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Pr. Claudionor

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A Grande Pergunta da Ética Cristã

Ter, 01/09/2020 por Claudionor de Andrade

Sempre que o debate acerca do aborto é provocado, uma pergunta faz-se inevitável: “Afinal, quando começa a vida humana?”. Antes de tudo, a indagação a ser feita não deve ser essa, mas esta: “Quando, afinal de contas, tem início a pessoa humana?”. Em seguida, complementá-la-emos, reformulando uma questão, que há de causar disputas e polêmicas: “A pessoa humana passa a existir na fase embrionária? Ou na etapa fetal da gestão?”. Não podemos tratar um problema tão grave, sério e decisivo, baseados apenas na ciência, já que a ciência, em que lhe pesem todas as glórias e conquistas, não é a última palavra no que tange à ética, à moral e às nossas responsabilidades perante Deus.

À intrigante pergunta, responderemos fundamentados na Bíblia Sagrada, a nossa única regra infalível de fé e prática, por ser a inspirada, inerrante, absoluta, completa e eterna Palavra de Deus.

Nesse assunto, buscaremos o auxílio de um dos mais respeitados médicos de todos os tempos; um homem de ciência que nutria uma fé profunda no Deus Único e Verdadeiro. Refiro-me ao Dr. Lucas, o autor do terceiro evangelho e milenarmente honrado como o patrono dos que exercem a medicina com amor, dignidade e eficácia. 

Ao relatar o encontro de Maria com a sua prima Isabel, o escritor sagrado demonstra, inequivocamente, que o óvulo concebido, tanto na fase embrionária como na fetal, já é uma pessoa humana como eu e você, querida mamãe. Logo, o embrião e o feto não são meros objetos de direito, mas sujeitos plenos de direito. E, nesse sentido, devem as leis protegê-los, no útero da mãe, com o mesmo rigor e empenho, que alegam amparar os que já vieram à luz e, fora do ventre materno, vivem.

Provaremos o que vimos dizendo, com um exemplo bíblico clássico registrado pelo Dr. Lucas.

O anjo Gabriel, ao anunciar à virgem Maria, o mistério da encarnação, revela-lhe, outrossim, que a sua prima, Isabel, já estava no sexto mês de gravidez. Passados alguns dias, tendo já o Salvador da humanidade em seu útero, gerado por obra e graça do Espírito Santo, deixa a jovem israelita apressadamente a Galileia, e move-se à região montanhosa de Judá, para encontrar-se com a sua parenta.

Deixemos, agora, o relato do encontro entre Maria e Isabel, por conta do Dr. Lucas:

“E entrou em casa de Zacarias, e saudou a Isabel.

“E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do Espírito Santo.

“E exclamou com grande voz, e disse: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre.

“E de onde me provém isto a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?

“Pois eis que, ao chegar aos meus ouvidos a voz da tua saudação, a criancinha saltou de alegria no meu ventre.

“Bem-aventurada a que creu, pois hão de cumprir-se as coisas que da parte do Senhor lhe foram ditas” (Lc 1:40-45).

Nessa belíssima passagem, o Dr. Lucas prova cabalmente, que tanto o Senhor Jesus Cristo, na fase embrionária, quanto o profeta João Batista, já na etapa fetal da gestão, eram seres humanos plenos e conscientes de sua existência. Embora não tivessem, ainda, informações quanto ao mundo exterior, já estavam cônscios de sua existência. Por essa razão, quando a pessoa de João Batista, no ventre de Isabel, pressentiu a chegada da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, no útero de Maria, “saltou de alegria”.

Sim, querida mamãe, João Batista sentiu plenamente a chegada do Salvador. E, plenamente sentindo-a, de alegria pulou na barriga de Isabel. O ser humano, pois, seja no período embrionário seja no fetal, não é um mero e curioso fenômeno biológico. Antes, é um ser capaz de não apenas sentir, quando é amado, como também de pressentir, quando se vê ameaçado de morte.

Quem nos torna tais fatos evidentes não é apenas um homem de religião. Realçamos que o Dr. Lucas, além de evangelista, destacava-se igualmente como notável cientista e amado médico (Cl 4:14). Voltemo-nos, agora, ao próprio Deus. Quando o Autor e Conservador da vida passa a ver o óvulo fecundado como uma pessoa? Na fase embrionária? Na etapa fetal? Ou, como querem alguns, apenas depois do parto? 

O criador dos Céus, da Terra e do ser humano vê a criancinha que você traz no ventre, querida mamãe, antes mesmo de ela haver sido concebida; viu-a e amorosamente contemplou-a, como um ente semelhante a mim e a você. Atentemos, então, a esta passagem bíblica, na qual Ele dirige-se a Jeremias: “Antes que te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei; às nações te dei por profeta” (Jr 1:5).

Aos olhos de Deus, portanto, o embrião e o feto não são meros assombros biológicos; e, sim, pessoas únicas e preciosas, às quais o Médico dos médicos proporciona um acompanhamento pré-natal de altíssima qualidade. Sim, querida mamãe, tudo o que lhe ocorre no útero, durante a gravidez, é registrado por Deus em seus livros eternos. É o que nos revela o Salmista; inspirado pelo Espírito Santo, verseja:

“Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem.

“Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido nas profundezas da terra.

“Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia” (Sl 139:14-16).

Consequentemente, querida mamãe, tudo quanto lhe acontece no ventre, durante a gestação, é acompanhado, registrado e eternizado por Deus. O atributo da onisciência é infinitamente mais eficaz do que qualquer aparato da medicina diagnóstica. O Senhor Deus vê, contempla e averba, em seus livros eternos, quando uma gestante, por exemplo, maltrata o novo ser que traz na madre e o expõe à morte.

Do que dissemos, até aqui, a que conclusão chegaremos?

Antes e acima de tudo, a criancinha gestada, quer na fase embrionária quer na etapa fetal, é um ser humano pleno. Logo, a pessoa humana começa no exato instante da concepção, conforme lemos na Bíblia Sagrada: “Foi concebido um homem!” (Jó 3:3). Na concepção, é gerado um ser humano pleno, não uma coisa, nem um fato biológico.

De acordo com o relato de Lucas, o médico amado, a criancinha, no ventre materno, embora ainda esteja em desenvolvimento, é capaz de pressentir, sentir e reagir. Ela pressente quando é amada. E, quando a querem destruir, sente e reage. 

Não resta dúvida de que matar uma criança, no sacrário do ventre materno, é um homicídio tão doloso quanto tirar a vida de alguém, que já deixou o ambiente uterino. O mandamento divino é claro e não há de ser ignorado: “Não matarás” (Ex 20:13).

Como servos do Autor e Conservador da vida, arguamos a todos, que a pessoa humana inícia no exato instante da concepção. E, como tal, deve ser preservada. Por acaso assim não se deu com a conceição de nosso Senhor? 

Querida mamãe, aceite, como presente divino, o ser humano que está em seu ventre. Talvez, o seu filhinho não tenha sido gerado, segundo os seus sonhos, anseios e expectativas. No entanto, tema a Deus; não opte pelo aborto. Tenho eu absoluta certeza de que o Pai Celeste não lhe faltará com a providência necessária, porque Ele, sem você o saber, já está lhe acompanhando a gravidez.

E, se por acaso, você, em algum momento de sua vida, já praticou o aborto, busque o perdão do amoroso Deus, que está sempre pronto a reconciliar-nos através de seu Único Filho – Jesus Cristo Nosso Senhor. Aja como Maria e Isabel. Deixe a criancinha saltar de alegria em seu ventre. Amém.    

          


4 comentários

Claudionor de Andrade

Irmão Wilson, com humildade e apreço, recebo Eclesiastes 9:8. Ore por mim, para que o Senhor me guarde em todos os caminhos. Sem Jesus, nada posso fazer. Obrigado por seu contato.

Wilson dos Santos Silva

Diante do seu cuidado pastoral dedico a você eclesiástes 9:8... E que Deus der graça a cada dia.....

Reginaldo Conceição do Nascimento

Que coisa linda ouvir um artigo fundamentado na palavra de Deus onde demonstra uma firmeza quanto o nascimento de um ser humano a Bíblia não nos deixa dúvida o aborto traz sobre aquele que o pratica e sobre aquele que deseja praticar um julgamento bíblico diante daquele que tudo ver tudo contempla que possamos atentarmos para a palavra de Deus e deixarmos sermos orientado por esta palavra que Deus continue abençoando nosso amado Pastor e mestre Claudionor de A ndrade.oh gloria!!!

Johnes Albert Rodrigues de Sá

Muito esclarecedor, o Senhor continue abençoado o Pastor Claudionor, um presente da minha geração.

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Perfil

Claudionor de Andrade Claudionor de Andrade é Consultor Teológico da CPAD, membro da Casa de Letras Emílio Conde, teólogo, conferencista, Comentarista das Revistas Lições Bíblicas da CPAD e autor dos livros “As Verdades Centrais da Fé Cristã”, “Manual do Conselheiro Cristão”, “Teologia da Educação Cristã”, “Manual do Superintendente da Escola Dominical”, “Dicionário Teológico”, “As Disciplinas da Vida Cristã”, “Jeremias – O Profeta da Esperança”, “Geografia Bíblica”, “História de Jerusalém”, “Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento”, “Merecem Confiança as Profecias?”, “Comentário Bíblico de Judas”, “Dicionário Bíblico das Profecias” e “Comentário Bíblico de Jó”, dentre outros títulos da CPAD.

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