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Pr. Claudionor

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A insustentabilidade da Teoria da Lacuna

Qui, 08/10/2015 por Claudionor de Andrade

Quando me pus a comentar a revista Lições Bíblicas deste trimestre de Escola Dominical da CPAD, deparei-me com alguns desafios bastante singulares. Sei perfeitamente que a Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse, é a inspirada e inerrante Palavra de Deus. E que, nela, não há contradição alguma, pois a suas belezas e perfeições não conhecem limites. Mas como explicar suas ilimitadas e infinitas fronteiras?

Ante os desafios dos onze primeiros capítulos de Gênesis, dispus-me a pensar racionalmente, e cheguei a estas conclusões:

1. Estamos diante de uma narrativa histórica, e não ante uma parábola que busca explicar o inexplicável. Portanto, a descrição que Moisés faz da criação dos Céus e da Terra é um fato verídico. Não colocaremos o autor sagrado, pois, na mesma galeria de Homero, Hesíodo, Virgílio e Camões. Moisés, além de poeta, era historiador.

2. Quanto aos três primeiros versículos do Gênesis, que o aceitemos com a mesma simplicidade que o profeta o redigiu. Por conseguinte, descartamos, desde já, a chamada Teoria da Lacuna, que alguns estudiosos preferem alcunhar de Teoria do Caos.

3. Portanto, não temos nenhuma base escriturística para acreditar num pré-mundo habitado por anjos ou por hominídeos.

4. Se o autor sagrado descreve a Terra, antes do primeiro dia da criação, como informe e vazia, não significa que o planeta estivesse em estado caótico. Mas que, naquele momento, tomava forma sob a ação do Espírito Santo, que pairava por sobre as águas. Tratava-se, pois, da etapa inicial da obra divina que, embora efetivada em apenas seis dias literais, em tudo mostrou-se metódica, lógica e, por incrível que pareça, científica.

5. Deus trabalhou, com muita arte e ciência, o nosso planeta. Primeiro deu-lhe forma. Depois, chamou à existência os dois reinos de vida irracional: o vegetal e o animal. E, só então, chamou o homem a ser e a estar ao seu lado. Por isso, escreve Isaías: “Porque assim diz o Senhor, que criou os céus, o Deus que formou a terra, que a fez e a estabeleceu; que não a criou para ser um caos, mas para ser habitada: Eu sou o Senhor, e não há outro” (Is 45.18).

6. Se a Terra, no início, estava sem forma e vazia, não era em razão da apostasia do querubim ungido, que, em minha opinião, só ocorreria após a criação do ser humano. Como já disse, o vazio e a informidade do planeta faziam parte da etapa inicial da obra criadora de Deus. Como bom oleiro, primeiro o Senhor preparou a massa para, só então, dar forma ao grande vaso que é a Terra.

7. Por que acredito que a rebelião de Satanás deu-se após a criação do homem? Em primeiro lugar, porque Deus, quando criava a Terra, os anjos todos cantavam e rejubilavam-se (Jó 38.1-7). Esta passagem é muito reveladora.

8. Finalmente, não podemos usar os dois primeiros versículos da Bíblia Sagrada para acomodar as mais absurdas e incongruentes teorias. Infelizmente, nessa passagem, jogam-se todas as tranqueiras teológicas: raça pré-adâmica, dinossauros, hominídeos, demônios etc.

Aceitemos a Bíblia Sagrada como a Palavra de Deus. Quanto à criação, levemos em conta que se trata de um ato sobrenatural de Deus para dar forma e vida ao mundo natural. Nesse sentido, a criação é um milagre. E milagre, como todos nós sabemos, está acima da ciência, mas não é contraditado pela verdadeira ciência.

5 comentários

Ozeas Pereira de oliveira

Na minha opinião a sim uma possibilidade de um intervalo de Gênesis CAP 1 e versos 1,2. Ex: quando Deus fez o homem aquela famosa guerra do anjo que desafiou Deus já havia ocorrido, ou seja antes de Deus formar o homem já havia seres angélicais, a Bíblia relata a criação do ser humano que Deus fez depois da queda de satanas. Ou seja o ser humano foi criado depois da queda de satanas, antes da criação do ser humano já existia algo..

Sher Nishiyama

Entrei em contato com essa teoria hoje e achei a sua explicação excelente e definitiva. Querer enfiar os milhões de anos na criação da terra não faz sentido nenhum, pois isso já vem casado com as doutrinas luciferanas da nova era evolucionista planetária. Além do que não é possivel crer em um evolucionismo teísta, pq a morte entrou no mundo pelo homem e dentro dessa doutrina nem teríamos como explicar a morte dos seres advindo da evolução que precedeu o homem.

Daniel Silva

Eu sou membro da AD estou estudando deologia Então não há intervalo se tempo entre o versículo 1e2 de genesis Como algumas bíblias de estudo relata em especial a KJ edição de estudo Que existe atémilhões de anos entre um versículo e outro Muito usada por professores de teologia Eu nãoconsigoencherga à queda de lucifer depois da criação do mundo e do homemTendo como base Isaías 14 e Ezequiel 28. Fala sobre monte congregação nuvem edem creio que estes eventos não aconteceu no céu pois a monte no ?

Davison Da Silva Alves

muito interessante abordagem Pastor Claudinor de Andrade...

Morais

Pastor a Paz do Senhor! Por que já não se fala mais em Usos e Costumes nas Assembleias de Deus? Não seria uma marca da denominação uma identidade que por sinal muito positiva que casa muito bem com o tema Santidade? Por que muitos pastores tem feito Vistas Grossas diante desta temática a Igreja sempre cresceu, e agora que não se dar mais este foco está estagnada em números e espiritualmente. Seria um não incomodo a elite hoje muito presente na AD. Haveria possibilidades de uma EBD sobre o tema?

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Perfil

Claudionor de Andrade Claudionor de Andrade é Consultor Teológico da CPAD, membro da Casa de Letras Emílio Conde, teólogo, conferencista, Comentarista das Revistas Lições Bíblicas da CPAD e autor dos livros “As Verdades Centrais da Fé Cristã”, “Manual do Conselheiro Cristão”, “Teologia da Educação Cristã”, “Manual do Superintendente da Escola Dominical”, “Dicionário Teológico”, “As Disciplinas da Vida Cristã”, “Jeremias – O Profeta da Esperança”, “Geografia Bíblica”, “História de Jerusalém”, “Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento”, “Merecem Confiança as Profecias?”, “Comentário Bíblico de Judas”, “Dicionário Bíblico das Profecias” e “Comentário Bíblico de Jó”, dentre outros títulos da CPAD.

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