotomia. Não é de se duvidar, que esses tais, daqui a pouco inventem que o ser humano é um ser "MONOCOTÔMICO"!

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Perfil

Claudionor de Andrade Claudionor de Andrade é Consultor Teológico da CPAD, membro da Casa de Letras Emílio Conde, teólogo, conferencista, Comentarista das Revistas Lições Bíblicas da CPAD e autor dos livros “As Verdades Centrais da Fé Cristã”, “Manual do Conselheiro Cristão”, “Teologia da Educação Cristã”, “Manual do Superintendente da Escola Dominical”, “Dicionário Teológico”, “As Disciplinas da Vida Cristã”, “Jeremias – O Profeta da Esperança”, “Geografia Bíblica”, “História de Jerusalém”, “Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento”, “Merecem Confiança as Profecias?”, “Comentário Bíblico de Judas”, “Dicionário Bíblico das Profecias” e “Comentário Bíblico de Jó”, dentre outros títulos da CPAD.

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